MAPEAMENTO SOCIOLINGUÍSTICO DO AGRESTE MERIDIONAL PERNAMBUCANO: RESULTADOS INICIAIS E DELINEAMENTO DE UMA AGENDA DE PESQUISA

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
MAPEAMENTO SOCIOLINGUÍSTICO DO AGRESTE MERIDIONAL PERNAMBUCANO: RESULTADOS INICIAIS E DELINEAMENTO DE UMA AGENDA DE PESQUISA
Autores
  • Marcus Garcia de Sene
  • FERNANDO AUGUSTO DE LIMA OLIVEIRA
Modalidade
Resumo
Área temática
Sociolinguística variacionista
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1144146-mapeamento-sociolinguistico-do-agreste-meridional-pernambucano--resultados-iniciais-e-delineamento-de-uma-agenda
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
Mapeamento, Agreste Meridional, Sociolinguística
Resumo
A documentação linguística é uma prática consolidada na sociolinguística contemporânea e visa registrar, analisar e preservar os usos linguísticos de comunidades específicas, especialmente daquelas historicamente invisibilizadas nos grandes corpora nacionais. No Brasil, apesar de avanços significativos, persistem lacunas regionais nesse mapeamento, como no caso do Agreste Meridional Pernambucano, ainda ausente, por exemplo, na plataforma da Diversidade Linguística, em desenvolvimento pela Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN). Frente a essa ausência, fundamentado nos pressupostos da Sociolinguística Laboviana (Labov, 1972) e nas discussões acerca da Percepção Sociolinguística (Campbell-Kimbler, 2006; Oushiro, 2021; Sene, 2022), o projeto intitulado Mapeamento sociolinguístico do Agreste Meridional Pernambucano: produção, percepção e significação social da variação (FACEPE -1455- 8.01/24) busca compreender a língua como prática social situada, considerando tanto a produção efetiva de formas variantes quanto os julgamentos sociais que os próprios falantes atribuem a essas formas. Metodologicamente, este projeto estrutura-se em duas etapas complementares. A primeira, refere-se à produção de um banco de dados linguísticos, construído a partir de entrevistas sociolinguísticas realizadas com falantes de municípios do Agreste Meridional pernambucano, como São Bento do Una, Garanhuns, entre outros. A segunda etapa, concentra-se na análise perceptiva, por meio da aplicação de questionários on-line de reações subjetivas (Sene, 2022). Esses instrumentos permitem, ora a avaliação geral do modo de falar característico da região, ora a interação dos participantes com variáveis linguísticas específicas, a fim de captar suas percepções e atitudes em relação às formas de fala analisadas. Nesta comunicação, serão apresentados os resultados preliminares obtidos nas etapas de produção e de percepção sociolinguística. No que se refere à produção, serão divulgados os dados iniciais relativos a duas variáveis em análise: (i) o apagamento da oclusiva dental /d/ em formas do gerúndio (Almeida; Sene, 2024) e (ii) a realização da concordância verbal na terceira pessoa do plural (Sene; Silva, 2025). No âmbito da percepção, discutir-se-ão, de forma introdutória, os resultados obtidos por meio de questionário on-line elaborado no Google Forms e respondido por 98 participantes. As análises se concentrarão, sobretudo, nas respostas às questões “Como você acha que é o falar do Agreste Meridional?” e “Quais pistas linguísticas você considera marcantes do modo de falar da região?”, com o objetivo de compreender as representações e os índices de saliência atribuídos pelos falantes às variedades locais. Além dos resultados preliminares, serão expostos a agenda de pesquisa e os desdobramentos futuros previstos no escopo do projeto. Os resultados preliminares indicam que, no eixo da produção, observam-se índices significativos de apagamento da oclusiva dental /d/ em formas do gerúndio, bem como padrões variáveis de marcação da concordância verbal na 3ª pessoa do plural, especialmente em contextos informais e de baixa monitoração da fala. No eixo da percepção, os dados mostram que os falantes reconhecem determinadas marcas fonológicas e morfossintáticas como características do “falar do agreste”, associando essas pistas a juízos valorativos que oscilam entre “orgulho” e “estigmatização”. Tais achados contribuem para o enriquecimento da cartografia sociolinguística brasileira (Freitag, 2017) e evidenciam a necessidade de valorização da diversidade linguística regional como identidade e cidadania linguística.
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SENE, Marcus Garcia de; OLIVEIRA, FERNANDO AUGUSTO DE LIMA. MAPEAMENTO SOCIOLINGUÍSTICO DO AGRESTE MERIDIONAL PERNAMBUCANO: RESULTADOS INICIAIS E DELINEAMENTO DE UMA AGENDA DE PESQUISA.. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1144146-MAPEAMENTO-SOCIOLINGUISTICO-DO-AGRESTE-MERIDIONAL-PERNAMBUCANO--RESULTADOS-INICIAIS-E-DELINEAMENTO-DE-UMA-AGENDA. Acesso em: 27/05/2026

Trabalho

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