PROCESSAMENTO DE VARIANTES NO RECONHECIMENTO DE PALAVRA FALADA: EFEITO DE FREQUÊNCIA E ESCOLARIDADE

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
PROCESSAMENTO DE VARIANTES NO RECONHECIMENTO DE PALAVRA FALADA: EFEITO DE FREQUÊNCIA E ESCOLARIDADE
Autores
  • Laísa Gomes Pereira
  • Christina Abreu Gomes
Modalidade
Resumo para poster
Área temática
Sociolinguística variacionista
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1141807-processamento-de-variantes-no-reconhecimento-de-palavra-falada--efeito-de-frequencia-e-escolaridade
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
Processamento, Modelo de Exemplares, Variação, Coda (s)
Resumo
O objetivo dessa pesquisa é observar o processamento das variantes da coda (s) por falantes adultos da variedade carioca para verificar a organização cognitiva da representação da variação. As variantes observadas foram as fricativas pós-alveolar e posterior da coda (s) (me[ʒ]mo ~ me[ɦ]mo). A pesquisa foi desenvolvida com base nos pressupostos da Sociolinguística Variacionista, segundo os quais a variação é inerente ao sistema linguístico (Labov, 2008), e do Modelo de Exemplares, segundo os quais as variantes de uma variável estão representadas no léxico (Bybee, 2023; Cristófaro-Silva e Gomes, 2020). Adota-se também a hipótese da organização cognitiva dos exemplares, segundo a qual o exemplar mais frequente é o dominante em relação aos demais (Connine et al, 2008). Sobre a coda (s) no Rio de Janeiro, Callou e Brandão (2009), Gryner e Macedo (2000) e Melo (2012) mostraram que a pós-alveolar é a mais frequente em amostras de fala de diferentes perfis sociais. No entanto, Melo (2012) mostrou que em dados de jovens excluídos socialmente, a fricativa posterior tem frequência de 30% em comparação com os demais grupos (entre 2% e 5%), sendo também a variante mais frequente de determinados itens lexicais. Assim, o percentual de produção das variantes difere para os mesmos itens lexicais considerando falantes de grupos sociais diferentes. Por exemplo, “mesmo” é produzida com a variante posterior somente em 14% das produções de falantes de classe média (Censo 2000) e em 89% das produções de jovens excluídos socialmente. Para Melo (2012), a variante dominante difere nos dois grupos de falantes para alguns itens lexicais, como em mesmo, sendo a pós-alveolar a variante dominante para os falantes de classe média e a posterior, para os jovens excluídos socialmente. Para verificar a hipótese de Melo (2012), foi aplicado um experimento de decisão lexical em 42 estudantes universitários e 10 indivíduos com Ensino Fundamental, com estímulos contendo 20 itens lexicais, com as variantes pós-alveolar e glotal, e 20 pseudopalavras. As condições foram variante do estímulo e posição da sílaba com coda na palavra. Os estímulos foram gravados por duas vozes masculinas. Nenhum participante ouviu o mesmo item lexical com as duas variantes. Foram obtidas 2.080 respostas. Os resultados da regressão logística mostraram efeito do tipo de estímulo (palavra x pseudopalavra), no reconhecimento de palavras do PB (log-odd=-3.239; p-valor<0.001), da variante do estímulo (pós-alveolar x fricativa posterior), sendo os estímulos com a posterior os que tenderam a não serem reconhecidos como palavras do PB (log-odd=- 1.273; p-valor=0.001); interação entre tipo de estímulo e variante do estímulo, sendo as palavras com a variante posterior as com maior tendência a não serem processadas como palavras do PB (log-odd=- 2.867; p-valor<0.001), e interação entre tipo de estímulo, variante e escolaridade, com maior tendência dos universitários a rejeitarem palavras com a variante posterior que os indivíduos com ensino fundamental ((log-odd=- 1.523; p-valor=0.020). Os resultados são indicativos de que a variante posterior, nas palavras do PB, é processada diferentemente por falantes com escolaridades diferentes, sendo a variante pós-alveolar a variante dominante para os falantes com nível universitário.
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PEREIRA, Laísa Gomes; GOMES, Christina Abreu. PROCESSAMENTO DE VARIANTES NO RECONHECIMENTO DE PALAVRA FALADA: EFEITO DE FREQUÊNCIA E ESCOLARIDADE.. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1141807-PROCESSAMENTO-DE-VARIANTES-NO-RECONHECIMENTO-DE-PALAVRA-FALADA--EFEITO-DE-FREQUENCIA-E-ESCOLARIDADE. Acesso em: 27/05/2026

Trabalho

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