“SI[R]VAM NOSSAS FAÇANHAS [DE] MODEL[O]”: VARIAÇÃO FONOLÓGICA E DIALETAÇÃO NO PORTUGUÊS DO RIO GRANDE DO SUL

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
“SI[R]VAM NOSSAS FAÇANHAS [DE] MODEL[O]”: VARIAÇÃO FONOLÓGICA E DIALETAÇÃO NO PORTUGUÊS DO RIO GRANDE DO SUL
Autores
  • Elisa Battisti
Modalidade
Resumo
Área temática
Sociolinguística variacionista
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1141409-sirvam-nossas-facanhas-de--modelo--variacao-fonologica-e-dialetacao-no-portugues-do-rio-grande-do-sul
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
variação fonológica, português do Rio Grande do Sul, dialetação, contato dialetal e linguístico
Resumo
O trabalho examina três variáveis fonológicas que, no Rio Grande do Sul (RS), diferenciam variedades locais de português: elevação das vogais /e, o/ átonas finais (mont[e]~mont[i], log[o]~logo[u]), realização do rótico em coda (cor, carta, partido) como aproximante retroflexa, palatalização das oclusivas alveolares em contexto /te, de/ em sílaba átona (gente~gen[ʧɪ], onde~on[ʤɪ], de manhã~[ʤi] manhã, catequese~ca[ʧi]quese, nádega~ná[ʤi]ga, te dei~[ʧi] dei), observada se /e/ eleva-se a [i]. Analisam-se dados de produção linguística (Labov, 1972, 1994, 2001, 2010) de Passo Fundo (PF), município no interior do RS em que migrantes de diferentes regiões brasileiras vêm promovendo contato dialetal (Trudgill, 1986) e populações de diversa origem – indígenas, africanos, europeus – promoveram contato linguístico (Weinreich, 1953) de seus falares com o português na constituição da comunidade de fala. Objetiva-se (a) esclarecer aspectos linguísticos e sociais correlacionados às variantes e (b), na comparação com estudos das três variáveis no PB de Porto Alegre, capital do RS, explorar a diferenciação sociolinguística (Gal, 2016) no eixo interior-capital. Realizam-se análises estatísticas de regressão de efeitos mistos com a Plataforma R (R Core Team, 2025) de dados de 8 informantes (2 gêneros, 2 faixas etárias – 10-29, 50 ou mais anos – e 2 níveis de escolaridade – Fundamental/Médio, Superior) de PF do VarCon (amostra em constituição, UFRGS). Análises anteriores das três variáveis no PB do RS mostram que a palatalização e a elevação são mais avançadas na capital do que no interior do estado (Battisti et al., 2007, Battisti e Dornelles Filho, 2015, Duarte, 2019, Machado, 2023, Link, 2019, Vieira, 2002, Santos; Gutierres, 2022) e que há realização retroflexa do rótico em PF, mas não em Porto Alegre (Rockenbach, 2020, Gutierres; Rockenbach; Battisti, 2023). As análises estatísticas efetuadas em dados de PF revelam, (i) sobre a palatalização, 22,8% de aplicação, correlacionada a gênero, faixa etária e tonicidade (gênero feminino e sílaba final favorecem); (ii) sobre a elevação, 41% de aplicação a /e/, 78% a /o/, correlacionada a gênero (feminino favorece a elevação de /e, o/) e a segmento seguinte (soantes e fricativas/africadas favorecem a elevação de /e/); (iii) sobre a realização do rótico em coda, verifica-se 51% de retroflexa, correlacionada a gênero, faixa etária, tonicidade da sílaba, qualidade da vogal precedente (masculino, 18-29 anos, sílaba tônica, vogal precedente baixa favorecem). Os resultados parecem evidenciar efeitos de contato dialetal e linguístico no português de PF, sugerindo associar a realização retroflexa à presença de indígenas e tropeiros paulistas na fundação da comunidade, e, mais recentemente, à de migrantes do centro do país; bem como relacionar as menores proporções de elevação das vogais médias átonas finais e de palatalização à presença de imigrantes de variada origem na composição da comunidade, entre eles italianos. No contraste com o português de Porto Alegre, a diferente ocorrência das variáveis investigadas em PF atesta seu papel na dialetação do português do Rio Grande do Sul e seu potencial para metasinalizar significados sociais (rural, simples, gauchesco) com que se podem construir diferenças entre interior e capital, localidade essa cujos padrões de realização das variantes parecem orientar-se às normas supralocais de português.
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BATTISTI, Elisa. “SI[R]VAM NOSSAS FAÇANHAS [DE] MODEL[O]”: VARIAÇÃO FONOLÓGICA E DIALETAÇÃO NO PORTUGUÊS DO RIO GRANDE DO SUL.. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1141409-SIRVAM-NOSSAS-FACANHAS-DE--MODELO--VARIACAO-FONOLOGICA-E-DIALETACAO-NO-PORTUGUES-DO-RIO-GRANDE-DO-SUL. Acesso em: 27/05/2026

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