A FALA DE MIGRANTES É MAIS VARIÁVEL DO QUE A DE NÃO-MIGRANTES?

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
A FALA DE MIGRANTES É MAIS VARIÁVEL DO QUE A DE NÃO-MIGRANTES?
Autores
  • Livia Oushiro
Modalidade
Resumo
Área temática
Sociofonética
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1139105-a-fala-de-migrantes-e-mais-variavel-do-que-a-de-nao-migrantes
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
vogais médias pretônicas, contato dialetal, migrantes nordestinos, Sociofonética
Resumo
Pesquisas prévias sobre a fala de migrantes indicam a ampla variação linguística inter-falante (Silveira 2022; Oushiro et al 2023) e sugerem que tais indivíduos apresentam mais variação devido a seu contato com diferentes dialetos. Com base em preceitos teórico-metodológicos da Sociofonética (Thomas 2013), este estudo objetiva investigar se migrantes apresentam maior variância em seus padrões linguísticos do que não-migrantes. Para tanto, analisa-se acusticamente a realização de vogais médias pretônicas /e/ e /o/ (p.ex., relógio, romã) em gravações com 20 migrantes alagoanos e paraibanos residentes em São Paulo, em comparação com a fala de 20 nordestinos não-migrantes das amostras PORTAL (Oliveira 2017) e VALPB (Hora 1993) e 20 paulistas não-migrantes das amostras SP2010 (Mendes; Oushiro 2012) e de Mourão (2024), em contextos favorecedores do abaixamento vocálico (Pereira 2010). Os 60 falantes são balanceados por gênero e têm perfis sociodemográficos semelhantes para comparabilidade (adultos no mercado de trabalho e com escolaridade média). Os dados foram alinhados automaticamente com o Montreal Forced Aligner (McAuliffe et al 2017); e as medições de F1/F2 foram extraídas pelo script Vowel Analyzer (Riebold 2013), normalizadas pelo método de Lobanov (1971) e analisadas na plataforma R em testes de Levene (1960) (para cômputo da homogeneidade da variância) e modelos de regressão linear de efeitos mistos com oito preditores fixos (para cômputo de R2 marginal, R2 condicional e coeficientes de correlação intraclasse–ICCs). Os testes de Levene mostram que, para /e/ (N = 5.085), não há diferença significativa na variância da altura (F1 normalizado) entre as três amostras; por outro lado, para /o/ (N = 3.837), a variância é significativamente maior para os migrantes do que para os nordestinos não-migrantes (F = 4,37, p = 0,04) e paulistas não-migrantes (F = 61,7, p < 0,001). Os modelos de efeitos mistos indicam que, em todos os grupos, os efeitos aleatórios Falante e Item Lexical dão conta da maior parte da variância, uma vez que os valores de R2 condicional (variância explicada por efeitos fixos + aleatórios) são bastante superiores àqueles de R2 marginal (variância explicada somente por efeitos fixos). Entretanto, a maior parte da variação se deve a itens lexicais específicos e não aos indivíduos. Na comparação entre amostras, os falantes como efeito aleatório explicam mais da variação nos dados dos nordestinos não-migrantes (ICC /e/: 12,1%; /o/: 16,9%) do que na fala de migrantes (ICC /e/: 8,3%; /o/: 10,7%) e na fala de sudestinos (ICC /e/ 6,8%; /o/: 10,5%). Em conjunto, os resultados mostram que, embora a variância global na altura de vogais pretônicas possa ser maior na fala de migrantes, como se verifica no teste de Levene para /o/, nordestinos não-migrantes apresentam mais variação inter-falante do que os migrantes e os paulistas, o que refuta a hipótese de maior variância na fala de indivíduos em situação de contato dialetal. A maior variação na altura de vogais entre nordestinos não-migrantes pode ser explicada como decorrente da característica dialetal de abaixamento das médias pretônicas, e sua diminuição na fala de migrantes como uma aproximação ao padrão paulista de relativo não-abaixamento.
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OUSHIRO, Livia. A FALA DE MIGRANTES É MAIS VARIÁVEL DO QUE A DE NÃO-MIGRANTES?.. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1139105-A-FALA-DE-MIGRANTES-E-MAIS-VARIAVEL-DO-QUE-A-DE-NAO-MIGRANTES. Acesso em: 27/05/2026

Trabalho

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