COMENTÁRIOS SOBRE A PERCEPÇÃO DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NO CONTATO DIALETAL POR MIGRANTES ALAGOANOS E PARAIBANOS NA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
COMENTÁRIOS SOBRE A PERCEPÇÃO DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NO CONTATO DIALETAL POR MIGRANTES ALAGOANOS E PARAIBANOS NA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS
Autores
  • Maylle Lima Freitas
Modalidade
Resumo
Área temática
Sociolinguística variacionista
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1136960-comentarios-sobre-a-percepcao-da-variacao-linguistica-no-contato-dialetal-por-migrantes-alagoanos-e-paraibanos-n
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
contato dialetal, percepção, migrantes nordestinos, Região Metropolitana de Campinas.
Resumo
Em situações de interação, os falantes recorrem tanto a informações linguísticas quanto extralinguísticas sobre seus interlocutores (Eckert, 2008). A partir dessas informações, falantes podem tecer comentários que dão pistas acerca de sua consciência e percepção de diferenças sociais e linguísticas. Esta comunicação analisa relatos metalinguísticos de 40 alagoanos e paraibanos residentes na Região Metropolitana de Campinas (RMC), participantes do Projeto Acomodação (Oushiro, 2023), buscando compreender a percepção dos migrantes acerca da nova realidade sociolinguística e a saliência de variantes dialetais. A saliência de variantes linguísticas envolve diferentes graus de consciência dos falantes e pode influenciar a variação (Labov, 1972 [2008]). Adota-se a conceituação de saliência de Preston (1999), composta de quatro dimensões: (1) disponibilidade — frequência com que falantes fazem comentários sobre variantes; (2) acurácia — precisão na identificação das variantes e/ou sua distribuição; (3) detalhe — grau de especificidade no conhecimento sobre a variação dialetal; e (4) controle — capacidade de reproduzir as variantes. Nesta comunicação, objetiva-se reportar os resultados das análises: (1) sobre elementos linguísticos e não linguísticos associados aos nordestinos em Campinas, segundo a percepção dos migrantes; e (2) da saliência de variantes no contato dialetal. Para tanto, analisaram-se qualitativa e quantitativamente as respostas a perguntas do roteiro de entrevista voltadas à obtenção de comentários metalinguísticos sobre a percepção da variação dialetal no contato linguístico, por meio da elaboração de uma planilha e etiquetagem de padrões de respostas (Bento, 2019). Quanto ao primeiro objetivo, os dados apontam que o modo de falar é o que mais identifica os alagoanos e paraibanos na RMC. Outros fatores associados a nordestinos relacionam-se com os preconceitos acerca de sotaque, trabalho, estereótipos e aparência. Sobre o preconceito linguístico, os participantes citam a dificuldade de entendimento dos paulistas quanto à sua fala, além de piadas sobre sua variedade linguística. Em relação ao trabalho, destacam a crença de que nordestinos “roubam” vagas destinadas a paulistas. Entre os estereótipos, está a ideia de que predominam seca e pobreza no Nordeste. Quanto à aparência, mencionam a vestimenta e termos como “cabeça chata”. Considerando o segundo objetivo, a variável mais frequentemente citada pelos migrantes para diferenciar campineiros e nordestinos é o /R/ em coda silábica (e.g. “po[h]ta”), seguida por itens lexicais (“doido” e “bolacha”), palatalização regressiva de /t,d/ diante de /i/ (e.g., [tʃ]ia), palatalização progressiva de /t,d/ após /i/ (e.g. “oi[tʃ]o”), e o /e/ pretônico (e.g. “r[e]lógio”). Já para reconhecer outros alagoanos/paraibanos, os participantes apontam a prosódia (velocidade, ritmo e altura da fala), itens lexicais (“mainha” e “visse”) e a realização de /S/ e /R/ em coda. Nota-se que o /R/ em coda é a variável de maior disponibilidade, já que os migrantes identificam seus contextos de ocorrência e apresentam controle sobre as formas glotal e retroflexa. Parte dos migrantes, contudo, não distingue o retroflexo e o tepe, ou interpretam o tepe como um retroflexo atenuado. Nota-se, portanto, acurácia e detalhe na percepção do par glotal–retroflexo, mas não no par tepe–retroflexo, indicando que a consciência do contraste é sensível a nuances fonéticas.
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FREITAS, Maylle Lima. COMENTÁRIOS SOBRE A PERCEPÇÃO DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NO CONTATO DIALETAL POR MIGRANTES ALAGOANOS E PARAIBANOS NA REGIÃO METROPOLITANA DE CAMPINAS.. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1136960-COMENTARIOS-SOBRE-A-PERCEPCAO-DA-VARIACAO-LINGUISTICA-NO-CONTATO-DIALETAL-POR-MIGRANTES-ALAGOANOS-E-PARAIBANOS-N. Acesso em: 27/05/2026

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