DOIS ESTUDOS LONGITUDINAIS: A SINTAXE DO PE E DO PB NA PRODUÇÃO DE DOIS DRAMATURGOS CONTEMPORÂNEOS - LUIZ FRANCISCO REBELLO (1924–2011) E MILLÔR FERNANDES (1923–2012)

Publicado em 09/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2260-6

Título do Trabalho
DOIS ESTUDOS LONGITUDINAIS: A SINTAXE DO PE E DO PB NA PRODUÇÃO DE DOIS DRAMATURGOS CONTEMPORÂNEOS - LUIZ FRANCISCO REBELLO (1924–2011) E MILLÔR FERNANDES (1923–2012)
Autores
  • Maria Eugênia Lamoglia Duarte
Modalidade
Resumo
Área temática
Sociolinguística Paramétrica
Data de Publicação
09/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1134389-dois-estudos-longitudinais--a-sintaxe-do-pe-e-do-pb-na-producao-de-dois-dramaturgos-contemporaneos---luiz-franci
ISBN
978-65-272-2260-6
Palavras-Chave
Enfraquecimento de marcas de concordância; sujeitos nulos e expressos; clíticos não dêiticos e suas variantes; português europeu; português brasileiro; estudo longitudinal; Luiz Francisco Rebello; Millôr Fernandes.
Resumo
A conferência discute a necessária interface da Teoria da Variação e Mudança com uma teoria gramatical para seguir os passos relacionados à estrutura, que a TVM indica para a busca do percurso da mudança. Meu propósito é mostrar a associação entre a variação e a sintaxe paramétrica com estudos longitudinais que acompanham dois dramaturgos - Luiz Francisco Rebello (1924–2011) e Millôr Fernandes (1923–2012). o primeiro nascido em Lisboa e o segundo, no Rio de Janeiro, perfeitamente contemporâneos e muito produtivos na segunda metade do século XX. Alguns fenômenos sintáticos já estudados em amostras de peças de teatro com autores diversos ao longo de dois séculos serão aqui revisitados na escrita desses dois autores: a expressão do sujeito referencial, o uso dos clíticos não dêiticos (os anafóricos acusativo e dativo) e o indefinido se e suas formas variantes, fenômenos relacionados ao sistema flexional. A observação do percurso dos dois autores permitirá testar a hipótese de que o enfraquecimento de marcas de flexão no português brasileiro se deve ao estreito contato no Brasil colonial entre levas de africanos escravizados e seus descendentes (em cujas línguas tais flexões não existiam) e imigrantes portugueses (trabalhadores e fazendeiros) todos analfabetos. Chegamos ao início do século XIX com apenas 0,5% (Houaiss 1985) de letrados e caminhamos muito lentamente até a virada desse século, sem que o ensino primário gratuito fosse universalizado e sem uma decisão sobre que modelo adotar no ensino da língua, uma decisão tomada apenas na virada do século XX, em favor da norma do PE moderno, já então com uma gramática bastante diferenciada do Português Clássico (cf. Callou e Barbosa 2011). Acrescentese que o contingente escravizado, cujas línguas pertenciam principalmente ao grupo bantu, aprendeu o português, não sem imprimir nele traços de suas línguas maternas, um deles relacionado à ausência de flexões (aqui incluídos os clíticos não dêiticos) e à não distinção entre sujeito o complemento (Avelar e Galves, 2014). Além disso, os fluxos de migrações internas seriam intensos ao longo do século XX (IBGE). Os estudos longitudinais revelam o papel bastante limitado da escola brasileira na tentativa de ensinar a gramática lusitana, confirmando a hipótese que guia a pesquisa. Evidências adicionais da primeira geração de letrados gravados em entrevistas sociolinguísticas (Projeto NURC), contando entre os entrevistados mais velhos com falantes nascidos na mesma década dos dois autores aqui analisados, mostram o resultado do descompasso entre a gramática adquirida pelo brasileiro e a gramática que a escola ainda tenta lhe ensinar (Kato 2000; Duarte 2025).
Título do Evento
Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Cidade do Evento
João Pessoa
Título dos Anais do Evento
Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DUARTE, Maria Eugênia Lamoglia. DOIS ESTUDOS LONGITUDINAIS: A SINTAXE DO PE E DO PB NA PRODUÇÃO DE DOIS DRAMATURGOS CONTEMPORÂNEOS - LUIZ FRANCISCO REBELLO (1924–2011) E MILLÔR FERNANDES (1923–2012).. In: Anais do Congresso SociolinguísticaS: variação e interfaces. Anais...João Pessoa(PB) UFPB, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sociolinguisticas/1134389-DOIS-ESTUDOS-LONGITUDINAIS--A-SINTAXE-DO-PE-E-DO-PB-NA-PRODUCAO-DE-DOIS-DRAMATURGOS-CONTEMPORANEOS---LUIZ-FRANCI. Acesso em: 27/05/2026

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