“INSURGÊNCIAS HIDROSSOCIAIS” NO CERRADO: A “LEITURA DA NASCENTE” COMO PRÁTICA DE JUSTIÇA E CUIDADO HÍDRICO

Publicado em 06/08/2026 - ISBN: 978-65-272-2668-0

DOI
10.29327/9786527226680.1449726  
Título do Trabalho
“INSURGÊNCIAS HIDROSSOCIAIS” NO CERRADO: A “LEITURA DA NASCENTE” COMO PRÁTICA DE JUSTIÇA E CUIDADO HÍDRICO
Autores
  • Lucas Figueiredo Machado
Modalidade
IRSA - Congresso Mundial de Sociologia Rural (01/10/2025 a 20/01/2026)
Área temática
IRSA 25 - Hydrosocial Territories and Water (In)Justice in Rural Worlds
Data de Publicação
06/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sober-irsa2026/1449726-insurgencias-hidrossociais-no-cerrado--a-leitura-da-nascente-como-pratica-de-justica-e-cuidado-hidrico
ISBN
978-65-272-2668-0
Palavras-Chave
Leitura da Nascente, justiça hídrica, soberania alimentar, agricultura camponesa, Cerrado.
Resumo
Este estudo analisa a experiência da Associação Estadual Agroecológica de Goiás (AESAGO) na construção de territórios hidrossociais resilientes frente ao avanço do extrativismo e do agronegócio de larga escala no Cerrado brasileiro. A AESAGO é uma organização de famílias agricultoras fundada em 2002 que articula a transição agroecológica, a soberania alimentar e o fortalecimento da cultura camponesa no Território Rural Estrada de Ferro, no estado de Goiás, Brasil. O foco reside na tecnologia social "Leitura da Nascente", desenvolvida pela AESAGO como uma resposta política e ontológica à injustiça hídrica. A "Leitura da Nascente" é um processo coletivo e inovador de restauração hídrica fundamentado no diálogo, na troca e no registro de percepções sobre o funcionamento da natureza. Por meio de rodas de conversa — ou “prosas” coletivas e intergeracionais —, a metodologia valoriza a experiência direta, a memória e a percepção sensível da comunidade sobre as dinâmicas ambientais. Nesse âmbito, o diagnóstico biofísico funde-se à mística camponesa, permitindo que o grupo dialogue com a nascente como um "ser vivo" que demanda cuidado e monitoramento contínuos. Através de mutirões e parcerias, a tecnologia promove uma governança relacional com o protagonismo de jovens e mulheres, fortalecendo a agência camponesa na defesa e na sustentabilidade de seus territórios. Entre 2015 e 2020, a tecnologia foi aplicada na restauração de doze nascentes, envolvendo 140 famílias camponesas e devolvendo a perenidade a cursos d’água nos municípios de Catalão e Santa Cruz de Goiás, anteriormente exauridos. Nesses casos, constituiu “insurgências hidrossociais” por justiça hídrica, soberania alimentar e pela reprodução da vida em territórios em conflito com a mineração e o latifúndio. Conclui-se que a "Leitura da Nascente" transcende os modelos de restauração ecológica convencionais, configurando-se como um ato de resistência territorial que afirma a água como bem comum, ancestralidade e fundamento da reprodução social camponesa.
Título do Evento
16th World Congress of Rural Sociology and 64th Congress of the Brazilian Society of Rural Economics, Management and Sociology
Cidade do Evento
Porto Alegre
Título dos Anais do Evento
Anais do 64º Congresso da SOBER e XVI Congresso Mundial de Sociologia Rural (IRSA)
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital
DOI

Como citar

MACHADO, Lucas Figueiredo. “INSURGÊNCIAS HIDROSSOCIAIS” NO CERRADO: A “LEITURA DA NASCENTE” COMO PRÁTICA DE JUSTIÇA E CUIDADO HÍDRICO.. In: Anais do 64º Congresso da SOBER e XVI Congresso Mundial de Sociologia Rural (IRSA). Anais...Porto Alegre(RS) UFRGS, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sober-irsa2026/1449726-INSURGENCIAS-HIDROSSOCIAIS-NO-CERRADO--A-LEITURA-DA-NASCENTE-COMO-PRATICA-DE-JUSTICA-E-CUIDADO-HIDRICO. Acesso em: 08/08/2026

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