ENTRE O SILENCIAMENTO E A RESISTÊNCIA: O FOLHETO JORNALÍSTICO FEMININO NA CRÍTICA AO EPISTEMICÍDIO INDÍGENA NO BRASIL DE 1970

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
ENTRE O SILENCIAMENTO E A RESISTÊNCIA: O FOLHETO JORNALÍSTICO FEMININO NA CRÍTICA AO EPISTEMICÍDIO INDÍGENA NO BRASIL DE 1970
Autores
  • Alyere Farias
Modalidade
Apresentação dos GTs e dos Coordenadores
Área temática
GT01 (online): Poesia lírica e suas interfaces: figurações do poeta, relações de estética e recepção
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1434242-entre-o-silenciamento-e-a-resistencia--o-folheto-jornalistico-feminino-na-critica-ao-epistemicidio-indigena-no-b
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Literatura de Cordel, Massacre de Merure, Gênero, Bororo
Resumo
A literatura de cordel no Brasil abarca uma produção múltipla, mas historicamente dominada por um universo autoral masculino hegemônico, semelhante ao cânone elitista criticado por Dalcastagnè (2012), o que se comprova em acervos de cordel, a exemplo do que encontramos no Laboratório de Apoio ao Ensino de Língua e de Literatura (LAELL), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino (PPGL/UFCG), espaço de nossa pesquisa, realizada entre agosto e novembro de 2025 como atividade de capacitação mediada pelo grupo CNPq MiMude. Dentre os cinco mil exemplares de folhetos do LAELL apenas cerca de três por cento foram escritos por mulheres. Neste acervo selecionamos um folheto jornalístico escrito por Adélia Carvalho de Oliveira, publicado pela Editora Vozes em 1978 intitulado “A História do Padre Rodolfo e do índio Simão - os mártires que deram a vida em defesa dos índios e suas terras” que narra o massacre de Merure, acontecido em 15 de julho de 1976, na Terra Indígena Merure, no Mato Grosso. O ataque vitimou o indígena Bororo Simão Cristino Koge Kudugodu (1928-1976) e o dirigente salesiano Rodolfo Lunkenbein (Koge Ekureu, 1930-1976), que foram alvo de cerca de 60 fazendeiros armados, liderados por João Mineiro visando impedir a demarcação da TI, e expôs nacionalmente as invasões violentas ocorridas naquelas terras desde os anos 1950 (Oliveira e Heck, 2021). Este estudo se justifica não só pela autoria feminina e ausência de informações sobre a autora nos acervos de cordel, mas por seu cunho jornalístico de denúncia social, por ter sido publicado por uma editora de oposição (Maués, 2013) durante a ditadura, e por narrar uma violência contra o povo Bororo, apesar de destacar primeiro o padre alemão, aliado que foi também trucidado. Para o estudo do folheto nos baseamos em Alves Sobrinho (2003), Curran (2001), Santos (2009), Carvalho (2005), Melo (2016) e Queiroz (2006), a fim de compreender o folheto jornalístico no Brasil e a segunda onda das escritoras de cordel. Nossa análise do folheto evidencia indícios biográficos da autora que nos permitem identificá-la em relação a um lugar eurocentrado, que parte de um viés católico salesiano, apesar de se construir nas noções cristãs de descolonização e da teologia da libertação (Boff,2010), e que é parte do grupo de obras artísticas que mediam uma narrativa sobre uma experiência indígena, na qual se destacam atores não-indígenas (Morales in Gonzaga, 2021). Concordamos com Munduruku (2005) e Jekupé (2020) sobre o termo “índio”, no entanto optamos por usá-lo apenas como repetição do texto no folheto, escrito na década de 1970. A questão de gênero se impõe nesta leitura diante do posfácio do arcebispo da Paraíba que legitima a publicação e distribuição da obra. Nos deparamos com uma obra poética cujo resultado explicita as relações de colonialidade da igreja em relação aos indígenas Bororo, e também um discurso de crítica ao epistemicídio Bororo e ao silenciamento de lutas demarcatórias, expondo diversas opressões, assimetrias e apagamentos. Os responsáveis pelo massacre permanecem impunes e não sabemos quem é Adélia.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FARIAS, Alyere. ENTRE O SILENCIAMENTO E A RESISTÊNCIA: O FOLHETO JORNALÍSTICO FEMININO NA CRÍTICA AO EPISTEMICÍDIO INDÍGENA NO BRASIL DE 1970.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1434242-ENTRE-O-SILENCIAMENTO-E-A-RESISTENCIA--O-FOLHETO-JORNALISTICO-FEMININO-NA-CRITICA-AO-EPISTEMICIDIO-INDIGENA-NO-B. Acesso em: 21/06/2026

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