O INDIANISMO BRASILEIRO DO SÉCULO XIX E A PRODUÇÃO LITERÁRIA INDÍGENA DO SÉCULO XX: CONFRONTO E PERSPECTIVAS

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
O INDIANISMO BRASILEIRO DO SÉCULO XIX E A PRODUÇÃO LITERÁRIA INDÍGENA DO SÉCULO XX: CONFRONTO E PERSPECTIVAS
Autores
  • Roney Teixeira Constantino Leque
Modalidade
Apresentação dos GTs e dos Coordenadores
Área temática
GT-11 (presencial): Poéticas Amefricanas: ensino e questões étnico-raciais
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1434033-o-indianismo-brasileiro-do-seculo-xix-e-a-producao-literaria-indigena-do-seculo-xx--confronto-e-perspectivas
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Indianismo, Povos originários; Alencar; Eliane Potiguara
Resumo
Este trabalho procura confrontar o indianismo do romantismo brasileiro com a representação dos povos originários feitos pelos próprios indígenas na contemporaneidade. A obra O Guarani (1857), de José de Alencar, é um marco do indianismo romântico brasileiro, movimento que buscou construir uma identidade nacional pós-independência (1822) através da exaltação do indígena como herói fundador. Alencar, um dos principais expoentes do Romantismo no Brasil, retrata Peri, protagonista indígena, como símbolo de valores como lealdade, pureza e submissão ao colonizador, cristalizando uma visão idealizada que omitia conflitos reais e a escravidão negra. Alencar, além de escritor, foi político conservador e defensor da monarquia. Suas obras, como O Guarani, Iracema e Ubirajara, misturam nacionalismo e influências europeias, especialmente do Romantismo francês. Em O Guarani, Peri, um indígena da tribo Goitacá, salva Cecília, filha de um fidalgo português, dedicando-se a protegê-la. A narrativa enfatiza a natureza brasileira como cenário sublime e a servidão de Peri, que renega sua cultura para se tornar cristão. A obra simboliza a mestiçagem harmoniosa, mas ignora violências coloniais, reduzindo o indígena a um "bom selvagem" submisso.A devoção de Peri a Ceci reflete a hierarquia social, em que aceita ser "escravo", enquanto combate indígenas rivais, retratados como "selvagens". Sua conversão ao cristianismo, no batismo por D. Antônio de Mariz, simboliza a assimilação cultural forçada. Antonio Candido (2000) aponta que essa representação fictícia permitiu a Alencar moldar o indígena conforme ideais europeizados, reforçando uma identidade nacional baseada na submissão e na negação de conflitos étnicos. O Guarani reflete as contradições do projeto nacional brasileiro, ao mesmo tempo em que busca afirmar uma identidade autêntica, reproduzindo estereótipos coloniais e apagando resistências. A obra de Alencar, embora fundamental para a literatura nacional, e presente no cânone da literatura brasileira revela como o indianismo serviu a interesses políticos conservadores, mascarando desigualdades sob uma narrativa de harmonia racial. A crítica contemporânea, como a de Stuart Hall (2006) sobre com as nações são "comunidades imaginadas", ajuda a desconstruir mitos como os de Alencar, destacando a necessidade de revisões históricas que incluam vozes marginalizadas. Em contraponto com essa representação sobre indígenas, na contemporaneidade temos a voz e produção dos próprios escritores indígenas. A literatura indígena brasileira constroi uma visão sobre a colonização que denuncia a violência, reclama pela inclusão da identidade indígena dentro do narrativa da nação e explora toda uma cosmovisão proveniente dos povos originários. Nomes como Denilson Baniwa, Ailton Krenak e Eliane Potiguara descrevem em suas obras, suas vivências a partir do seu local de fala. Eliane Potiguara afirma que a literatura indígena é para todos que compartilham dos sentimentos e das ideias que os povos originários compartilham. Em sua obra Metade cara, metade máscara constroi uma visão sobre os povos indígenas e colonização que confrontam projetos indianistas do passado e do presente.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LEQUE, Roney Teixeira Constantino. O INDIANISMO BRASILEIRO DO SÉCULO XIX E A PRODUÇÃO LITERÁRIA INDÍGENA DO SÉCULO XX: CONFRONTO E PERSPECTIVAS.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1434033-O-INDIANISMO-BRASILEIRO-DO-SECULO-XIX-E-A-PRODUCAO-LITERARIA-INDIGENA-DO-SECULO-XX--CONFRONTO-E-PERSPECTIVAS. Acesso em: 15/05/2026

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