CORPO-VOZ EM TRAVESSIA: MATERNIDADE, MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE EM UM DEFEITO DE COR

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
CORPO-VOZ EM TRAVESSIA: MATERNIDADE, MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE EM UM DEFEITO DE COR
Autores
  • Carla Cristina Campos Brasil Guimarães
Modalidade
Apresentação dos GTs e dos Coordenadores
Área temática
GT08 (online): Poéticas Amefricanas: Memórias ancestrais em identidade encruzilhada
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1432955-corpo-voz-em-travessia--maternidade-memoria-e-ancestralidade-em-um-defeito-de-cor
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Maternidade, Diáspora, Ancestralidade
Resumo
Este trabalho propõe uma reflexão sobre como Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, elabora uma estética do corpo-voz que articula maternidade, memória e ancestralidade no contexto da diáspora africana. A narrativa, escrita a partir da carta de Kehinde ao filho ausente, Omotunde, transforma o corpo materno em um território de memória, inscrevendo no espaço literário experiências que foram historicamente silenciadas pelo arquivo colonial. A maternidade, compreendida aqui como categoria epistemológica, emerge como matriz organizadora da narrativa: é a ausência do filho que estrutura o tempo espiralar da obra e convoca a necessidade de fabulação, tal como discutem Leda Maria Martins e Saidiya Hartman. Dialogando com a noção de escrevivência de Conceição Evaristo, o estudo evidencia como a narrativa converte feridas em linguagem, transformando o gesto de lembrar em gesto de resistência. O corpo de Kehinde — marcado pela violência da escravidão, pela perda e pela ruptura dos laços familiares — é, paradoxalmente, espaço de continuidade, no qual ancestralidade e futuro se entrelaçam. A carta, ao mesmo tempo íntima e coletiva, resgata vozes apagadas, restituindo presença a sujeitos cuja existência foi historicamente narrada por outros. Nesse sentido, a obra mobiliza um repertório de práticas de memória e oralidade afro-diaspóricas que reconfiguram a compreensão de corpo, território e pertencimento. Ao analisar essa tessitura entre corpo-voz, temporalidade espiralar e ancestralidade, o trabalho demonstra como a literatura negro-brasileira não apenas tensiona paradigmas narrativos hegemônicos, mas inaugura outras formas de existir, de lembrar e de narrar no espaço das literaturas de língua portuguesa, reafirmando o poder político e poético das narrativas de mulheres negras.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GUIMARÃES, Carla Cristina Campos Brasil. CORPO-VOZ EM TRAVESSIA: MATERNIDADE, MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE EM UM DEFEITO DE COR.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1432955-CORPO-VOZ-EM-TRAVESSIA--MATERNIDADE-MEMORIA-E-ANCESTRALIDADE-EM-UM-DEFEITO-DE-COR. Acesso em: 21/06/2026

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