A REPRESSÃO FEMININA EM BORDADO EM BRANCO DE JARRID ARRAES: UMA MEMÓRIA TECIDA NA URGÊNCIA

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
A REPRESSÃO FEMININA EM BORDADO EM BRANCO DE JARRID ARRAES: UMA MEMÓRIA TECIDA NA URGÊNCIA
Autores
  • Célia Ferreira de Sousa
Modalidade
Apresentação dos GTs e dos Coordenadores
Área temática
GT02 (online): As escritas femininas no contexto das literaturas africanas de língua portuguesa
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1430134-a-repressao-feminina-em-bordado-em-branco-de-jarrid-arraes--uma-memoria-tecida-na-urgencia
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Bordado em branco, Jarid Arraes, resistência e ancestralidade.
Resumo
O objeto de estudo deste trabalho é o conto “Bordado em Branco”, contido no livro Redemoinho em Dias Quentes da autora brasileira Jarid Arraes. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica em que objetivo principal foi analisar as marcas de silenciamento e resistência feminina na narrativa. O aporte teórico se apoia em Djamila Ribeiro (2017) com o conceito “lugar de fala”; em Evaristo (2011) com o conceito de escrevivência; bell hooks (1984) com a abordagem de feminismo como prática de resistência e Spivak (1988) com a questão da subalternidade. O conto se estrutura em forma de cartas, à tia Liduína, cuja relação íntima enfatiza as vivências, os saberes, emoções, identidade, memória e ancestralidade. O silêncio da tia é permissivo, ela não a julga como a mãe e as amigas e não a impede de falar. O silêncio do mundo exterior força a narradora a criar um discurso escrito para um destinatário silencioso. O caderno guardado “muito junto ao corpo” é a extensão física do seu silêncio guardado é a arma e o escudo de sua resistência pois ele contém o texto que o mundo “quer ler” para julgá-la ou “quer que eu pare de uma vez por todas”. O conto é um fluxo de memória seletiva e traumática, que a narradora precisa processar antes de chegar ao bordado, para ela, o mês de setembro, estabelece o cenário de sofrimento físico e emocional que é a mola propulsora da escrita das cartas. A narradora contrasta o julgamento da mãe “menina pavorosa” com a aceitação de ser adulta, que é definida por esconder as verdades e os defeitos insuportáveis expressos em “enfiar por debaixo”. O bordado aparece no conto como a resolução para o conflito entre a memória dolorosa e o silêncio imposto. “Eu amava os bordados que ela fazia nos meus vestidos; hoje percebo que enxergava seu tempo dedicado aos meus vestidos como um tempo dedicado a mim”. Assim, a narradora decide aprender a bordar: “talvez se eu aprendesse bordado, poderia pegar alguns dos meus vestidos de quando era criança e enfeitá-los novamente”. Não apenas bordar, mas “deixar tudo mais colorido”, contrastando com o “Bordado em Branco” e a cor sóbria do sítio, tornando-se o desejo de dar cor à sua história, e transformar a peça de opressão/luto, a falta de vida na sua obra de arte pessoal e íntima, resgatando o afeto que sentia pelos bordados maternos, mas agora sob seu próprio controle. Concluímos que, o silêncio é o motor que leva à escrita e finalmente, ao bordado, que por sua vez é o ato de costurar as feridas abertas pela memória e pelo julgamento, dando-lhes, finalmente uma forma e um propósito autônomos. O conto explora a construção da identidade feminina ao longo do tempo, marcada por desafios e conquistas.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUSA, Célia Ferreira de. A REPRESSÃO FEMININA EM BORDADO EM BRANCO DE JARRID ARRAES: UMA MEMÓRIA TECIDA NA URGÊNCIA.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1430134-A-REPRESSAO-FEMININA-EM-BORDADO-EM-BRANCO-DE-JARRID-ARRAES--UMA-MEMORIA-TECIDA-NA-URGENCIA. Acesso em: 21/06/2026

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