UMA ANÁLISE DIALÓGICA DO CONTO “A ESCRAVA”: PERSPECTIVAS AFRO-DISPÓRICAS A PARTIR DA VOZ DE JOANA.

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
UMA ANÁLISE DIALÓGICA DO CONTO “A ESCRAVA”: PERSPECTIVAS AFRO-DISPÓRICAS A PARTIR DA VOZ DE JOANA.
Autores
  • Laiza Luz Martins Sant'ana
Modalidade
Apresentação dos GTs e dos Coordenadores
Área temática
GT-10 (presencial): Poéticas africanas contemporâneas e narrativas das diásporas africanas de Língua Portuguesa
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1430017-uma-analise-dialogica-do-conto-a-escrava--perspectivas-afro-disporicas-a-partir-da-voz-de-joana
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Movimento afro-diaspórico, Maria Firmina dos Reis, subjetividade negra, Atlântico Negro, poética da relação.
Resumo
Este trabalho discute como o conto “A escrava” (1887), de Maria Firmina dos Reis, pode ser lido a partir das dinâmicas do movimento diaspórico do povo negro, articulando reflexões de Mikhail Bakhtin (2003), Édouard Glissant (2005, 2011), Paul Gilroy (2001) e Stuart Hall (2006, 2003). Embora produzido no século XIX, o texto antecipa debates centrais da crítica afrodiaspórica contemporânea ao construir a subjetividade de uma mulher escravizada que narra sua própria história. A voz de Joana rompe com o silêncio imposto à população negra escravizada e instaura um espaço dialógico que, conforme Bakhtin (2003), tensiona discursos que emergem em meio as forças centrifugas. A “palavra alheia” da elite branca aparece apenas para ser criticada, ativando um processo de responsividade ética que desloca a narrativa para o campo da contestação, denuncia social e da resistência. A trajetória de Joana também evidencia o que Édouard Glissant (2011) denomina “memória ferida”: a maternidade ferida, a perda irreparável de vínculos familiares, culturais e territoriais que marca a experiência da diáspora africana. A separação da mãe, o apagamento da genealogia e a impossibilidade de restituição de uma origem plena inscrevem o conto na poética da relação, em que a identidade surge marcada pela ruptura e pela necessidade de reelaboração de si. Do ponto de vista histórico-discursivo, o texto de Firmina dialoga com o campo teórico do Atlântico Negro proposto por Paul Gilroy (2001), ao expor a mercantilização do corpo negro, a violência estrutural da escravidão e a constituição de uma subjetividade forjada no sofrimento e na resistência. Assim, o conto funciona como testemunho literário de uma modernidade racializada que atravessa todo o sistema atlântico. No plano identitário, a narrativa abolicionista se aproxima das formulações de Stuart Hall, que entende a identidade diaspórica como processo e não essência. Joana não é representada como tipo fixo, mas como sujeito em constante elaboração, atravessado por memórias traumáticas, afetos e imposições coloniais. Assim, o conto firminiano pode ser compreendido como precursor de uma sensibilidade afro-diaspórica que antecipa debates centrais da literatura negra das Américas, sobretudo na literatura afro-brasileira, ocupando posição singular na história literária do Brasil.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANT'ANA, Laiza Luz Martins. UMA ANÁLISE DIALÓGICA DO CONTO “A ESCRAVA”: PERSPECTIVAS AFRO-DISPÓRICAS A PARTIR DA VOZ DE JOANA... In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1430017-UMA-ANALISE-DIALOGICA-DO-CONTO-A-ESCRAVA--PERSPECTIVAS-AFRO-DISPORICAS-A-PARTIR-DA-VOZ-DE-JOANA. Acesso em: 21/06/2026

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