ENCRUZILHADAS DE MEMÓRIA E IDENTIDADE: CALPE COMO TERCEIRO ESPAÇO NA DISTOPIA ANGOLANA PÓS-COLONIAL DE PEPETELA

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
ENCRUZILHADAS DE MEMÓRIA E IDENTIDADE: CALPE COMO TERCEIRO ESPAÇO NA DISTOPIA ANGOLANA PÓS-COLONIAL DE PEPETELA
Autores
  • BRUNO COSTA ÁLVARES SILVA
Modalidade
Apresentação dos GTs e dos Coordenadores
Área temática
GT-10 (presencial): Poéticas africanas contemporâneas e narrativas das diásporas africanas de Língua Portuguesa
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1429908-encruzilhadas-de-memoria-e-identidade--calpe-como-terceiro-espaco-na-distopia-angolana-pos-colonial-de-pepetela
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Pepetela; distopia pós-colonial; encruzilhada; identidade cultural; memória descolonial.
Resumo
O estudo proposto analisa O Quase Fim do Mundo (Pepetela, 2008) como distopia pós-colonial que desloca o eixo narrativo para a África, situando treze sobreviventes de um apocalipse global em Calpe, cidade fictícia localizada entre as nascentes do Nilo, Congo e Zambeze. A obra surge no contexto angolano de 2008, marcado pela desilusão com promessas revolucionárias pós-independência e pela crise financeira global que reacendeu fundamentalismos, configurando terreno propício para literatura distópica com perspectiva africana. O problema central investiga como Pepetela articula memória, identidade cultural e resistência epistêmica para posicionar a África como centro de refundação humana. O objetivo é demonstrar que Calpe opera como encruzilhada e Terceiro Espaço onde emergem identidades híbridas que descentram teleologias eurocêntricas. A cidade funciona como operadora de linguagens diversas e geratriz de sentidos plurais, convergindo saberes múltiplos e polissêmicos que constituem nova humanidade. A fundamentação teórica articula Walter Benjamin sobre ruptura temporal (Jetztzeit) com a memória como dever ético de Paul Ricoeur. Stuart Hall, Homi Bhabha e Edward Said sustentam a análise das identidades como "becoming" e do Terceiro Espaço como zona intersticial de hibridismo. Frantz Fanon, Aníbal Quijano e Achille Mbembe embasam a crítica à colonialidade do poder e à necropolítica. Leda Maria Martins fornece o conceito de encruzilhada como lugar de centramento e descentramento simultâneos, aplicado à leitura de Calpe como espaço onde múltiplos saberes africanos se cruzam. A metodologia emprega leitura decolonial do romance, examinando como a narrativa polifônica se constitui como expressão de desobediência epistêmica. Analisa-se a escolha do suaíli como língua comum, resistindo à colonialidade linguística, e investiga-se como o apocalipse inverte hierarquias coloniais ao preservar vida justamente no continente historicamente desprezado. Os resultados alcançados demonstram que Pepetela propõe cidadania planetária fundamentada em memória decolonial, posicionando Calpe como síntese transformada de experiências transatlânticas. A análise revela que a memória funciona como bússola moral orientando decisões coletivas, as identidades híbridas atravessam fronteiras dissolvidas sem fusão hierárquica, e a África emerge como berço civilizacional da nova humanidade, livre de teleologias que historicamente a marginalizaram, inaugurando leitura que valoriza ética da desobediência epistêmica frente à ordem global em colapso.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, BRUNO COSTA ÁLVARES. ENCRUZILHADAS DE MEMÓRIA E IDENTIDADE: CALPE COMO TERCEIRO ESPAÇO NA DISTOPIA ANGOLANA PÓS-COLONIAL DE PEPETELA.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1429908-ENCRUZILHADAS-DE-MEMORIA-E-IDENTIDADE--CALPE-COMO-TERCEIRO-ESPACO-NA-DISTOPIA-ANGOLANA-POS-COLONIAL-DE-PEPETELA. Acesso em: 30/05/2026

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