HEROÍNAS NEGRAS EM CORDEL: REPRESENTAÇÕES DO TRABALHO E DA RESISTÊNCIA FEMININA NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
HEROÍNAS NEGRAS EM CORDEL: REPRESENTAÇÕES DO TRABALHO E DA RESISTÊNCIA FEMININA NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Autores
  • Cristiano Dos Santos Torres
Modalidade
Apresentação dos GTs e dos Coordenadores
Área temática
GT-14 (presencial): Corpo, memória e identidade nas poéticas brasileiras, portuguesas e africanas de língua portuguesa
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1429839-heroinas-negras-em-cordel--representacoes-do-trabalho-e-da-resistencia-feminina-na-literatura-brasileira-contemp
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Literatura de Cordel; Heroínas Negras; Trabalho Escravizado; Corpo e Identidade; Resistência.
Resumo
A dissertação de Clarisse Odete Faccio Fronza (2020), defendida na Universidade do Estado de Mato Grosso, analisa a obra Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis (2017), de Jarid Arraes, que realiza um gesto literário e político de resgate da memória de mulheres negras historicamente silenciadas pela tradição historiográfica brasileira. Partindo da hipótese de que a literatura de cordel, enquanto gênero popular, pode reinscrever essas mulheres como sujeitos históricos, e não mais como objetos narrados, o estudo examina como Arraes recupera trajetórias de figuras como Dandara dos Palmares, Tereza de Benguela, Esperança Garcia, Maria Firmina dos Reis e Carolina Maria de Jesus, enfatizando tanto suas práticas de resistência quanto os contextos de exploração que marcaram seus corpos e identidades. Entre os aspectos destacados, evidenciam-se os trabalhos escravizados nas lavouras de cana e café, nas minas, nos serviços domésticos e na função de amas de leite, experiências que constituíram formas de violência cotidiana e de controle sobre os corpos femininos negros, articulando dimensões de raça, gênero e classe (CHALHOUB, 1990; GIACOMINI, 1988; KARASCH, 2000; SOARES, 1996; SIMAS, 2017; MOTT, 1988). A fundamentação teórica dialoga com autoras e autores como Gonzalez (1982), Carneiro (2003), Davis (2016), Duarte (2009; 2014), Chalhoub e Silva (2009), Abreu (1999) e Haurélio (2016), permitindo articular literatura, raça, memória e identidade, em consonância com perspectivas de interseccionalidade (COLLINS; BILGE, 2020) e debates sobre corpo e resistência. Metodologicamente, a pesquisa combina análise bibliográfica e leitura crítica do corpus, integrando dimensões formais e sociopolíticas da obra, sobretudo no que diz respeito à rememoração das violências históricas que atravessaram a vida dessas mulheres e às formas pelas quais a narrativa cordelística reinscreve seus corpos como territórios de luta, ancestralidade e afirmação identitária. Os resultados alcançados demonstram que o cordel não apenas ressignifica figuras apagadas pela história oficial, mas também atua como espaço de denúncia, resistência e construção de memória coletiva, representando as heroínas negras como trabalhadoras, intelectuais e agentes políticas cuja presença transforma as leituras contemporâneas da literatura brasileira.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

TORRES, Cristiano Dos Santos. HEROÍNAS NEGRAS EM CORDEL: REPRESENTAÇÕES DO TRABALHO E DA RESISTÊNCIA FEMININA NA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1429839-HEROINAS-NEGRAS-EM-CORDEL--REPRESENTACOES-DO-TRABALHO-E-DA-RESISTENCIA-FEMININA-NA-LITERATURA-BRASILEIRA-CONTEMP. Acesso em: 21/06/2026

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