NAÇÃO, ANCESTRALIDADE E VOZES DE TERREIRO: O CANTAR DE ANGOLA

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
NAÇÃO, ANCESTRALIDADE E VOZES DE TERREIRO: O CANTAR DE ANGOLA
Autores
  • Waldenis Pereira da Trindade Junior
Modalidade
Normas e Inscrição dos Resumos para os GTs
Área temática
GT-11 (presencial): Poéticas Amefricanas: ensino e questões étnico-raciais
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1427864-nacao-ancestralidade-e-vozes-de-terreiro--o-cantar-de-angola
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Palavras-chave: Amefricanidade; Poéticas; Angola; Encruzilhada
Resumo
Pensar no que chamamos de nação brasileira é desvendar o véu que encobre o mito da democracia étnico-racial no país. A tessitura oficial do país insiste em negar a pluralidade de mundos que sustentam sua existência. Cosmopercepções africanas, afro-brasileiras, indígenas, ciganas, asiáticas estão nas encruzilhadas da nossa história, mas ainda silenciados no papel do Estado e da literatura. A partir desse tensionamento, este estudo mergulha na poética de Lélia Gonzalez, no conceito de amefricanidade, que reposiciona a diáspora africana como força fundante das culturas latino-americanas e caribenhas. Para Gonzalez, reconhecer a Amefricanidade é valorizar epistemes negras, afro-brasileiras e indígenas, que foram empurradas socio-historicamente para as bordas, para a não existência, para aquilo que o colonizador tentou enterrar. Esse apagamento não é casual, Achielle Mbembe com sua teoria da necropolítica nos alerta. Expõe as engrenagens coloniais persistentes na modernidade, administrando quem merece respirar. A nação, nesse sentido não é neutra, é um campo de disputa, um território de decisões violentas que cria entre-mundos (Homi Bhabha). Dialogando com Angel Rama, que nos lembra que todo projeto nacional é também projeto de linguagem, há sempre uma letra oficial que tenta ordenar memorias, imaginários, saberes, expulsando outras formas de existir da página, do livro, das vielas. É nesse sentido que emergem os pontos de terreiro, aqui tratados como arquivos vivos, como territórios e letras reinventadas de memórias e narrativas. Nos terreiros, mesmo que assimilados (bell hooks), o Brasil que se ergue levanta os saberes da matriz Africana, cruzando rios, mares, troncos, folhas, flechas, tambores, caboclos, pretas-velhas. Ecoam vivencias que tentam se reconectar com uma memória e linguagem cortada pela colonização, mas não extinta. Evaristo traz a escrevivência como escrita política que entrelaça a vida da população negra, revelando que a palavra cantada, rezada, riscada no chão, também é literatura. Uma escrita do povo, da oralidade para as comunidades. Este estudo analisa como os pontos de umbanda formulam um projeto de nação, no qual identidade e espiritualidade afro-indígena reordenam o imaginário brasileiro. São textos que denunciam o apagamento, mas também criam caminhos para recontar, recriar o país a partir de quem sempre esteve produzindo em sua base.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

JUNIOR, Waldenis Pereira da Trindade. NAÇÃO, ANCESTRALIDADE E VOZES DE TERREIRO: O CANTAR DE ANGOLA.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1427864-NACAO-ANCESTRALIDADE-E-VOZES-DE-TERREIRO--O-CANTAR-DE-ANGOLA. Acesso em: 21/06/2026

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