SEXO, DE ANDRÉ SANT'ANNA, E AS HIERARQUIAS SOCIAIS

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
SEXO, DE ANDRÉ SANT'ANNA, E AS HIERARQUIAS SOCIAIS
Autores
  • Jhonatan Thiago Beniquio Perotto
Modalidade
Apresentação dos GTs e dos Coordenadores
Área temática
GT-13 (presencial): Além de Umuófia: poesia e narrativa africana e afrodescendente de língua inglesa na contemporaneidade
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1419274-sexo-de-andre-santanna-e-as-hierarquias-sociais
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
André Sant’Anna, Sexo, Heterarquias, Literatura, Decolonial.
Resumo
Em 1998, André Sant’Anna estreou seu percurso literário com o livro de contos intitulado Amor e, no ano seguinte, publicou seu primeiro romance (ou novela) – Sexo (1999). Hoje, com sete livros publicados, André Sant’Anna é conhecido por ser um escritor que arroja na linguagem e na coragem de criar personagens polêmicas, ética e moralmente, que vociferam discursos racistas, misóginos, gordofóbicos, entre outros. Dessa forma, a pergunta de pesquisa foi se Sexo poderia ser analisado pela perspectiva decolonial. Tal indagação me levou à escolha da metodologia das heterarquias, proposta por Ramón Grosfoguel (2008), as quais são hierarquias produzidas na modernidade que agem sempre de modo enredado. Em Sexo, as personagens são atravessadas pelas desigualdades hierárquicas de raça, sexo, gênero, classe, corpo, entre outras, produzidas pela matriz de poder colonial (QUIJANO, 2005), que impactaram não só na construção de estigmas e privilégios sociais, como também nas estratégias de sua manutenção. Este estudo, ainda em andamento, tem o objetivo de analisar as heterarquias, acima mencionadas, em personagens de Sexo. Para alcançar esse escopo, além de observar como Sant’Anna opera em seu estilo criativo, realizou-se levantamento bibliográfico sobre algumas hierarquias criadas pela modernidade ao longo da história, para, então, analisar como elas podem ser relacionadas a essas personagens. Ademais, constatou-se que a ironia é estruturante na obra toda (BRAIT, 2008). Por meio de narrativa onisciente, pode-se conhecer as personagens, suas características físicas, pensamentos e desejos, mas sem profundidade psicológica. Mesmo não sendo uma obra extensa, o autor convida a um exercício dedicado e persistente, não pela complexidade narrativa, mas pelo estilo de uma escrita que se compõe de exagerada repetição. Em Sexo, as personagens são planas e presas a estigmas adquiridos pela alteridade. Semelhante a uma novela, o tempo é cronológico e flui de modo horizontal, saltando, aos olhos dos leitores, a natureza episódica das ações. Para fundamentar essa discussão, pensou-se em um arcabouço teórico-metodológico que dialogasse com essas hierarquias, como Frantz Fanon (2008), Stuart Hall (2005), Cida Bento (2022), Lourenço Cardoso (2020), Raewyn Connell (2005), Achille Mbembe (2018), Silvia Federici (2023), Judith Butler (2003), Mary Del Priore (2022), Maria Luiza Jimenez-Jimenez (2022) e, no que concerne à crítica literária, dialogou-se com Rosenfeld (2002), Moisés (2006), Bakhtin (1988, 2003), Dias (2001), Lehnen (2011) e Carpeaux (2019), para citar alguns. A pesquisa se encontra em análise do processo de construção identitária das personagens brancas do texto, especialmente os homens brancos pertencentes à classe média alta. Durante a análise, já foi possível observar neles o funcionamento do pacto da branquitude (BENTO, 2022), que se trata de um acordo tácito entre os brancos de não se reconhecerem como parte absolutamente essencial na permanência das desigualdades raciais no Brasil, e a branquitude acrítica (CARDOSO, 2020), que se trata de indivíduos brancos favoráveis à superioridade racial. A pesquisa ainda caminha para sua finalização, mas já é possível inferir que, de fato, as heterarquias, enquanto estratégias da matriz de poder colonial, afetaram fortemente a construção das identidades de inúmeros sujeitos, impactando, inclusive, na relação sexual de cada um.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

PEROTTO, Jhonatan Thiago Beniquio. SEXO, DE ANDRÉ SANT'ANNA, E AS HIERARQUIAS SOCIAIS.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1419274-SEXO-DE-ANDRE-SANTANNA-E-AS-HIERARQUIAS-SOCIAIS. Acesso em: 05/06/2026

Trabalho

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