TRADUZIR EMILY DICKINSON PARA O PORTUGUÊS: DESAFIOS ESTRUTURAIS E SONOROS

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
TRADUZIR EMILY DICKINSON PARA O PORTUGUÊS: DESAFIOS ESTRUTURAIS E SONOROS
Autores
  • Rubens Costa Güths
  • Sofia Chipollino Aseff
Modalidade
Normas e Inscrição dos Resumos para os GTs
Área temática
GT05 (online): Poesia, outras artes e mídias: materialidades e configurações poéticas
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1415610-traduzir-emily-dickinson-para-o-portugues--desafios-estruturais-e-sonoros
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
tradução poética, voz poética, versificação e tradução, fonologia e tradução, tradução fonética
Resumo
A poetisa do século XIX, Emily Dickinson (1830 - 1866), produziu cerca de 800 poemas ao longo de sua vida. Desses, apenas 10 foram publicados oficialmente e os demais foram descobertos após o falecimento da autora. Além de ter recebido uma educação de alta qualidade para os padrões da época, Dickinson era reconhecida por sua inteligência singular e suas habilidades de escrita. Escrever cartas era um de seus hábitos e os reflexos dessa prática podem ser observados em seus poemas, os quais tendem a ser bastante curtos em extensão, porém, carregam profundidade e densidade. Sua escrita tem como principais características o uso de palavras simples combinadas com travessões e pontos de exclamação sem que a fluidez de seus versos metrificados seja prejudicada. Essas características trazem aos seus poemas aspectos estruturais e sonoros marcantes, que se tornam um enorme desafio aos que se aventuram em traduzir seus poemas para outras línguas, como é o caso do português. Nessa direção, o objetivo deste estudo é discutir os desafios de se traduzir o poema I’m Nobody de Dickinson do inglês para o português brasileiro. A discussão terá como foco os aspectos estruturais e sonoros das traduções em comparação com a obra de Dickinson e será orientada pelos conceitos de tendências deformadoras de Antoine Berman, pela metalinguagem de Haroldo de Campos e pelos estudos de Eija Ventola sobre significados fonológicos na criação de textos poéticos. Primeiramente, serão feitos comentários a partir das traduções de Augusto de Campo e de Adalberto Müller. Posteriormente será apresentada uma tradução feita por um dos autores do presente estudo, tradução esta que teve como principal objetivo a aproximação fonoestética e estrutural entre português e inglês. Na tradução de Augusto de Campos, observa-se um processo de recriação no qual ocorrem as tendências deformadoras de apagamento, empobrecimento qualitativo, clarificação e, também, empobrecimento qualitativo. O apagamento do trecho “the livelong June”, a inserção da palavra “fama” e a inversão parcial do segundo com o terceiro verso dentro da segunda estrofe para formar a rima abcb são alguns exemplos. Em contraste, na tradução de Adalberto Müller há o processo de recriação com destruição das redes significantes subjacentes, através do qual ocorre a perda significativa da fonoestética do texto e a tendência deformadora chamada destruição dos ritmos, além de apagamentos. O apagamento das exclamações, bem como a reformulação do quarto verso da segunda estrofe para manter o padrão abcb de rima são alguns exemplos. Na tradução realizada no presente estudo, o ponto de partida foi a preservação dos componentes fonoestéticos e estruturais. A tradução de “you” pelo pronome “tu” ao invés de “você”, como convencionalmente se pratica, é um exemplo desse processo. Assim, trechos como “who are you?” são traduzidos como “quem és tu?”, aproximando as sonoridades entre as línguas e, também, “are you?” é traduzido como “és tu?”, aproximando a inversão do verbo auxiliar do inglês. Logo, diversas sonoridades foram mantidas/aproximadas durante a tradução, porém, a recriação e o enobrecimento foram consequências dessa proposta.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GÜTHS, Rubens Costa; ASEFF, Sofia Chipollino. TRADUZIR EMILY DICKINSON PARA O PORTUGUÊS: DESAFIOS ESTRUTURAIS E SONOROS.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1415610-TRADUZIR-EMILY-DICKINSON-PARA-O-PORTUGUES--DESAFIOS-ESTRUTURAIS-E-SONOROS. Acesso em: 13/04/2026

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