ECOS DE UM EU POÉTICO: AS MÚLTIPLAS VOZES DO FEMININO EM FLORBELA ESPANCA

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
ECOS DE UM EU POÉTICO: AS MÚLTIPLAS VOZES DO FEMININO EM FLORBELA ESPANCA
Autores
  • WAGNER APARECIDO DA SILVA
Modalidade
Apresentação de Banner
Área temática
Banner 04 (presencial) - Literatura e Outras Artes
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1413346-ecos-de-um-eu-poetico--as-multiplas-vozes-do-feminino-em-florbela-espanca
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Florbela Espanca, feminino, subjetividade, enunciação, narração, Lukács, Benveniste.
Resumo
Este trabalho propõe uma leitura da poesia de Florbela Espanca à luz das teorias da enunciação de Émile Benveniste e da narração de Georg Lukács, com o objetivo de compreender a constituição do sujeito poético feminino em sua obra. A análise demonstra como o eu lírico florbeliano se configura como espaço de encontro entre subjetividade, linguagem e história, convertendo a experiência individual em expressão coletiva. Florbela inscreve-se na tradição poética moderna ao transformar dor e desejo em atos de enunciação e testemunho, revelando o feminino como instância de resistência simbólica e ética. A fundamentação teórica articula as concepções de Lukács (1965; 2010) e Benveniste (1989; 1991). Para Lukács, a literatura adquire valor ético e cognitivo ao situar o sujeito em relação à totalidade histórica, de modo que o sofrimento e o amor, em Florbela, transcendem o íntimo e se tornam mediações entre o individual e o universal. Já Benveniste compreende a enunciação como o ato que funda o sujeito na linguagem: o “eu” se constrói sempre em relação ao “tu”. Assim, o eu poético de Florbela é performativo — sua voz cria e reinscreve a mulher como sujeito de desejo, pensamento e criação, rompendo com o imaginário patriarcal que historicamente a silenciou. A pesquisa, de caráter qualitativo e comparativo, concentra-se nos livros Livro de Mágoas e Charneca em Flor, examinando a construção enunciativa e narrativa do eu lírico. As análises evidenciam uma poética de múltiplas vozes — amante, filha, irmã, mulher e poeta — que se entrecruzam na afirmação de uma subjetividade fragmentada, mas consciente de si e de seu tempo. Os resultados revelam que a poesia de Florbela Espanca transcende a introspecção confessional, instaurando uma consciência lírica que articula emoção, reflexão e crítica. Ao integrar a narração lukacsiana à enunciação benvenistiana, sua poética realiza um gesto duplo: narra o feminino enquanto o performa, transfigurando a experiência singular em universalidade estética. Conclui-se, assim, que a obra florbeliana constitui um território de emancipação e resistência, no qual a linguagem se torna instrumento de autoconhecimento, historicidade e afirmação do humano.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, WAGNER APARECIDO DA. ECOS DE UM EU POÉTICO: AS MÚLTIPLAS VOZES DO FEMININO EM FLORBELA ESPANCA.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1413346-ECOS-DE-UM-EU-POETICO--AS-MULTIPLAS-VOZES-DO-FEMININO-EM-FLORBELA-ESPANCA. Acesso em: 26/05/2026

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