MEMÓRIA, CORPO E IDENTIDADE EM O CRIME DO CAIS DO VALONGO, DE ELIANA ALVES CRUZ

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
MEMÓRIA, CORPO E IDENTIDADE EM O CRIME DO CAIS DO VALONGO, DE ELIANA ALVES CRUZ
Autores
  • Adelita Dias
  • Thiago Monteiro do Carmo
Modalidade
Normas e Inscrição dos Resumos para os GTs
Área temática
GT-14 (presencial): Corpo, memória e identidade nas poéticas brasileiras, portuguesas e africanas de língua portuguesa
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1410515-memoria-corpo-e-identidade-em-o-crime-do-cais-do-valongo-de-eliana-alves-cruz
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
memória, corpo, identidade, literatura afro-brasileira, Eliana Alves Cruz.
Resumo
A literatura afro-brasileira contemporânea tem ocupado um lugar central na disputa simbólica por memória e representação. Diante do silenciamento histórico da experiência negra e da violência inscrita na narrativa oficial, escritoras como Eliana Alves Cruz reconstroem o passado pela via da ficção, transformando a literatura em um campo de reexistência política e estética. Este trabalho parte da hipótese de que O crime do Cais do Valongo (2018) opera como uma contra-história afro-brasileira, ao reinscrever a diáspora e a herança da escravidão no presente por meio das categorias de memória, corpo e identidade. O objetivo é compreender como essas dimensões se articulam na obra para tensionar a historiografia e reinscrever vozes silenciadas, transformando o texto literário em espaço de resistência e reconstrução identitária. A abordagem é qualitativa, com base na leitura crítica e interpretativa do romance, sustentada pela análise cultural e pela crítica literária afro-diaspórica. O referencial teórico mobiliza os estudos da memória (Halbwachs, Le Goff, Ricoeur e Bergson), da identidade (Hall, Bauman, Carneiro e Evaristo) e do corpo (Foucault, Xavier, Hooks, Akotirene e Kilomba), articulados à perspectiva da decolonialidade e do feminismo negro. A leitura revela o Cais do Valongo como “lugar de memória” (Le Goff, 1990) e o corpo negro feminino como arquivo vivo do trauma e da resistência, onde se inscrevem tanto a violência colonial quanto a potência de reexistir. Em Cruz, o cadáver não é apenas uma vítima, mas um símbolo da herança escravista; e o corpo feminino, um território político de fala. A identidade das personagens emerge entre fraturas e reinvenções, em um movimento que transforma a dor em narrativa. Os resultados apontam que o romance de Eliana Alves Cruz não apenas revisita o passado, mas o reinscreve criticamente, expandindo o cânone e instaurando novas epistemologias literárias. Conclui-se que O crime do Cais do Valongo é mais do que ficção histórica: é um gesto de memória e insurgência, em que narrar é existir e existir é resistir.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

DIAS, Adelita; CARMO, Thiago Monteiro do. MEMÓRIA, CORPO E IDENTIDADE EM O CRIME DO CAIS DO VALONGO, DE ELIANA ALVES CRUZ.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1410515-MEMORIA-CORPO-E-IDENTIDADE-EM-O-CRIME-DO-CAIS-DO-VALONGO-DE-ELIANA-ALVES-CRUZ. Acesso em: 24/05/2026

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