ENTRE O DELEITE E A DENÚNCIA, VOZES E LINGUAGEM: CONSTRUÇÃO DE SENTIDO E PERFORMANCE DE GÊNERO EM NOJO DE DIVANIZE CARBONIERI

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
ENTRE O DELEITE E A DENÚNCIA, VOZES E LINGUAGEM: CONSTRUÇÃO DE SENTIDO E PERFORMANCE DE GÊNERO EM NOJO DE DIVANIZE CARBONIERI
Autores
  • Waldiney Santana da Costa
Modalidade
Normas e Inscrição dos Resumos para os GTs
Área temática
GT-14 (presencial): Corpo, memória e identidade nas poéticas brasileiras, portuguesas e africanas de língua portuguesa
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1396963-entre-o-deleite-e-a-denuncia-vozes-e-linguagem--construcao-de-sentido-e--performance-de-genero-em--nojo-de-diva
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Narrativa; Linguagem, intensidade e autoria; Fruição e recepção; Deleite estético e denúncia social; Corpo, gênero e sociedade; Divanize Carbonieri.
Resumo
A presente tese, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), propõe uma análise da obra Nojo (2020), de Divanize Carbonieri, sob a perspectiva da articulação entre o prazer estético do texto, compreendido como deleite literário, e sua dimensão de crítica social, entendida como denúncia. O objetivo é examinar como o deleite e a denúncia se entrelaçam na construção de sentidos que abordam sexualidade, performatividade de gênero e objetificação do corpo feminino. A fundamentação teórica apoia-se nos pressupostos de Roland Barthes (1987), especialmente no conceito de prazer do texto, que distingue o deleite, ligado ao conforto da leitura, da fruição, associada à ruptura e ao desconforto. Argumenta-se que Nojo articula prazer textual e fruição crítica, instaurando uma leitura que emerge do confronto com as normas sociais e conduz o leitor ao exercício do senso crítico. Dialoga-se também com a Estética da Recepção, conforme Hans Robert Jauss (1994) e Wolfgang Iser (1999), que situam o leitor como coautor do texto, reposicionando a experiência estética como ato interpretativo e participativo. Somam-se as contribuições de Michel Foucault (2001), ao compreender a função autoral como constructo discursivo, e de Antonio Candido (2006), cuja reflexão sobre a função humanizadora da literatura sustenta a ideia de que o texto literário opera como espaço de reconhecimento e crítica social. Além disso, William Ian Miller (2024) é mobilizado para discutir o nojo como mecanismo cultural de regulação e controle social, e Mary Del Priore (2013) para abordar o disciplinamento histórico e a subalternização do corpo feminino. De natureza qualitativa, a pesquisa é analítico-descritiva e interpretativa, fundamentada em procedimentos de leitura crítica e análise textual de fragmentos da obra. O estudo situa-se no campo da linguagem, com foco nos recursos linguísticos e discursivos que revelam a coexistência entre fruição estética e crítica social. A linguagem configura-se como eixo de produção do deleite e da reflexão, estruturando-se de modo não linear, por meio de minicontos interligados e da mancha textual contínua, que suprime a pontuação para criar um fluxo de vozes femininas. Essa polifonia amplia o alcance interpretativo e expressa a multiplicidade da experiência feminina. A força estética da obra decorre da escolha lexical precisa, do uso da ironia e do martelamento verbal de adjetivos depreciativos, recursos que intensificam o impacto e instauram uma fruição crítica. O sentimento de abjeção, o nojo e a repulsa, recorrentes na narrativa, configuram-se como mecanismos discursivos de disciplinamento simbólico dos corpos e das identidades femininas. A estética fragmentada e o fluxo contínuo de linguagem evidenciam o caráter simbólico e político da escrita, que transforma o deleite literário em instrumento de denúncia e reflexão. Conclui-se que Nojo (2020) constrói uma tessitura narrativa em que prazer estético e crítica social se articulam de modo intrínseco, promovendo uma leitura simultaneamente sensorial e reflexiva. A escrita de Divanize Carbonieri reafirma a literatura como prática de resistência e humanização pela palavra, em que o prazer estético se converte em gesto crítico e emancipador.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

COSTA, Waldiney Santana da. ENTRE O DELEITE E A DENÚNCIA, VOZES E LINGUAGEM: CONSTRUÇÃO DE SENTIDO E PERFORMANCE DE GÊNERO EM NOJO DE DIVANIZE CARBONIERI.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1396963-ENTRE-O-DELEITE-E-A-DENUNCIA-VOZES-E-LINGUAGEM--CONSTRUCAO-DE-SENTIDO-E--PERFORMANCE-DE-GENERO-EM--NOJO-DE-DIVA. Acesso em: 29/06/2026

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