DO RITMO À RESISTÊNCIA: A CONGADA COMO CORPO DE SABERES, MEMÓRIA, ORALITURA E EPISTEMOLOGIA AFRO-BRASILEIRA

Publicado em 09/02/2026 - ISBN: 978-65-272-2189-0

Título do Trabalho
DO RITMO À RESISTÊNCIA: A CONGADA COMO CORPO DE SABERES, MEMÓRIA, ORALITURA E EPISTEMOLOGIA AFRO-BRASILEIRA
Autores
  • Helder Fernando Canavarros Da Guia
Modalidade
Normas e Inscrição dos Resumos para os GTs
Área temática
GT-14 (presencial): Corpo, memória e identidade nas poéticas brasileiras, portuguesas e africanas de língua portuguesa
Data de Publicação
09/02/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1345409-do-ritmo-a-resistencia--a-congada-como-corpo-de-saberes-memoria-oralitura-e-epistemologia-afro-brasileira
ISBN
978-65-272-2189-0
Palavras-Chave
Corporeidade, Epistemologia afrocentrada, Filosofia decolonial, Memória afro-brasileira, Oralitura.
Resumo
Este artigo investiga a Congada como epistemologia encarnada da memória afro-brasileira, concebendo-a como texto expandido que se inscreve no corpo, no ritmo e na ritualidade coletiva, ultrapassando a lógica logocêntrica da escrita. A justificativa da pesquisa se fundamenta na necessidade de reconhecer saberes ancestrais afro-diaspóricos como formas legítimas de produção de conhecimento, em contraponto à hegemonia da colonialidade do saber. O problema de pesquisa que orienta este trabalho consiste em compreender de que modo a Congada, enquanto prática estética, política, pedagógica e religiosa, elabora narrativas de resistência, reinscreve a memória da diáspora africana e afirma uma pedagogia afrocentrada. O objetivo principal é analisar a Congada como dispositivo de enunciação e de produção epistêmica que se realiza na corporeidade, na oralitura e na performatividade, constituindo-se como forma de linguagem ampliada em que o tambor, o canto, a dança e os ornamentos corporais atuam como inscrições de mundo e afirmações de identidade. A fundamentação teórica integra a tradição oral e a oralitura (Hampaté Bâ, 2010; Leda Martins, 2003), a filosofia decolonial (Quijano, 2005; Mignolo, 2020) e os estudos afrocentrados (Asante, 2014; Munanga, 2010; Nogueira, 1985), reconhecendo na corporeidade, na ancestralidade e na ritualidade coletiva matrizes de conhecimento que desafiam a racionalidade eurocêntrica. Dialoga ainda com a pedagogia crítica e afrocentrada (hooks, 2013) e com a teoria da interseccionalidade (Collins; Bilge, 2020), evidenciando as interações entre raça, gênero e classe. Por fim, a Análise Crítica do Discurso (Fairclough, 2001; van Dijk, 2008) permite compreender a Congada como prática discursiva e performática de resistência, memória e produção de epistemologias plurais. A metodologia adotada é qualitativa, de caráter teórico-interpretativo, orientada pela análise crítico-discursiva das performances rituais, dos cantos, gestos e símbolos, entendidos como materialidades significantes e estratégias de resistência cultural. Espera-se como resultado evidenciar que a Congada não apenas preserva a memória coletiva da diáspora, mas também a reinscreve em uma pedagogia viva, comunitária e política, capaz de inspirar práticas educativas voltadas para a valorização da diversidade epistêmica e para a superação das desigualdades raciais e culturais no Brasil. Nesse sentido, o estudo contribui para ampliar os debates sobre memória, identidade e linguagem, reconhecendo a Congada como epistemologia encarnada que articula corpo, ancestralidade e resistência no horizonte de um projeto decolonial.
Título do Evento
I SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Cidade do Evento
Cuiabá
Título dos Anais do Evento
Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GUIA, Helder Fernando Canavarros Da. DO RITMO À RESISTÊNCIA: A CONGADA COMO CORPO DE SABERES, MEMÓRIA, ORALITURA E EPISTEMOLOGIA AFRO-BRASILEIRA.. In: Anais do SINPOLIC - Simpósio Nacional de Poesia dos Países de Língua Portuguesa. Anais...Cuiabá(MT) UFMT, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sinpolic-624867/1345409-DO-RITMO-A-RESISTENCIA--A-CONGADA-COMO-CORPO-DE-SABERES-MEMORIA-ORALITURA-E-EPISTEMOLOGIA-AFRO-BRASILEIRA. Acesso em: 24/05/2026

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