A INVISIBILIZAÇÃO DA DEFICIÊNCIA EM AVALIAÇÕES FUNCIONAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE BARREIRAS CAPACITISTAS ENFRENTADAS POR PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

Publicado em 03/08/2026 - ISBN: 978-65-272-2664-2

Título do Trabalho
A INVISIBILIZAÇÃO DA DEFICIÊNCIA EM AVALIAÇÕES FUNCIONAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE BARREIRAS CAPACITISTAS ENFRENTADAS POR PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
Autores
  • Jalon Barbosa De Medeiros
  • Dandara Queiroga de Oliveira Sousa
  • André Felipe Da Silva Lima
  • Manuela Caroline Azevedo de Medeiros
  • Maria Clara Silva Santos
  • Rosangela Kelly Felix de Souza
Modalidade
Resumo - Estudos Teóricos, Documentais e Relatos de Experiência
Área temática
Políticas Públicas no Cuidado à Pessoa com Deficiência
Data de Publicação
03/08/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/simposiorcpdnordeste-711595/1574683-a-invisibilizacao-da-deficiencia-em-avaliacoes-funcionais--relato-de-experiencia-sobre-barreiras-capacitistas-en
ISBN
978-65-272-2664-2
Palavras-Chave
Transtorno do Espectro Autista, Lei Brasileira de Inclusão, Avaliação biopsicossocial, Inclusão
Resumo
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência promoveram importante mudança de paradigma ao substituírem o modelo estritamente biomédico pelo modelo biopsicossocial da deficiência. A partir dessa perspectiva, a deficiência passou a ser compreendida como resultado da interação entre impedimentos de longo prazo e as barreiras sociais, institucionais e atitudinais que limitam a participação plena e efetiva do indivíduo na sociedade. Nesse contexto, o presente relato discute criticamente uma experiência de avaliação funcional envolvendo pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), analisando como mecanismos de camuflagem social e percepções capacitistas podem comprometer o reconhecimento institucional das barreiras enfrentadas. O objetivo do trabalho é refletir sobre os desafios da implementação do modelo biopsicossocial em avaliações institucionais destinadas ao reconhecimento da condição de pessoa com deficiência e à análise da necessidade de adaptações funcionais no ambiente laboral. O relato parte de experiência vivenciada por servidor público federal submetido à avaliação funcional destinada ao reconhecimento da condição de pessoa com deficiência e à análise da necessidade de adaptações relacionadas à redução da carga horária presencial ou à possibilidade de adesão ao teletrabalho. Embora a legislação brasileira reconheça expressamente a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, observou-se, durante a avaliação, postura marcada por desconfiança e dificuldade de reconhecimento das limitações e barreiras efetivamente enfrentadas no cotidiano profissional. A experiência evidenciou percepções estereotipadas acerca da deficiência, nas quais a necessidade de adaptação parece condicionada à demonstração evidente de incapacidades imediatamente perceptíveis. Destaca-se, nesse cenário, o fenômeno da camuflagem social, caracterizado pelo desenvolvimento de estratégias comportamentais de adaptação utilizadas por pessoas com TEA para reduzir estigmas sociais e aparentar padrões de comportamento neurotípicos. O mascaramento social, embora frequentemente desenvolvido como mecanismo de proteção contra exclusão e estigmatização, pode paradoxalmente dificultar o reconhecimento institucional das necessidades de acessibilidade e adaptação vivenciadas por pessoas com TEA. Durante a avaliação funcional, a capacidade de manutenção de atividade laboral e de interações sociais superficiais mostrou-se insuficiente para traduzir o intenso esforço adaptativo exigido para a sustentação desses comportamentos, frequentemente construídos mediante mecanismos contínuos de compensação social. O sofrimento relacionado ao esforço permanente de adequação comportamental permaneceu invisibilizado na avaliação, evidenciando limitações de modelos avaliativos centrados predominantemente na observação imediata da funcionalidade aparente. Conclui-se que a implementação do modelo biopsicossocial ainda enfrenta importantes desafios institucionais, especialmente quanto à compreensão das especificidades da neurodiversidade e das deficiências não visíveis. A experiência relatada demonstra a necessidade de capacitação das equipes multiprofissionais responsáveis pelas avaliações funcionais, a fim de assegurar análises mais contextualizadas, sensíveis às barreiras atitudinais e compatíveis com o paradigma inclusivo previsto na legislação brasileira. Além disso, evidencia-se a importância de mecanismos institucionais de acessibilidade e adaptações razoáveis voltados à permanência laboral da pessoa com deficiência em condições dignas e igualitárias.
Título do Evento
I Simpósio da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) do Nordeste e III Jornada da RCPD do RN
Título dos Anais do Evento
Anais do I Simpósio da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) do Nordeste e III Jornada da RCPD do RN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MEDEIROS, Jalon Barbosa De et al.. A INVISIBILIZAÇÃO DA DEFICIÊNCIA EM AVALIAÇÕES FUNCIONAIS: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE BARREIRAS CAPACITISTAS ENFRENTADAS POR PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA.. In: Anais do I Simpósio da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD) do Nordeste e III Jornada da RCPD do RN. Anais...Macaíba(RN) Instituto Santos Dumont, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/simposiorcpdnordeste-711595/1574683-A-INVISIBILIZACAO-DA-DEFICIENCIA-EM-AVALIACOES-FUNCIONAIS--RELATO-DE-EXPERIENCIA-SOBRE-BARREIRAS-CAPACITISTAS-EN. Acesso em: 06/11/2026

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