CORPOS INSURGENTES, GESTOS DE LEVANTES

Publicado em 06/08/2025 - ISSN: 2525-6572

Título do Trabalho
CORPOS INSURGENTES, GESTOS DE LEVANTES
Autores
  • Denise Espírito Santo
  • Erika Cristina dos Santos Monteiro
Modalidade
Comunicação Oral Presencial
Área temática
Pedagogias Insubordinadas
Data de Publicação
06/08/2025
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/simposiolume2025/1062107-corpos-insurgentes-gestos-de-levantes
ISSN
2525-6572
Palavras-Chave
corpo-cidade-levante-gestos
Resumo
As cidades constituem um dos mais importantes laboratórios para pensarmos a experiência da vida moderna e das transformações ocorridas nas formações subjetivas ao longo dos últimos dois séculos ou pouco mais. Alguns dos aspectos centrais dessas transformações responderam por fenômenos característicos desta nossa era: a presença fantasmal da multidão e por consequência, uma existência anônima sob o peso do sentimento de isolamento e esgarçamento dos vínculos comunais que dão forma à natureza gregária da espécie humana desde nossos ancestres. A percepção de um tempo mais acelerado decorrente da presença dos meios de locomoção de massa, do surgimento das “artérias” nervosas que nas cidades ligam pessoas e lugares numa cadeia infinitesimal, mas também pela invenção dos dispositivos de captura e serialização da imagem, enfim, todas essas mudanças foram determinantes para uma violenta reestruturação dos sujeitos em tudo que os conecta as suas vivências sensórias, motoras, cognitivas e perceptivas. Com isso, as imagens que incidem fora do corpo, ou seja, aquelas que se materializam em imbricadas correlações com a(s) engrenagem(s) do capital, do estatuto serial e industrial do trabalho, das sociabilidades e do cotidiano, das opressões de gênero e do problema do racismo que estrutura a sociedade brasileira como um todo, irão incidir também sobre os aspectos moleculares dos sujeitos e influenciar os modos de habitar, pertencer, partilhar, governar, rebelar-se nesta dinâmica dos corpos com/a/na cidade. Com isso, presumimos que não existe um “fora” do corpo que não seja constituído por muitas dessas imagens que o habitam internamente. Foi a partir do livro de Didi-Huberman, Levantes, que compreende uma antologia de textos sobre “gestos de levantes” e contam com autores importantes que têm se dedicado aos temas da “multidão”, dos “corpos em assembléia”, das “imagens e corporeidades que reivindicam 'o direito à cidade'”, sendo alguns desses – Judith Butler, Antonio Negri, J. Mondzain, que decidimos ancorar essa pesquisa sobre CorposCidade no acontecimento levante. Primeiro, porque já intuía uma secreta aproximação entre as movimentações da multidão, muitas vezes anódinas e capturadas pelas imagens postas para circulação nos sistemas logaritimizados das mídias, com o que poderíamos também depreender como “performatividades do corpo-cidade”. Verdade seja dita que atravessamos os últimos anos no Brasil com a ascensão de agrupamentos de natureza neofascista, onde uma população de pessoas lobotomizadas foram às ruas defendendo pautas autoritárias, retrógradas, utilizando-se muitas vezes de semelhantes dispositivos de mobilização dos corpos, das coletividades que ensejam uma “estética libidinal” calcada no reacionarismo, na distopia e no imperativo da violência enquanto linguagem. Portanto, o texto de Didi-Huberman que se dedica pensar nas revoltas e inssureições populares que atravessaram toda a segunda metade do século XX no mundo, como os levantes da Praça Tahir no Egito, 2011; os levantes da juventude ucraniana na Praça Maidan na Ucrânia, 2012; as manifestações de junho 2013, Brasil; as marchas das mulheres e de movimentos icônicos como “Me too”, dentre os muitos e diversos agrupamentos de “levantados”, não deixam margem de dúvida sobre a existência de movimentos micropolíticos capazes de redefinir as práticas coletivas, mas igualmente as pautas e agendas sociais da contemporaneidade. Nos interessa aqui levantar esse debate no contexto dos processos de criação e de composição cênica, uma vez que a dimensão performativa dos levantes e revoltas populares são fortemente "tocados" por esses corpos insurgentes e por esses gestos de levantes.
Título do Evento
XIV Jornada Internacional Atuação e Presença - Simpósio Reflexões Cênicas Contemporâneas - 2025
Cidade do Evento
Campinas
Título dos Anais do Evento
Anais do Simpósio Reflexões Cênicas Contemporâneas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SANTO, Denise Espírito; MONTEIRO, Erika Cristina dos Santos. CORPOS INSURGENTES, GESTOS DE LEVANTES.. In: Anais do Simpósio Reflexões Cênicas Contemporâneas. Anais...Campinas(SP) UNICAMP, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/simposiolume2025/1062107-CORPOS-INSURGENTES-GESTOS-DE-LEVANTES. Acesso em: 03/04/2026

Trabalho

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