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Apresentação
É com grande satisfação que
apresentamos os Anais do Seminário Avançado sobre Saúde das Mulheres em
Situação de Rua, ocorrido em formato híbrido nos dias 01 e 02 de julho de 2025,
no Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CBAE). O Seminário reuniu
pesquisadores, gestores, profissionais de saúde e movimentos sociais envolvidos
com o tema, com o objetivo de promover um debate aprofundado sobre a saúde das
mulheres em situação de rua, considerando seus determinantes sociais e as
políticas públicas específicas e correlatas. Buscou ainda refletir sobre como
anda a implementação da Política Nacional de Pessoas em Situação de Rua (PNPSR)
e articular estratégias para enfrentamento dos agravos em saúde que acometem as
mulheres em situação de rua.
Foram dois dias de intenso
debate, com mesas redondas e apresentação de trabalhos, sendo aceitos tanto
trabalhos acadêmicos de pesquisa quanto relatos de experiência pautados no
enfoque de gênero e na população em situação de rua. Foram 610 participantes
inscritos e 58 trabalhos aprovados, o que mostra a importância do debate do
tema, muitas vezes ainda invisibilizado pelos estudos científicos e pelas
políticas públicas.
Os trabalhos, em formato de
resumo expandido, foram selecionados por uma Comissão Científica e distribuídos
em 4 (quatro) grupos de trabalho (GT) organizados por eixos temáticos, buscando
propiciar a troca de experiências, o aprofundamento dos debates e a articulação
em redes.
O GT 1 – Direitos, Vivências e
Resistências: dimensões da vida das mulheres em situação de rua na perspectiva
dos Direitos Humanos – reuniu trabalhos voltados à discussão das múltiplas
dimensões que marcam a vida de mulheres em situação de rua, à luz dos Direitos
Humanos. Foram debatidos temas como: acesso à educação, trabalho e geração de
renda, direito à moradia digna, justiça social, segurança alimentar, maternagem
em contextos de rua, religiosidade, redes de apoio e políticas públicas
intersetoriais. O GT buscou, ainda, dar visibilidade às estratégias de
sobrevivência e às formas de organização coletiva protagonizadas por essas
mulheres, refletindo sobre os impactos das desigualdades de gênero, raça e
classe social em suas trajetórias.
O GT 2 - Saúde Integral e
Interseccionalidade: desafios no cuidado às mulheres em situação de rua no SUS
– teve como foco central a saúde das mulheres em situação de rua, com ênfase na
rede de cuidados do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada a essa população, no
atendimento territorializado e nas diretrizes de equidade e de cuidado
integral. A partir de uma perspectiva interseccional, foram abordadas situações
de vulnerabilidade vivenciadas por mulheres em situação de rua, especialmente
aquelas relacionadas a mulheres negras, migrantes, com deficiência, idosas,
transexuais e outras que enfrentam maiores riscos de adoecimento e morte. Os
direitos sexuais e reprodutivos, a dignidade menstrual e as diversas formas de
violência às quais essas mulheres estão expostas, assim como aspectos relativos
à formação de profissionais de saúde do SUS para o atendimento qualificado e
sensível às especificidades dessa população também foram abordados.
O GT 3 – Crises Ambientais,
Sanitárias e Desigualdades: impactos das mudanças climáticas e crises
sanitárias sobre a vida das mulheres em situação de rua – procurou fomentar
o debate e a reflexão sobre os efeitos das mudanças climáticas e das crises
sanitárias na vida das mulheres em situação de rua, a partir da compreensão de
que essas mulheres estão entre as populações mais vulneráveis aos impactos das
emergências climáticas e das crises sanitárias, cada vez mais frequentes no
cenário contemporâneo. Foram destacadas suas vulnerabilidades específicas, bem
como as políticas públicas e intervenções sociais voltadas à mitigação desses
impactos e à promoção da dignidade e dos direitos das mulheres em situação de
rua. Temas como: efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde e a segurança de
mulheres em situação de rua; agravamento das desigualdades de gênero, classe e
raça associado às mudanças climáticas e às crises sanitárias; dificuldades de
acesso a serviços de saúde e a políticas de proteção social; migrações, refúgio
e direitos das mulheres em situação de rua; e ações governamentais, de ONGs e
da sociedade civil voltadas ao enfrentamento das questões socioambientais e de
saúde, com foco na inclusão dessas mulheres foram abordados no GT.
O GT 4 – Saúde Mental,
Mulheridades e Cuidado: acolhimento, uso de substâncias e redes de apoio para
quem vive nas ruas – abordou o cuidado em saúde mental e as barreiras de
acesso que incidem sobre a vulnerabilização interseccional entre gênero,
situação de rua e raça. Foram debatidos os desafios relacionados ao cuidado do
uso abusivo de álcool e outras drogas entre as mulheridades (cis, trans, não
binárias) que têm nas ruas o espaço de trocas de afetos, geração de renda e
moradia. Ao mesmo tempo, buscou compreender como os dispositivos da Rede de
Atenção Psicossocial (RAPS) atuam na promoção de um cuidado ampliado e
integral, reconhecendo as especificidades das experiências dessas mulheres e a
partir do diálogo em uma perspectiva intersetorial sobre as trajetórias das
mulheridades que vivem nas ruas, refletindo sobre estratégias de cuidado,
escuta qualificada e políticas públicas que reconheçam e respeitem suas
singularidades.
Organização: O seminário foi organizado por pesquisadores e docentes do Departamento de Estudos Sobre Violência e Saúde Jorge Careli (CLAVES/ENSP/Fiocruz); do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio; do Programa de Estudos Pós-graduados em Política Social (Escola de Serviço Social – UFF) e da Fiocruz-Ceará. O Seminário contou com o apoio do Movimento Nacional de Luta e Defesa da População em Situação de Rua (MNPSR); da Pastoral do Povo da Rua e do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua (CIAMP Rua).
Promoção: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da Saúde (MS). Financiado por meio da chamada do CNPq 12/2024 para eventos de pequeno porte.
Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)
Universidade Federal Fluminense (UFF)
Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ)
Comissão Organizadora
Luciana Silvério Alleluia Higino Da Silva (FIOCRUZ/Ceará)
Mônica De Castro Maia Senna (ESS/UFF)
Nilza Rogéria De Andrade Nunes (DSS/PUC-RJ)
Valéria Cristina Gomes De Castro (CLAVES-ENSP/FIOCRUZ)
Apoio e Participação:
Tânia Ramos / Executiva Nacional da Pastoral do Povo da Rua e Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para População em Situação de Rua (CIAMP Rua-nacional); Maralice dos Santos (CIAMP- Rua/MNPSR/RJ)
Bianca Fricke (SP); Luana Araújo (SC); Maria Sueli de Oliveira (BA); Rubia Cristina de Jesus Silva (Movimento Nacional de Luta e Defesa da População em Situação de Rua - MNPSR)
Comunicação e Logística: André de Oliveira S. Melo; Evelyn de C. Silveira da Silva; Lorena Gomes de Souza; Mariana Nogueira Rodrigues; Pedro Igor dos S. Bento.
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Responsável
seminarioavancado2025@gmail.com
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