HALL TECHNIQUE COMO UMA ALTERNATIVA DE TRATAMENTO DE HIPOMINERALIZAÇÃO MOLAR INCISIVO: UM RELATO DE CASO.

Publicado em 06/04/2023 - ISSN: 2675-8563

Título do Trabalho
HALL TECHNIQUE COMO UMA ALTERNATIVA DE TRATAMENTO DE HIPOMINERALIZAÇÃO MOLAR INCISIVO: UM RELATO DE CASO.
Autores
  • Beatriz Souza Lopes
  • Eduarda Ribeiro Tavares
  • Gabriella Oliveira Ximenes
  • Maria Eduarda de Oliveira Guimarães
  • Mariana Tomaz Machado
  • Patricia Reis
  • Vera Mendes Soviero
Modalidade
Relatos de Caso
Área temática
Odontologia
Data de Publicação
06/04/2023
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/scunifasefmp2022/542189-hall-technique-como-uma-alternativa-de-tratamento-de-hipomineralizacao-molar-incisivo--um-relato-de-caso
ISSN
2675-8563
Palavras-Chave
HMI; Hipomineralização molar-incisivo; Hall- technique; coroas de aço; relato de caso
Resumo
Introdução: A Hipomineralização Molar Incisivo (HMI) é um defeito de desenvolvimento do esmalte caracterizado pela presença de áreas hipomineralizadas. Clinicamente, manifesta-se como opacidades demarcadas que variam em cor do branco-creme ao amarelo-amarronzado. A hipomineralização resulta da deficiência de deposição mineral em substituição à matriz proteica do esmalte e se diferencia da hipoplasia que, por sua vez, é caracterizada pela deficiência de deposição da matriz. Sendo assim, o esmalte hipomineralizado tem espessura normal com menor conteúdo mineral e o esmalte hipoplásico apresenta deficiência de espessura e mineralização normal. A nomenclatura HMI foi sugerida porque os primeiros molares e incisivos permanentes são os dentes mais afetados, mas a hipomineralização pode acometer outros dentes permanentes. Os dentes afetados pela HMI podem apresentar hipersensibilidade e, devido a isso, as crianças relatam com frequência desconforto durante a realização da escovação, o que facilita o acúmulo de biofilme nesses dentes. O esmalte hipomineralizado é mais poroso e frágil, sendo mais susceptível à fratura devido às forças mastigatórias e à ocorrência de lesões cariosas. Por isso, crianças com HMI apresentam maior necessidade de intervenções restauradoras do que crianças sem HMI. A hipersensibilidade pode persistir mesmo após a realização da anestesia local, contribuindo para a aumento da ansiedade da criança e dificultando o manejo durante o atendimento odontológico. O tratamento indicado dependerá da gravidade da cada caso, incluindo desde de fluorterapia, restaurações diretas com resina composta ou cimento de ionômero de vidro e, restaurações indiretas individualizadas, coroas de aço inoxidável pré- fabricadas e, em casos severos, até mesmo a extração do elemento dentário pode ser necessária. A Hall Technique, originalmente recomendada para instalação de coroas de aço em molares decíduos, apresenta-se como uma alternativa também para PMP gravemente afetados por hipomineralização do esmalte. Relato do caso: paciente do sexo feminino, 11 anos de idade, compareceu à clínica de Odontopediatria do Ambulatório Escola da UNIASE, apresentando um quadro típico de HMI: opacidade demarcada amarelo-amarronzada nos dentes 26 e 11; fratura associada à lesão cariosa no dente 16. Os dentes 11 e 21 também apresentavam hipoplasia do esmalte. O dente 26 havia sido selado previamente com cimento de ionômero de vidro o qual se encontrava com retenção parcial. A paciente se queixava de sensibilidade ao frio no dente 16. A anamnese indicou que a paciente era uma criança saudável, sem histórico de complicações perinatais ou de doenças na primeira infância que pudessem justificar às alterações dentárias observadas. O tratamento odontológico proposto incluiu a restauração estética dos incisivos centrais superiores e a reabilitação do dente 16 com coroa de aço pela Hall Technique. O passo-a-passo da Hall Technique incluiu: consulta 1 - medição da distância mesio-distal do dente 16 em milímetros para seleção da coroa; inserção de elástico separador entre os dentes 16 e 55; consulta 2 – prova da coroa; recorte cervical com tesoura para metal; polimento do recorte com pedra montada; ajuste do contorno cervical com alicate conformador de banda; cimentação da coroa com cimento de ionômero de vidro. Discussão: As coroas de aço inoxidável são utilizadas na Odontopediatria desde a década de 50, sendo indicadas para restaurações de dentes extensamente destruídos pela cárie dentária ou que apresentam defeitos de desenvolvimento. Pela técnica convencional, a coroa de aço requer preparo dentário similar ao preparo para coroa total. Mais recentemente, a Hall Technique propõe a cimentação da coroa de aço sem nenhum desgaste do dente. Essa técnica apresenta vantagens como baixo custo, curto tempo operatório e praticidade e para se obter a recuperação das dimensões cérvico-oclusal e mésio-distal do dente. No caso da hipomineralização do esmalte, ainda protege o dente da contínua perda de estrutura em decorrência de fraturas. Outro aspecto importante é que o esmalte hipomineralizado não é propício à adesão de materiais restauradores diretos, fazendo com que restaurações em resina composta, por exemplo, apresentem falhas recorrentes. A alternativa para melhor adesão seria utilizar o cimento de ionômero de vidro, porém sua menor resistência mecânica limita sua indicação para restaurações mais extensas. A Hall Technique tem ainda a vantagem de não necessitar de anestesia local uma vez que não é realizado preparo do dente com broca. Isso faz com que a técnica seja bem aceita pelos pacientes pediátricos. Apesar das inúmeras vantagens dessa técnica, a crescente busca pela estética e a falta de conhecimento dos pais, bem como o despreparo do cirurgião-dentista no que diz respeito ao uso da coroa de aço têm contribuído para a diminuição da sua utilização no Brasil. É válido ressaltar ainda, que a literatura tem mostrado que as crianças parecem não se importar com a aparência das coroas e geralmente se mostram satisfeitas, referindo-se a elas como dentes “brilhantes” e “especiais”. Incluindo a paciente relatada, que, ao retornar às consultas de avaliação se mostrou muito feliz com o resultado do tratamento e ainda reportou que não sentia mais sensibilidade ao frio no dente 16 que recebeu a coroa de aço. Conclusão: Através do presente trabalho, foi possível refletir sobre a pertinência da indicação da coroa de aço na clínica Odontopediátrica como alternativa resolutiva e com boa aceitação pelos pacientes. Quando adequadamente indicada, a coroa de aço constitui-se em uma excelente opção de tratamento particularmente em casos de HMI como no caso relatado. Idealmente, a HMI deve ser diagnosticada o mais cedo possível, garantindo que um tratamento adequado possa preservar estrutura de dentes gravemente afetados o máximo possível.
Título do Evento
XXVIII Semana Científica UNIFASE/FMP
Cidade do Evento
Petrópolis
Título dos Anais do Evento
Anais da Semana Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LOPES, Beatriz Souza et al.. HALL TECHNIQUE COMO UMA ALTERNATIVA DE TRATAMENTO DE HIPOMINERALIZAÇÃO MOLAR INCISIVO: UM RELATO DE CASO... In: Anais Semana Científica. Anais...Petrópolis(RJ) Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto, 2022. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/SCUNIFASEFMP2022/542189-HALL-TECHNIQUE-COMO-UMA-ALTERNATIVA-DE-TRATAMENTO-DE-HIPOMINERALIZACAO-MOLAR-INCISIVO--UM-RELATO-DE-CASO. Acesso em: 11/06/2026

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