O ASSISTENCIALISMO EM ÉPOCAS EXCEPCIONAIS – UMA FERRAMENTA DE JUSTIÇA SOCIAL

Publicado em 18/12/2020 - ISSN: 2675-8563

Título do Trabalho
O ASSISTENCIALISMO EM ÉPOCAS EXCEPCIONAIS – UMA FERRAMENTA DE JUSTIÇA SOCIAL
Autores
  • Gabrielle Pinheiro Gomes
  • Ana Carolina de Oliveira Rodrigues
  • Nathalia Balthazar Martins
Modalidade
Práticas Extensionistas
Área temática
Exemplo de Área Temática
Data de Publicação
18/12/2020
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/scunifasefmp/281597-o-assistencialismo-em-epocas-excepcionais--uma-ferramenta-de-justica-social
ISSN
2675-8563
Palavras-Chave
Assistencialismo, extensão universitária, justiça social
Resumo
A extensão é um importante espaço de diálogo, troca de saberes e construção conjunta entre a academia e a sociedade. Ao longo do percurso de um projeto de extensão nos deparamos com inúmeras demandas sociais visto que comunidades são organismos vivos e dinâmicos. E, dentro desse contexto, as atuações extensionistas, com uma perspectiva popular, podem apresentar diversas formas de atuar, mas sem se desviarem de alguns princípios básicos, como o de promoção de justiça social, emancipação popular, empoderamento das comunidades e instrumentalização da população. No entanto, em um cenário excepcional como o da pandemia da COVID-19, a sociedade se deparou com o agravamento de problemas antigos em um período de tempo muito curto e de forma inesperada. O aumento do desemprego e a redução do poder aquisitivo deixou muitas famílias necessitando de ações assistencialistas emergenciais para a compra de itens básicos como comida e produtos de higiene. Diante dessa demanda popular, emergiram dúvidas sobre como um projeto de extensão deveria se posicionar de forma que não interferisse na autonomia da comunidade alvo. A partir disso, surgiu o questionamento: qual é o limite do assistencialismo como ferramenta para promoção da justiça social? Tendo em vista isso, o projeto de extensão Vale do Carangola iniciou uma ação que consistiu na arrecadação de fundos para compra e doação de cestas básicas visando contemplar as famílias mais afetadas pelo déficit econômico gerado pela pandemia, da comunidade do Vale do Carangola, na região serrana do Rio de Janeiro. A adoção dessa medida, que anteriormente seria interpretada como assistencialista, gerou uma reflexão nos extensionistas sobre como o assistencialismo pode também ser ferramenta para promoção da justiça social. Os objetivos do presente trabalho são: relatar a importância da ação de entrega de cestas básicas no bairro Vale do Carangola durante a pandemia; avaliar a relevância de se planejar ações extensionistas tendo como base demandas da população; discutir e propor os limites do assistencialismo como ferramenta, dentro de uma extensão universitária em períodos excepcionais, usando como exemplo a ação de entrega das cestas básicas. A ação da distribuição de cestas básicas foi planejada através de reuniões remotas semanais, com todos os extensionistas do projeto, nas quais foram discutidas o método de arrecadação das cestas e o planejamento de cada entrega. Então, foi decidido que o levantamento de fundos para o custeio das cestas seria feito de duas formas: a primeira por meio de um convênio com a Fundação Banco do Brasil, que disponibilizou recursos para o financiamento de parte das cestas básicas; e a segunda por meio de uma rede de colaboração solidária formada por professores, alunos, funcionários da UNIFASE e outras pessoas físicas, que tomaram conhecimento da ação por redes sociais e aplicativos de mensagens. As contribuições dos voluntários foram feitas tanto por transferências bancárias quanto por sites de financiamento coletivo. O montante arrecadado ao final permitiu assistir famílias vulneráveis, identificadas no Vale do Carangola, ao longo de três meses. A primeira entrega foi realizada em abril, tendo assistindo 33 famílias, já a segunda e a terceira foram realizadas em maio e junho, respectivamente, assistindo novamente as 33 famílias acrescidas de mais 202 novas. A escolha das famílias contempladas com cestas, contendo tanto alimentos básicos quanto itens de higiene e limpeza, foi feita através de uma liderança local, com base na situação de vulnerabilidade alimentar apresentada por cada família. A entrega das cestas foi realizada por alunos e professores extensionistas do projeto em parceria com a escola do bairro e líderes comunitários seguindo estritas recomendações de distanciamento social e uso de equipamentos de proteção individual, tendo em vista a preocupação com a segurança de todos os participantes. Junto com a ação de distribuição de cestas, foram entregues cartas com apresentações individuais de parte dos extensionistas, disponibilizado seus contatos pessoais visando manter uma comunicação com os moradores para estabelecer novos vínculos e fortalecer vínculos anteriores. Durante a ação ou ao final da mesma, alguns representantes das famílias atendidas aceitaram dar depoimentos sobre o impacto que a ação trouxe para suas vidas e outros preferiram enviaram mensagens aos números disponibilizados nas cartas. Através das falas dos moradores e das lideranças comunitárias, foi possível observar que a alimentação básica era uma demanda emergencial da população durante o período de pandemia, e que atendê-la não se tratou meramente de uma ação assistencialistas, mas sim de promoção de justiça social Portanto podemos constatar que ao ter direitos sociais básicos negados, uma comunidade encontra mais entraves no caminho de emancipação e de modificação de sua própria realidade de vulnerabilidade. Ademais, cabe exaltar a importância do papel da extensão universitária em auxiliar uma comunidade através do diálogo, da escuta ativa, da troca de saberes e por medidas que possuam caráter assistencialista, no alcance dos direitos mínimos sociais. Ações assistencialistas dentro de um contexto de extrema vulnerabilidade, agravado por um período de calamidade pública, não podem ser vistas como medidas simplória e intervencionista, mas sim como uma ferramenta essencial de sobrevivência e justiça social para determinados grupos populacionais como a comunidade do Vale do Carangola.
Título do Evento
XXVI Semana Científica UNIFASE/FMP
Título dos Anais do Evento
Anais da Semana Científica
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

GOMES, Gabrielle Pinheiro; RODRIGUES, Ana Carolina de Oliveira; MARTINS, Nathalia Balthazar. O ASSISTENCIALISMO EM ÉPOCAS EXCEPCIONAIS – UMA FERRAMENTA DE JUSTIÇA SOCIAL.. In: Anais da Semana Científica. Anais...Petrópolis(RJ) Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto, 2020. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/SCUNIFASEFMP/281597-O-ASSISTENCIALISMO-EM-EPOCAS-EXCEPCIONAIS--UMA-FERRAMENTA-DE-JUSTICA-SOCIAL. Acesso em: 04/04/2026

Trabalho

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