“QUANDO A MÃE É PRESA A CASA CAI” – REFLEXÕES SOBRE A REDE DE POLÍTICAS SOCIAIS QUE ACOMPANHA O PROCESSO DE SEPARAÇÃO DE MULHERES-MÃES E BEBÊS EM SITUAÇÃO DE CÁRCERE

Publicado em 26/09/2021 - ISBN: 978-65-5941-340-9

Título do Trabalho
“QUANDO A MÃE É PRESA A CASA CAI” – REFLEXÕES SOBRE A REDE DE POLÍTICAS SOCIAIS QUE ACOMPANHA O PROCESSO DE SEPARAÇÃO DE MULHERES-MÃES E BEBÊS EM SITUAÇÃO DE CÁRCERE
Autores
  • luiza ribeiro pinto ferreira
Modalidade
Comunicação Oral
Área temática
GT 26 | Psicologia Política e Políticas Públicas Sociais em tempos de políticas de austeridade e conservadorismo
Data de Publicação
26/09/2021
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/sbpp/383700-quando-a-mae-e-presa-a-casa-cai--reflexoes-sobre-a-rede-de-politicas-sociais-que-acompanha-o-processo-de-separ
ISBN
978-65-5941-340-9
Palavras-Chave
políticas socias, genocídio, sofrimento político
Resumo
O presente resumo parte do mestrado em andando que tem como campo de pesquisa o acompanhamento de duas duplas de mulheres-mães e seus bebês em situação de cárcere e a rede de políticas sociais que se enoda a partir da separação imposta pelo Estado quando pessoas gestantes ou com bebês são presas e obrigadas a entregar seus filhos e filhas para Serviços de Acolhimento Institucional (Estado) ou para familiares, geralmente na figura das avós ou tias. Ao acompanhar os itinerários dessas duplas e articular a rede de políticas sociais que supostamente garantiria os direitos dessas mulheres-mães e bebês fica em relevo que esse processo de separação imposta é continuidade do projeto colonial e, logo, sustentado pelo racismo estrutural como engrenagem fundamental para a reprodução do capitalismo em sua particularidade brasileira. Se temos a dinâmica genocida do Estado, que aniquilou corpos e saberes, é verdade também que a população outrora escravizada e que constitui a classe trabalhadora é agente ativa na formação nacional. No caso das políticas públicas, foram criadas e conquistadas a partir dos movimentos sociais protagonizados pela classe trabalhadora composta sobretudo pelo movimento de mulheres negras, como é o caso do SUS, SUAS, a luta por educação básica, dentre outras conquistas no âmbito da institucionalidade. Foram forjadas desde o marco da Constituição de 1988 dispositivos que garantem a participação da sociedade civil nas políticas públicas, que se encontram, hoje em dia, enfraquecidos e pouco operativos no cotidiano de quem é trabalhador(a) da rede sócio assistencial. Assim, no avesso da face genocida do Estado, que nesse caso se manifesta a partir do rompimento de laços e da negação à maternidade de mulheres negras, estaria a possibilidade de uma escuta das profissionais das políticas sociais na direção da sustentação da singularidade e contrária a lógica que individualiza, culpabiliza e não reconhece o intenso sofrimento produzido no laço social. No entanto, o que era para ser avesso e fazer frente ao aniquilamento produzido pelo próprio Estado se torna praticamente face da mesma moeda em tempos de avanço neoliberal. No interior dos serviços que atendem aquelas que são violentadas pelo Estado se sobrepõe o cuidado colonial, que parte de uma lógica individualizante ao não reconhecer a historicidade presente na singularidade de cada “usuária” das políticas sociais. Isso não se dá sem tensionamentos internos na própria rede de serviços, sobretudo quando uma equipe está pautada em certo olhar que racializa a escuta, e a outra não, embora ambas atendam a mesma pessoa. Sem uma direção ética comum que sustente um projeto de cuidado intersetorial que considere a raça, classe e gênero como categorias que se interssecionam e informam a produção de sofrimento as políticas sociais acabam por reproduzir lógicas que reinteram a violência que constitui a própria formação do Estado. Pretende-se então refletir em quais direções fortalecer as políticas sociais em tempos ultra conservadores?
Título do Evento
XI Simpósio Brasileiro de Psicologia Política | Ofensivas anti-democráticas, colonialidade, experiências de subjetivação política e a crise da democracia no Brasil
Título dos Anais do Evento
Anais do XI Simpósio Brasileiro de Psicologia Política
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FERREIRA, luiza ribeiro pinto. “QUANDO A MÃE É PRESA A CASA CAI” – REFLEXÕES SOBRE A REDE DE POLÍTICAS SOCIAIS QUE ACOMPANHA O PROCESSO DE SEPARAÇÃO DE MULHERES-MÃES E BEBÊS EM SITUAÇÃO DE CÁRCERE.. In: Anais do XI Simpósio Brasileiro de Psicologia Política. Anais...Belo Horizonte(MG) Online, 2021. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/sbpp/383700-QUANDO-A-MAE-E-PRESA-A-CASA-CAI--REFLEXOES-SOBRE-A-REDE-DE-POLITICAS-SOCIAIS-QUE-ACOMPANHA-O-PROCESSO-DE-SEPAR. Acesso em: 31/05/2026

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