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Apresentação
É com grande júbilo que apresentamos à comunidade acadêmica e eclesiástica o volume inaugural da revista Historia Sacra. O nascimento deste periódico, neste ano de 2025, não é obra do acaso, mas fruto de uma celebração histórica: os 1.700 anos do Concílio de Niceia. Motivados por este marco fundamental para a cristandade, ocidental e oriental, a Faculdade Luterana Concórdia de São Leopoldo em parceria com o Seminário Concórdia de São Leopoldo convocaram o I Simpósio Internacional de História da Igreja, realizado nos dias 25 e 26 de junho de 2025 de forma híbrida.
Esta edição reúne os frutos das reflexões teológicas e históricas partilhadas durante estes dois dias de intenso debate acadêmico, organizados aqui conforme a cronologia de suas apresentações no evento.
Os trabalhos do dia 25 de junho iniciaram-se sob a condução do Rev. Me. Alan Fürst, que nos brindou com uma devoção baseada no livro do profeta Isaías. Fürst recordou-nos que a fé cristã não é uma invenção humana, mas um depósito divino confiado aos santos, exortando-nos a “batalhar pela fé” com a mesma diligência daqueles que nos precederam. Ele enfatizou que, assim como em Niceia, a igreja contemporânea é chamada a confessar e preservar este tesouro inalterável diante dos desafios do presente.
Na sequência, tivemos a conferência do Dr. Samuel Fernández da PUC do Chile, intitulada “Eusebio de Cesarea y el Concilio de Nicea, una nueva reconstrucción”. Embora este texto não conste nesta publicação, é imperativo mencionar sua relevância para o simpósio, pois ofereceu uma base crítica e historiográfica essencial para as discussões subsequentes sobre a figura de Eusébio e seu papel no concílio.
Dando continuidade aos debates, o Dr. Glen Thompson apresentou o artigo “Eyewitnesses to History: The Council of Nicaea in the Ancient Sources”. Thompson conduziu-nos a um exame minucioso das fontes primárias, focando nas testemunhas oculares do concílio, a saber, o imperador Constantino, o bispo Eusébio de Cesareia e o então diácono Atanásio de Alexandria. Thompson demonstrou como, apesar das diferenças de perspectiva e interesses, esses relatos concordam nos pontos fundamentais, conferindo credibilidade ao que sabemos hoje sobre o primeiro concílio ecumênico.
No período da tarde, o Dr. Antônio Sagrado Bogaz abordou o tema “O Concílio de Niceia e Suas Implicações na Vida Litúrgica”. Bogaz destacou como o concílio buscou a unidade não apenas dogmática, mas também celebrativa, especialmente na unificação da data da Páscoa e na uniformidade dos ritos, moldando a identidade litúrgica da igreja para os séculos vindouros.
Encerrando o primeiro dia, o Dr. Joel Elowsky apresentou o tema “Cyril of Alexandria’s Nicene Exegesis of John 17”. Elowsky explorou a cristologia de Cirilo, demonstrando como o patriarca alexandrino utilizou a teologia nicena para interpretar a oração sacerdotal de Cristo. O estudo diferenciou a unidade essencial (homoousios) entre o Pai e o Filho da unidade pela graça concedida aos crentes, reafirmando a importância da encarnação para a restauração da imagem de Deus na humanidade.
O segundo dia teve início com a palestra da Dra. Luise Marion Frenkel, intitulada “O Concílio de Niceia nas Províncias Orientais e além das Fronteiras Romanas”. Frenkel desafiou a narrativa tradicional de uma cristianização uniforme, voltando seu olhar para a paisagem siríaca e persa. Sua análise revelou como a recepção de Niceia nessas regiões foi complexa, muitas vezes secundária em relação a disputas locais, e como a historiografia posterior construiu a importância do concílio nessas fronteiras.
Seguiu-se um painel conduzido pelo aluno Gustavo Dreyer, membro do Grupo de Pesquisa em História da Igreja da Faculdade Luterana Concórdia. Ele apresentou a pesquisa intitulada “Entre o Uno e o Múltiplo: A Influência Filosófica na Teologia dos Pais da Igreja”. Em sua exposição, Dreyer discutiu a complexa relação entre o pensamento filosófico e a teologia cristã, investigando, a partir de dados linguísticos, a possível influência das categorias filosóficas na formulação dos conceitos teológicos.
Por fim, o evento culminou com o lançamento oficial desta revista, marcado pela apresentação da obra “O Senhor da História”, do artista e teólogo Samuel Horst. Em seu texto explicativo, Horst detalha a concepção da pintura que ilustra nossa identidade visual. A obra centraliza o Cristo à porta da Igreja, segurando as Escrituras, reafirmando que Ele não é apenas um personagem do passado, mas o Deus ativo que governa o tempo e a história, conectando a memória dos santos ao futuro escatológico.
Além dos textos mencionados acima, trazemos ainda o texto devocional do Rev. Lucas Prando. Este devocional serviu de encerramento dos simpósios de 2025 da Faculdade Luterana Concórdia e do Seminário Concórdia e conduz o leitor a pensar sobre o significado da igreja.
Entregamos, assim, a primeira edição de Historia Sacra, esperando que estes textos sirvam de edificação e aprofundamento para todos aqueles que amam a história da Igreja e confessam o Senhor da História.
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Responsável
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