VIOLÊNCIA, LUTO E RACISMO: “UM DIA AINDA ENTRA EM DESUSO MATAR GENTE”

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2296-5

Título do Trabalho
VIOLÊNCIA, LUTO E RACISMO: “UM DIA AINDA ENTRA EM DESUSO MATAR GENTE”
Autores
  • Rose Brito
Modalidade
Resumo
Área temática
GT1: Racismo e Democracia em debate
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1433303-violencia-luto-e-racismo--um-dia-ainda-entra-em-desuso-matar-gente
ISBN
978-65-272-2296-5
Palavras-Chave
violência, luto, racismo
Resumo
O presente trabalho analisa o luto das mulheres negras na maior chacina do Brasil, que ocorreu em 28 de outubro de 2025, nas comunidades da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A partir da metodologia baseada na ética dos relatos será possível realizar uma leitura interseccional de raça, gênero e classe sobre a referida violência policial. Com referencial teórico na obra da escritora feminista nigeriana Chimamanda Ngozi Adicies: “Notas sobre o luto”. Em uma entrevista, um morador afirmou com indignação: “O Brasil deveria parar.” No entanto, o que se verificou nas mídias oficiais foi o discurso de "operação de contenção do CV” e nas redes sociais o apoio de simpatizantes da extrema direita às execuções e a política de extermínio do Governo Castro. Mônica Cunha publicou o texto “A fábrica de luto do racismo onde mães negras não têm direito ao choro”, em que afirma que o Estado do Rio de Janeiro é um ‘fabricador’ de vítimas. O Estado cria pessoas que obrigatoriamente terão de viver um luto eterno. Em uma entrevista, uma moradora repetia a frase: “A mata cheira à morte. A mata cheira à morte” e acrescentava: “nossa comunidade está de luto. Mesmo assim, morto, a gente ainda deveria ter o direito de encerrar nosso luto com dignidade. Estamos há dias tentando encerrar isso e essa espera não acaba”. Essa injustiça social, injustiça econômica é também uma injustiça epistêmica. Na obra “Quadros de Guerras”, Butler defende que a vida é passível de luto quando a possibilidade do luto é um pressuposto das vidas que importam. Uma vida que é negada, invisibilizada, não será chorada quando for perdida. Na obra “Mortos a obra”, Despret defende a tese que os mortos exigem justiça. Criam resistência na luta contra o esquecimento. Seguem atuando. Ativando relações entre passado, presente e futuro. O luto, portanto, pode criar mundos comuns, alianças entre vivos e mortos, na luta por reparação e justiça. Nesse sentido, o trabalho apresenta o luto também como forma de agenciamento, para além da doxa psicologizante e da episteme freudiana do “trabalho de luto”. Na conclusão, é criticada a forma racista como o Estado administra não só a vida, como também, a morte de certas populações e comunidades no Brasil.
Título do Evento
Lutas Sociais e Democracia: Desafios do mundo contemporâneo
Cidade do Evento
Recife
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BRITO, Rose. VIOLÊNCIA, LUTO E RACISMO: “UM DIA AINDA ENTRA EM DESUSO MATAR GENTE”.. In: Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo. Anais...Recife(PE) UFPE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1433303-VIOLENCIA-LUTO-E-RACISMO--UM-DIA-AINDA-ENTRA-EM-DESUSO-MATAR-GENTE. Acesso em: 21/06/2026

Trabalho

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