CIDADE EM DISPUTA: INTERSECCIONALIDADE, JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL E REINVENÇÕES DA DEMOCRACIA URBANA

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2296-5

Título do Trabalho
CIDADE EM DISPUTA: INTERSECCIONALIDADE, JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL E REINVENÇÕES DA DEMOCRACIA URBANA
Autores
  • Alice Galindo Dalto Costa
Modalidade
Resumo
Área temática
GT3: Espaços participativos na cidade: práticas e reinvenções da democracia urbana
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1432236-cidade-em-disputa--interseccionalidade-justica-socioambiental-e-reinvencoes-da-democracia-urbana
ISBN
978-65-272-2296-5
Palavras-Chave
cidade, interseccionalidade, desigualdades urbanas, democracia urbana, direito à cidade.
Resumo
A partir de uma revisão bibliográfica, este trabalho discute como as vivências urbanas são atravessadas por subjetividades, desigualdades estruturais e disputas em torno do direito à cidade, articulando-as às formas de participação, sejam elas formais ou informais, responsáveis por moldar a vida urbana contemporânea. Partimos da compreensão de que o pertencimento, o acesso aos espaços e as possibilidades de mobilidade são mediadas por marcadores sociais da diferença, especialmente gênero, raça e classe, que definem quem pode circular, permanecer ou ser reconhecido na cidade. Ao dialogar com alguns autores como Henri Lefebvre, Maurice Halbwachs, Georg Simmel e Fraya Frehse, argumentamos que o espaço urbano não possui valor intrínseco: ele é continuamente produzido e ressignificado pelas práticas, memórias e afetos de seus habitantes, constituindo-se também como um campo simbólico no qual hierarquias sociais se materializam. Para aprofundar essa discussão, recorremos aos dados sistematizados pelo Instituto Pólis, que evidenciam como o racismo ambiental estrutura a distribuição desigual de riscos, infraestruturas e vivências no espaço urbano brasileiro. Esses levantamentos demonstram que populações negras e periféricas concentram maiores índices de exposição a enchentes, poluição, insegurança habitacional e longas distâncias de deslocamento, ao mesmo tempo em que têm menor acesso a equipamentos públicos, áreas verdes e serviços essenciais. Ao trazê-los como referência, buscamos iluminar dinâmicas gerais que atravessam a produção da cidade e revelam como desigualdades raciais, de classe e de gênero se materializam territorialmente, configurando padrões de exclusão e vulnerabilização que não se restringem a casos pontuais, mas expressam uma racionalidade urbana que define quem pode permanecer, circular e ser reconhecido como sujeito político legítimo. Essas evidências permitem compreender como injustiças materiais e simbólicas se renovam cotidianamente e moldam as possibilidades de participação e disputa democrática no território urbano. Nesse contexto, práticas participativas e formas coletivas de resistência, como o movimento Ocupe Estelita no Recife, tornam-se fundamentais para compreender a democracia urbana como arena de conflito e invenção. A atuação do movimento, ao contestar o projeto de reconfiguração do Cais José Estelita e reivindicar transparência, moradia digna e direito à cidade, evidencia como coletivos urbanos podem se constituir como atores políticos centrais na disputa pelos rumos da cidade. Longe de representar um caso isolado, o Ocupe Estelita integra um conjunto mais amplo de lutas que confrontam interesses privados e projetos urbanos orientados por agendas neoliberais, tensionando formas hegemônicas de produção do espaço. Ao mobilizar práticas participativas, ocupar o território e reivindicar processos decisórios mais transparentes e inclusivos, o movimento aponta formas de atuação política no contexto urbano em cidades do Sul global, ampliando o debate sobre quem tem legitimidade para decidir a cidade e em que termos ela deve ser construída. Assim, ao articular direito à cidade, interseccionalidade, justiça socioambiental e participação urbana, argumentamos que a produção do espaço envolve tanto exclusões quanto resistências. Compreender essas dinâmicas é fundamental para refletir sobre os limites e potencialidades de práticas participativas na construção de cidades mais justas, plurais e democraticamente vivenciadas.
Título do Evento
Lutas Sociais e Democracia: Desafios do mundo contemporâneo
Cidade do Evento
Recife
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

COSTA, Alice Galindo Dalto. CIDADE EM DISPUTA: INTERSECCIONALIDADE, JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL E REINVENÇÕES DA DEMOCRACIA URBANA.. In: Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo. Anais...Recife(PE) UFPE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1432236-CIDADE-EM-DISPUTA--INTERSECCIONALIDADE-JUSTICA-SOCIOAMBIENTAL-E-REINVENCOES-DA-DEMOCRACIA-URBANA. Acesso em: 21/06/2026

Trabalho

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