GÊNERO, VIOLÊNCIA E MEMÓRIA: REVISANDO AS NARRATIVAS DA DITADURA MILITAR PERNAMBUCANA PARA UMA JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO INCLUSIVA.

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2296-5

Título do Trabalho
GÊNERO, VIOLÊNCIA E MEMÓRIA: REVISANDO AS NARRATIVAS DA DITADURA MILITAR PERNAMBUCANA PARA UMA JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO INCLUSIVA.
Autores
  • Maria Carolina Barreto Bezerra
Modalidade
Resumo
Área temática
GT2: Gênero, sexualidade e erosão democrática na contemporaneidade: efeitos, atores e resistências
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1432042-genero-violencia-e-memoria--revisando-as-narrativas-da-ditadura-militar-pernambucana-para-uma-justica-de-transi
ISBN
978-65-272-2296-5
Palavras-Chave
Gênero, Violência, Justiça de Transição, Narrativa
Resumo
A pesquisa investiga o papel das mulheres e as dinâmicas de gênero na justiça de transição brasileira, com foco na repressão durante a ditadura militar (1964–1985) e na realidade pernambucana. Partindo do entendimento de que a justiça de transição deve promover verdade, memória, responsabilização e reparação, o estudo destaca que esses processos permanecem incompletos quando não incorporam uma perspectiva de gênero capaz de revelar desigualdades estruturais e violências específicas. Apoiada em autoras como Lourdes Bandeira, Nancy Fraser e Judith Butler, a pesquisa demonstra que as experiências femininas foram historicamente marginalizadas tanto nos discursos oficiais quanto na memória coletiva, resultando em políticas de reparação insuficientes e pouco sensíveis às particularidades das mulheres perseguidas politicamente. A metodologia adotada, de natureza dedutiva e baseada em amostragem, reuniu revisão bibliográfica e, principalmente, a análise documental. Foram examinados relatórios da Comissão Nacional da Verdade, documentos do CENIMAR e arquivos da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara. A categorização do material enfatizou temas como violência sexual, resistência feminina, apagamento institucional e políticas de reparação. Casos como os de Ranuzia Alves Rodrigues e Soledad Barrett Viedma evidenciam como a narrativa estatal priorizou sua classificação como “subversivas” ou “terroristas”, apagando tanto os elementos de violência de gênero quanto o protagonismo dessas mulheres na luta política. Os resultados revelam um padrão consistente de invisibilização: a violência de gênero foi tratada como dano colateral, quando, na prática, constituiu instrumento central de controle político e dominação patriarcal. Torturas sexuais, humilhações de cunho misógino e estigmatizações morais foram amplamente utilizadas contra mulheres militantes, mas raramente reconhecidas nos registros oficiais. Além disso, mesmo em processos contemporâneos de justiça de transição, o enfoque permanece majoritariamente neutro ou masculino, deixando de contemplar desigualdades que moldaram as vivências femininas durante o regime militar. A discussão demonstra que políticas de memória e reparação precisam articular redistribuição e reconhecimento, como propõe Fraser, incorporando também perspectivas interseccionais que compreendam como gênero, classe e nacionalidade influenciaram as formas de repressão. A ausência dessa abordagem limita não apenas o alcance simbólico da justiça, mas também sua capacidade de prevenir a repetição de violações. Conclui-se que a construção de uma justiça de transição mais justa e completa depende do resgate ativo das histórias das mulheres, da visibilização das violências específicas que sofreram e da reformulação de políticas públicas que contemplem suas demandas. Ao recuperar essas memórias silenciadas, a pesquisa contribui para o fortalecimento da democracia, ampliando o entendimento sobre o passado e criando bases mais sólidas para a igualdade de gênero no presente.
Título do Evento
Lutas Sociais e Democracia: Desafios do mundo contemporâneo
Cidade do Evento
Recife
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BEZERRA, Maria Carolina Barreto. GÊNERO, VIOLÊNCIA E MEMÓRIA: REVISANDO AS NARRATIVAS DA DITADURA MILITAR PERNAMBUCANA PARA UMA JUSTIÇA DE TRANSIÇÃO INCLUSIVA... In: Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo. Anais...Recife(PE) UFPE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1432042-GENERO-VIOLENCIA-E-MEMORIA--REVISANDO-AS-NARRATIVAS-DA-DITADURA-MILITAR-PERNAMBUCANA-PARA-UMA-JUSTICA-DE-TRANSI. Acesso em: 21/06/2026

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