HÁ ESPAÇO PARA RESISTÊNCIA? OFENSIVAS ANTIGÊNERO, QUEDA DA DEMOCRACIA E O PAPEL DA ESCOLA NA FORMAÇÃO CRÍTICA

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2296-5

Título do Trabalho
HÁ ESPAÇO PARA RESISTÊNCIA? OFENSIVAS ANTIGÊNERO, QUEDA DA DEMOCRACIA E O PAPEL DA ESCOLA NA FORMAÇÃO CRÍTICA
Autores
  • Laura Victória Rodrigues da Silva
  • Alberth Alexsander da Silva Pereira
Modalidade
Resumo
Área temática
GT2: Gênero, sexualidade e erosão democrática na contemporaneidade: efeitos, atores e resistências
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1429713-ha-espaco-para-resistencia-ofensivas-antigenero-queda-da-democracia-e-o-papel-da-escola-na-formacao-critica
ISBN
978-65-272-2296-5
Palavras-Chave
Gênero, Democracia, Educação
Resumo
Este trabalho busca compreender como as ofensivas antigênero se articulam à ascensão da extrema-direita e à fragilização da democracia no Brasil contemporâneo. Trata-se de um estudo qualitativo, consistindo em uma revisão bibliográfica, cuja análise parte de um conjunto de autoras e autores que oferecem ferramentas conceituais para compreender a disputa político-cultural e seus efeitos sobre a educação, especialmente Judith Butler (2024), Felipe Nunes e Thomas Traumann (2023), Berenice Bento (2006), bell hooks (2013) e Paulo Freire (1996). Partindo de Butler (2024), entende-se que a retórica reacionária sobre gênero opera como tecnologia política voltada à fabricação de pânico moral e à legitimação de hierarquias tradicionais. O gênero é construído como ameaça difusa, o que permite à extrema-direita consolidar discursos autoritários sob a aparência de defesa da família ou da ordem. Nunes e Traumann (2023) explicitam como a polarização afetiva e a “calcificação” das identidades políticas intensificam essas disputas. A radicalização moral e o pertencimento identitário tornam esses discursos de controle de gênero um marcador de coesão para grupos extremistas, contribuindo para sua força mobilizadora, especialmente nos ataques à escola e às políticas educacionais. Bento (2006) é mobilizada a fim de aprofundar a dimensão material dessas ofensivas ao demonstrar que elas integram um regime cisheteronormativo que administra vidas e restringe acessos à dignidade. A disputa em torno do gênero é, portanto, uma disputa sobre quais corpos podem existir plenamente na esfera pública. Finalmente, hooks (2013) e Freire (1996) ajudam a situar a educação como espaço-chave dessa disputa e como instrumento de formação democrática. hooks (2013) enfatiza a educação como prática de liberdade e de produção de sujeitos críticos, enquanto Freire (1996) mostra que todo processo formativo é político e, por isso, alvo de tentativas de controle por forças autoritárias. A escola torna-se, assim, um território estratégico: não apenas um alvo de ataques, mas também um espaço onde é possível promover debates, fortalecer a cidadania e formar indivíduos capazes de resistir às narrativas conservadoras e às ofensivas contra a pauta de gênero. Conclui-se que a articulação entre essas estratégias de controle de gênero, polarização identitária e disputa cultural constitui um dos eixos centrais do desgaste da democracia. Fortalecer práticas educativas plurais e políticas culturais inclusivas é fundamental para a recomposição democrática e para a afirmação da dignidade de corpos e vidas historicamente vulnerabilizadas.
Título do Evento
Lutas Sociais e Democracia: Desafios do mundo contemporâneo
Cidade do Evento
Recife
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Laura Victória Rodrigues da; PEREIRA, Alberth Alexsander da Silva. HÁ ESPAÇO PARA RESISTÊNCIA? OFENSIVAS ANTIGÊNERO, QUEDA DA DEMOCRACIA E O PAPEL DA ESCOLA NA FORMAÇÃO CRÍTICA.. In: Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo. Anais...Recife(PE) UFPE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1429713-HA-ESPACO-PARA-RESISTENCIA-OFENSIVAS-ANTIGENERO-QUEDA-DA-DEMOCRACIA-E-O-PAPEL-DA-ESCOLA-NA-FORMACAO-CRITICA. Acesso em: 21/06/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes