CORPOS EM EXÍLIO: A SOLIDÃO DA MULHER NEGRA COMO EXPRESSÃO DO RACISMO E DO SEXISMO

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2296-5

Título do Trabalho
CORPOS EM EXÍLIO: A SOLIDÃO DA MULHER NEGRA COMO EXPRESSÃO DO RACISMO E DO SEXISMO
Autores
  • Natali De Moura Nascimento
Modalidade
Resumo
Área temática
GT1: Racismo e Democracia em debate
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1429293-corpos-em-exilio--a-solidao-da-mulher-negra-como-expressao-do-racismo-e-do-sexismo
ISBN
978-65-272-2296-5
Palavras-Chave
Racismo; sexismo; Solidão feminina negra; Racismo estrutural; Hiperssexualização;
Resumo
Este artigo analisa a solidão da mulher negra como um fenômeno estrutural e interseccional, produzido pela articulação entre racismo e sexismo que molda, historicamente, as relações sociais no Brasil. Partindo do diálogo com autoras como bell hooks, Sueli Carneiro, Angela Davis, Patricia Hill Collins e Kimberlé Crenshaw, argumenta-se que essa solidão não é fruto de escolhas individuais, mas resultado direto de uma lógica colonial que organiza quem pode ser amado, reconhecido, protegido ou legitimado socialmente. Assim, a solidão é compreendida como um exílio imposto: um afastamento simbólico dos espaços de afeto, pertencimento e humanidade. No campo afetivo, a pesquisa evidencia a persistência do preterimento da mulher negra, expressa em discursos como “branca para casar, preta para…”, que traduzem a distribuição racializada do amor e do desejo. A hiperssexualização histórica, herança da escravidão e da violência sexual contra mulheres negras, ainda estrutura imaginários contemporâneos, relegando-as ao lugar de aventura sexual, suporte emocional ou experiência momentânea, mas raramente de parceria legítima. Essa dinâmica é reforçada pelo racismo estético, que privilegia traços eurocentrados e produz exclusão afetiva, ao mesmo tempo em que aprofunda feridas emocionais e compromete a construção da autoestima. A solidão também se manifesta na maternidade, marcada pela recorrência da maternidade solo entre mulheres negras, compreendida não como coincidência individual, mas como resultado de abandono afetivo intergeracional e negligência masculina racializada. Soma-se a isso a patrulha moral que incide sobre relações inter-raciais, evidenciando o controle social sobre os afetos da mulher negra. No espaço social e profissional, essa solidão se expressa por meio do mito da “mulher negra forte” ou “agressiva”, que legitima a desconsideração de suas emoções e o silenciamento de suas dores. Muitas mulheres negras relatam ser interrompidas, ignoradas ou tratadas como excessivamente sensíveis quando nomeiam violências raciais. Como aponta Patricia Hill Collins, trata-se de uma forma de controle epistêmico que nega às mulheres negras a condição de produtoras legítimas de conhecimento. Além disso, a pressão da representatividade, ser a única mulher negra em determinados ambientes, intensifica a sensação de isolamento e vigilância constante, compondo a solidão profissional. O artigo também aborda a solidão extrema vivida por mulheres negras encarceradas, que enfrentam abandono afetivo quase imediato, negligência institucional e estigmas que as punem não apenas por infringir a lei, mas por violar expectativas de gênero. O encarceramento revela como raça, gênero e pobreza se entrecruzam, aprofundando a desumanização e o isolamento. Por fim, discute-se o silenciamento como dispositivo de controle, que impede a elaboração coletiva da dor e naturaliza violências históricas. Romper esse silêncio, portanto, é um ato político de resistência. O estudo conclui que combater a solidão da mulher negra é enfrentar o racismo estrutural e construir redes de apoio, afirmação identitária, espaços seguros e políticas públicas que reconheçam sua humanidade e seu direito ao afeto.
Título do Evento
Lutas Sociais e Democracia: Desafios do mundo contemporâneo
Cidade do Evento
Recife
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NASCIMENTO, Natali De Moura. CORPOS EM EXÍLIO: A SOLIDÃO DA MULHER NEGRA COMO EXPRESSÃO DO RACISMO E DO SEXISMO.. In: Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo. Anais...Recife(PE) UFPE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1429293-CORPOS-EM-EXILIO--A-SOLIDAO-DA-MULHER-NEGRA-COMO-EXPRESSAO-DO-RACISMO-E-DO-SEXISMO. Acesso em: 21/06/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes