A ASCENSÃO DA EXTREMA-DIREITA, A INTENSIFICAÇÃO DA EXPLORAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA E A CRISE CONTEMPORÂNEA DA DEMOCRACIA

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2296-5

Título do Trabalho
A ASCENSÃO DA EXTREMA-DIREITA, A INTENSIFICAÇÃO DA EXPLORAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA E A CRISE CONTEMPORÂNEA DA DEMOCRACIA
Autores
  • Camila Marinho de Lima
Modalidade
Resumo
Área temática
GT5: Sob as sombras do Leviatã: ascensão da extrema-direita e a crise da democracia
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1425639-a-ascensao-da-extrema-direita-a-intensificacao-da-exploracao-da-classe-trabalhadora-e-a-crise-contemporanea-da-
ISBN
978-65-272-2296-5
Palavras-Chave
Extrema-direita, neoliberalismo progressista, crise da democracia, redistribuição e reconhecimento, precarização do trabalh
Resumo
O presente trabalho tem como objetivo responder a pergunta: há relação entre a ascensão da extrema-direita, a intensificação da exploração da classe trabalhadora e a crise contemporânea da democracia? A metodologia adotada é qualitativa, baseada em revisão bibliográfica que abrange referências teóricas vinculadas à sociologia política e teoria crítica. Sendo assim, para a filósofa Nancy Fraser o capitalismo vive uma crise estrutural que combina dimensões econômicas, políticas e sociais, atravessadas pelo que ela denomina de neoliberalismo progressista, ou seja, uma aliança entre elites econômicas e setores da classe média profissional que defendem pautas identitárias de reconhecimento, mas mantêm e naturalizam a lógica neoliberal de aprofundamento da desigualdade material. Essa combinação produz um terreno fértil para o ressentimento social, que a extrema-direita instrumentaliza habilmente. Nesse sentido, a ascensão da extrema-direita não é apenas consequência de transformações econômicas, mas de um desalinhamento entre redistribuição e reconhecimento, tal como analisa Fraser. Quando a política hegemônica privilegia discursos identitários esvaziados de conteúdo material, ao mesmo tempo em que mantém a precarização do trabalho e o desmonte de direitos sociais, abre-se espaço para a captura afetiva de grupos que se sentem abandonados. A extrema-direita aparece, então, como falsa resposta aos danos produzidos pelo neoliberalismo, oferecendo explicações rápidas, identidades rígidas e narrativas emocionais de pertencimento. É por essa razão que a classe trabalhadora, imersa em jornadas extensas e longos deslocamentos entre sua casa e o local de trabalho, tem pouco tempo para desenvolver a reflexão crítica necessária ao exercício da cidadania. Nesse contexto, narrativas meritocráticas simplificadas que prometem ascensão individual apesar da realidade estrutural encontram enorme receptividade. Mesmo que apenas uma minoria ínfima realmente ascenda, a promessa do “sucesso pelo esforço” se mantém como mito mobilizador. Associado a isso, a grande mídia, conforme analisa Marilena Chauí, opera como aparelho ideológico que reproduz interesses das elites e difunde uma cultura de despolitização. Ao reforçar perspectivas que naturalizam desigualdades e criminalizam movimentos sociais, contribui para a alienação e para a consolidação de discursos de ódio e pânicos morais, que são ingredientes centrais da retórica da extrema-direita contemporânea. Com base nisso, é fato que esses fatores incidem diretamente sobre o Estado Democrático de Direito. Isso ocorre, pois na crise democrática, o sistema político deixa de ser visto como capaz de responder às necessidades das pessoas comuns, abrindo espaço para pensamentos autoritários que prometem restaurar uma “ordem perdida”. Sendo assim, a extrema-direita consegue mobilizar afetos e captar votos mesmo enquanto propõe políticas que aprofundam a exploração e enfraquecem direitos sociais. Portanto, a ascensão da extrema-direita envolve uma articulação entre precarização neoliberal, captura emocional pelas mídias digitais e crise da representação política. Com isso, percebe-se que a democracia entra em colapso quando se rompe a coordenação entre redistribuição e reconhecimento, quando o trabalho é precarizado e quando a esfera pública é capturada por narrativas que impedem a análise crítica da realidade social. Nesse cenário, a extrema-direita emerge como sintoma e catalisador da crise estrutural do capitalismo, reforçando desigualdades e ameaçando os fundamentos democráticos.
Título do Evento
Lutas Sociais e Democracia: Desafios do mundo contemporâneo
Cidade do Evento
Recife
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LIMA, Camila Marinho de. A ASCENSÃO DA EXTREMA-DIREITA, A INTENSIFICAÇÃO DA EXPLORAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA E A CRISE CONTEMPORÂNEA DA DEMOCRACIA.. In: Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo. Anais...Recife(PE) UFPE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1425639-A-ASCENSAO-DA-EXTREMA-DIREITA-A-INTENSIFICACAO-DA-EXPLORACAO-DA-CLASSE-TRABALHADORA-E-A-CRISE-CONTEMPORANEA-DA-. Acesso em: 19/06/2026

Trabalho

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