A FABRICAÇÃO DO INIMIGO URBANO: JUVENTUDE RUEIRA, CONTRACONDUTAS E OS LIMITES DA DEMOCRACIA METROPOLITANA

Publicado em 27/03/2026 - ISBN: 978-65-272-2296-5

Título do Trabalho
A FABRICAÇÃO DO INIMIGO URBANO: JUVENTUDE RUEIRA, CONTRACONDUTAS E OS LIMITES DA DEMOCRACIA METROPOLITANA
Autores
  • Danilo Tenório Quintino
  • MARCONDES DOS RAMOS SANTOS FILHO
  • Raphael Alves Melo
Modalidade
Resumo
Área temática
GT1: Racismo e Democracia em debate
Data de Publicação
27/03/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1418655-a-fabricacao-do-inimigo-urbano--juventude-rueira-contracondutas-e-os-limites-da-democracia-metropolitana
ISBN
978-65-272-2296-5
Palavras-Chave
Juventude, democracia, contraconduta, antisistêmico
Resumo
A intensificação das desigualdades sociais e a crise da representação política no cenário contemporâneo projetam as manifestações da juventude metropolitana como focos cruciais de análise da luta social. Uma parcela da juventude, denominada "rueira", materializa, em suas práticas e sociabilidade, um caráter fundamentalmente antisistêmico. Através de expressões como o pixo, os grupos de bate-bola, o funk (baile de corredor) e os skatistas, esses coletivos contestam a ordem hegemônica da cidade. Este trabalho tem por objetivo analisar como essas condutas culturais, ao apropriarem-se e reconfigurarem o espaço público, constituem uma micropolítica de resistência que desafia o status quo e critica a invisibilidade social imposta pelo ambiente urbano funcional. Argumenta-se que a reação repressiva e a consequente criminalização dessas práticas, observadas no Sul Global, configuram um processo de "fabricação do inimigo urbano". Este processo, por sua vez, expõe os limites de uma compreensão restrita da democracia, recorrendo a referenciais da criminologia crítica e da sociologia do imaginário para explorar as chaves conceituais da contraconduta, da estética periférica e da sociabilidade coletiva. ?O território da rua é transformado de mero espaço de trânsito em um palco político e cultural. O pixo emerge como uma tática radical de contrainscrição, violando a estética da "fachada que defende o muro branco" e agindo como luta simbólica contra a ordem de classe e a invisibilidade social de seus autores. Sua crítica reside na imagem em si, transformando a invisibilidade em uma presença "indesejada, mas inegavelmente presente". ?De forma análoga, os skatistas desafiam a funcionalidade arquitetônica imposta. O ato de realizar manobras como o ollie sobre corrimãos e escadas ressignifica o mobiliário urbano e reivindica o Direito à Cidade para além das lógicas de consumo e trabalho, apesar do estigma de desordem e delinquência que lhes é frequentemente atribuído. ?Outros coletivos utilizam o corpo e o simbolismo mítico como eixo de resistência. Os grupos de funk (baile de corredor) constroem códigos, estéticas e territórios autônomos, configurando a sociabilidade do baile como um espaço de contestação da ordem moral. Já os grupos de bate-bola empregam objetos ambivalentes, como o bastão que move a bola/bexiga e o rojão, oscilando entre a alegoria e a arma em um "drible" subjetivo de sobrevivência que remete à dissimulação da capoeira, historicamente criminalizada. Tais ações revelam uma busca constante por uma "participação consciente" e uma sociedade diferente. ?A juventude "rueira" funciona como um barômetro da insatisfação e da exclusão social, manifestando-se em práticas que, embora não se enquadrem na política formal, carregam um potencial contestatório e antisistêmico. O estudo destas contracondutas é fundamental, pois oferece chaves analíticas para compreender como a resistência se manifesta onde a representação formal falha e como a cidade é continuamente reinventada pela ação de coletivos historicamente marginalizados. A visibilidade e o debate sobre estas práticas contribuem, portanto, para a reflexão sobre o fortalecimento da democracia em seu sentido mais amplo.
Título do Evento
Lutas Sociais e Democracia: Desafios do mundo contemporâneo
Cidade do Evento
Recife
Título dos Anais do Evento
Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

QUINTINO, Danilo Tenório; FILHO, MARCONDES DOS RAMOS SANTOS; MELO, Raphael Alves. A FABRICAÇÃO DO INIMIGO URBANO: JUVENTUDE RUEIRA, CONTRACONDUTAS E OS LIMITES DA DEMOCRACIA METROPOLITANA.. In: Anais do Seminário lutas sociais e democracia: desafios do mundo contemporâneo. Anais...Recife(PE) UFPE, 2025. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/lutas-sociais-democracia/1418655-A-FABRICACAO-DO-INIMIGO-URBANO--JUVENTUDE-RUEIRA-CONTRACONDUTAS-E-OS-LIMITES-DA-DEMOCRACIA-METROPOLITANA. Acesso em: 05/06/2026

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