Título do Trabalho
PANORAMA CULTURAL DE RIO FORTUNA
Autores
  • Danielle Eing
  • Tatiane Soethe Szlachta
Modalidade
Comunicação Oral
Área temática
GT 12 – PATRIMÔNIO CULTURAL E EDUCAÇÃO
Data de Publicação
05/12/2018
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ixsimfop/124753-panorama-cultural-de-rio-fortuna
ISSN
2175-9162
Palavras-Chave
Rio Fortuna, Patrimônio Cultural, Educação.
Resumo
INTRODUÇÃO O município de Rio Fortuna está localizado no sul do Estado de Santa Catarina. A questão do patrimônio cultural é complexa. É preciso identificar o que a população reconhece como elemento de sua identidade cultural, ampliar a visão para além da herança europeia, buscando traços herdados dos demais povos. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi identificar os elementos que compõe o patrimônio cultural de Rio Fortuna - SC, bem como, sua importância e participação na formação identidade cultural do município. Para isso fez-se necessário identificar as principais características e influências étnicas e sociais presentes na formação do município, igualmente, descrever as principais manifestações culturais e suas transformações ao longo do tempo. Por fim, foram sugeridas ações para a educação patrimonial. MATERIAIS E MÉTODOS Para identificar as influencias étnicas e sociais na formação do município, foi realizada uma pesquisa bibliográfica. Etapa fundamental para compreensão dos processos culturais imbricados no patrimônio cultural do município. Este estudo contou ainda com a uma pesquisa de campo, desenvolvida em três etapas: aplicação de questionário, entrevistas e visitas in loco. Assim foi possível identificar as principais manifestações culturais, suas transformações ao longo do tempo, e sugerir ações para a educação patrimonial. RESULTADOS As pesquisas desenvolvidas indicam que a região foi constantemente ocupada por grupos humanos desde a pré-história (FARIAS et al., 2013). Inicialmente, o território, foi ocupado por grupos caçadores-coletores seguido por sociedades ceramistas Jês – principalmente índios Laklãnõ/Xokleng. No final do século XIX começam chegar a região grupos de colonos, formados principalmente por alemães, mas também por açorianos e negros. Quanto a religião, vieram católicos e protestantes. Neste momento da história se iniciam os conflitos entre colono e indígena, que culminam na dizimação de toda a população Laklãnõ/Xokleng. Verificou-se através do questionário quantitativo que hoje a população é constituída principalmente por católicos e descendentes de europeus. A trajetória histórica e a participação de povos diversos gerou uma cultura com traços germânicos, indígenas e de outros povos, que juntos formaram uma cultura distinta, formadora da identidade rio fortunense. Dentre os elementos que compõe seu patrimônio cultural destacamos os sítios arqueológicos, evidência dos povos indígenas, a festa de São Marcos e o prédio da Escola Nossa Senhora de Fátima. Farias e Kneip (2010) catalogaram no município 48 sítios arqueológicos. Farias e Neu (2010) afirmam que neles foram encontrados muitos carvões e vários materiais líticos em arenito, datados de 850 d.C. Devido ao grau de preservação dos sítios foi possível obter informações importantíssimas para a compreensão da cultura Xokleng, como o padrão de assentamento, mobilidade e alimentação. A construção do prédio da Escola de Educação Básica Nossa Senhora de Fátima foi iniciada no ano de 1952 e concluída em 1957, contando com a colaboração da comunidade local para sua construção. Sendo um ambiente de alfabetização, um número exponencial dos munícipes foi formado no local, a edificação se destaca como patrimônio cultural da cidade, estabelecendo um laço de importante de identidade, e despertando grande valor afetivo, que foi observado durante as entrevistas. Outra manifestação cultural é a festa religiosa dedicada ao padroeiro São Marcos, criada durante a década de 1920. Inicialmente realizada no dia 25 de abril, e que mais tarde passou a ser realizada também no final de semana mais próximo a data. Muitos elementos foram mantidos, entretanto, com o passar do tempo houve a incorporação de procissão, missa e almoço. Foi perceptível durante as entrevistas, que a devoção ao padroeiro gera na comunidade uma expectativa, fazendo que o evento seja aguardado anualmente, além disso, há uma participação ativa da população com a doação de donativos e preparação dos festejos. DISCUSSÃO Hoje se encontram registros sobre a colonização alemã do município, as demais etnias mal são citadas nas bibliográficas consultadas. Neste processo, a cultura indígena é a que mais sofre, sendo menosprezada ou simplesmente excluída. Frente a essa realidade, observamos a necessidade de sensibilizar a população para que compreendam o significado e a importância da valorização e salvaguarda dos vestígios arqueológicos ligados a cultura indígena. “O monumento ou objeto que desejamos que fosse preservado, para a população, não contém implicitamente importância histórica, e essa importância deve ser construída pela sociedade que o detêm como patrimônio.” (FARIAS; KNEIP, 2010, p.281). Percebe-se logo a importância de uma educação patrimonial, principalmente no mundo atual, onde a massificação da cultura muitas vezes acaba gerando uma perda de identidade. O patrimônio cultural é um portador de memória, representa parte da história do lugar, remete as origens, marcando a trajetória histórica e preservando-a para o futuro. CONCLUSÕES O patrimônio cultural de Rio Fortuna apresenta traços de diversas etnias, mas esta diversidade acaba sendo deixada de lado quando se dá destaque aos elementos da cultura alemã. Sendo assim, é essencial trabalhar através de processos educativos, formais ou não formais, a história e cultura local nas escolas de Rio Fortuna. Desta forma, verifica-se a necessidade da produção de material e atividades didáticas que evidencie a diversidade que compõe o patrimônio cultural, tais como: livros, documentários, jogos, oficinas, visitas ao patrimônio cultural do município. REFERÊNCIAS FARIAS, Deise Scunderlick Eloy de; KNEIP, Andreas. Panorama Arqueológico de Santa Catarina. Palhoça: Editora Unisul, 2010. 306p. FARIAS, D. S. E.; NEU, M. F. R. . AMA - Arqueologia na Mata Atlântica. Os sítios arqueológicos do rio Facão, Rio Fortuna - SC. In: Encontro de Estudos sobre a Imigração Alemã, 2010, Rio Fortuna. Anais do II Encontro de Estudos sobre a Imigração Alemã - Os vales dos Rios Braço do Norte e Capivari - História Língua e Cultura. Palhoça: Unisul, 2010. p.121-150. FONSECA, Maria Cecília Londes. Para Além da Pedra e Cal: por uma concepção ampla de patrimônio cultural. In: ABREU, Regina; CHAGAS, Mário. Memória e patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: Lamparina Editora, 2009. p.59-79. LARAIA, R. B. Cultura: Um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Zahar, 2014. RICKEN, Tatiane Dircksen et al. Rio Fortuna: resgatando as origens, cultivando valores, alicerçando o futuro.... Rio Fortuna: Editora Coan, 2008. 426p. TENFEN, Roberto João. Rio Fortuna: Nossa Terra, Nossa Gente. Florianópolis: Gráfica Record, 1997. 353p.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE FORMAÇÃO DE PROFESSORES: A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NA ATUAL CONJUNTURA NACIONAL e VII Seminário Regional do Proesde Licenciaturas
Cidade do Evento
Tubarão
Título dos Anais do Evento
Anais do IX SIMFOP - Simpósio Nacional sobre Formação de Professores: a Educação Brasileira na atual conjuntura Nacional e VII Seminário Regional do Proesde Licenciaturas
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

EING, Danielle; SZLACHTA, Tatiane Soethe. PANORAMA CULTURAL DE RIO FORTUNA.. In: Anais do IX SIMFOP - Simpósio Nacional sobre Formação de Professores: a Educação Brasileira na atual conjuntura Nacional e VII Seminário Regional do Proesde Licenciaturas. Anais...Tubarão(SC) UNISUL - Universidade do Sul de Santa Catarina, 2018. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ixsimfop/124753-PANORAMA-CULTURAL-DE-RIO-FORTUNA. Acesso em: 16/05/2026

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