ENSINO DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA

Publicado em - ISBN: 978-65-272-1352-9

Título do Trabalho
ENSINO DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA
Autores
  • Gisele Moreira
  • Arlete Mendes Rosa
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
Representações do espaço no/do ensino
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix_neer/900810-ensino-de-geografia-na-educacao-de-jovens-e-adultos--eja--uma-proposta-metodologica
ISBN
978-65-272-1352-9
Palavras-Chave
Palavras-Chave: Ensino de Geografia, Metodologia, EJA
Resumo
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é essencial para alunos que não tiveram oportunidade de concluir seus estudos em tempo próprio na sua vida estudantil. Os motivos são variados abrangendo falta de tempo para os estudos por conta de elevada carga horária de trabalho, maternidade precoce, mudanças de cidade / estado, geralmente em busca de melhores condições de vida e de trabalho, rotina “pesada” estudo noturno-trabalho entre outros fatores que os levam a abandonar a escola. Em virtude de situações como essas já citadas, agrupam outros elementos que dificultam o rendimento escolar. Nosso olhar é para esse grupo de sujeitos – alunos EJA do 2º ano do ensino médio do Colégio Estadual Salvador Santos onde realizamos a prática de docência (estágio) por meio do Programa de Residência Pedagógica. Programa esse que tem como uma de suas finalidades fortalecer a formação teórico-prática de estudante de licenciatura no qual participei como residente voluntária por 3 meses (2023) e residente bolsista por 2 meses (2024). A vivência do docente em formação com a sala de aula, especialmente durante o estágio, é fundamental para a aplicação prática das teorias aprendidas. Gaspar e Silva (2018) destacam a importância dessa experiência para o desenvolvimento metodológica do professor. Este relato se baseia na experiência para além do período de estágio, no contexto do Programa Residência Pedagógica (PRP) onde o residente passa a ser de fato um regente em sala de aula com a supervisão de um orientador e professor preceptor. A EJA enfrenta desafios específicos, como a heterogeneidade das turmas, onde alunos de diferentes idades e experiências de vida coexistem. Muitos desses alunos retornam à escola após longos períodos de afastamento, enquanto outros conciliam estudos noturnos com jornadas de trabalho diurnas extenuantes. Essas circunstâncias exigem que o professor desenvolva e aplique metodologias que não apenas transmitem o conteúdo, mas que também motivem e engajem os alunos, trazendo sua experiência do dia a dia para sala de aula. Para o aluno trabalhador que busca a EJA a fim de continuar e/ou concluir seus estudos, nota-se um atraso no processo de ensino aprendizagem desses estudantes comparados a modalidade regular de ensino (fundamental e médio) que pode gerar dificuldades na compreensão dos conteúdos e na fixação dos mesmos. É uma tarefa laboriosa para os professores que objetivam, de alguma forma, alcançar o nível mínimo de compreensão da área do conhecimento que se leciona. Para os alunos codificarem e entenderem a gama de informação que lhes é ministrada a cada aula, é tarefa muitas vezes não obtida a contento. Daí nossa preocupação em pensar estratégias de ensino e metodologias aplicativas em função desse contexto de ensino aprendizagem na EJA. A meta é fazer com que os alunos possam compreender o conteúdo proposto pelo professor. Logo consideramos importante lançar mão de recursos e métodos de ensino compatíveis às necessidades dos alunos. Para que então o estudando possa compreender bem o conteúdo. No entanto para que haja uma melhor compreensão por parte do aluno a metodologia além de ser ativa a qual ajuda o aluno a aprender de forma autônoma e participativa deve-se incluir a realidade do aluno. Assim o mesmo se sentirá parte do conteúdo pois terá o seu espaço de vivência e convivência representado em sala de aula. Na Geografia metodologias ativas que podem ser utilizadas são: Estudos de caso, sala de aula invertida, trabalho de campo, mapas mentais entre outras. A proposta de metodologia ativa utilizando mapas mentais visa não apenas facilitar a compreensão dos conteúdos, mas também promover um ambiente de troca mútua de vivência entre aluno e professor. O objetivo deste estudo é analisar e aplicar metodologias ativas que desafiem o processo de aprendizagem dos alunos EJA promovendo uma relação de troca entre aluno e professor e integrando a realidade dos alunos no conteúdo das aulas. Visto que ao produzir o mapa mental o aluno passa a ser o agente principal responsável pela sua aprendizagem pois terá que o construí-lo com suas próprias conclusões que se construíram após os estudos dos conteúdos. A utilização da metodologia de mapas mentais foi explorada como uma estratégia de apreensão e fixação dos conceitos geográficos de região e regionalização trabalhados em sala de aula. A metodologia utilizada envolveu a aplicação de mapas mentais como ferramenta de aprendizagem. A escolha dessa ferramenta baseou-se na necessidade de criar estratégias adequadas de aprendizagem que facilitem a captação dos conceitos ensinados aos alunos. Almeida, Mercado e Ferreira (2020) defendem que os mapas cognitivos são capazes de se expandir e apresentar os conceitos de acordo com a ordenação particular dos envolvidos na formatação do mapa. A realização da Atividade de Planejamento de conteúdos geográficos por meio de metodologia ativa (RP Geografia 2024) se desenvolveu na 2ª série do ensino médio EJA. Composta por alunos com dificuldades em compreender textos longos e realizar resumos extensos visto que a rotina de trabalho diurna cansa a mente dos alunos e tiram a predisposição para atividades repetitivas e longas. A introdução ao conteúdo de região e regionalização incluiu uma explicação detalhada dos conceitos. Logo o conteúdo foi exemplificado com diferentes tipos de regionalizações brasileiras, como as propostas pelo IBGE em 1945 e 1960, a regionalização de Milton Santos com os “Quatro Brasis”, e as regiões geoeconômicas de Pedro Geiger. Foi explorado exemplo de regionalização que eles veem diariamente dentro da cidade onde residem como a separação de áreas comerciais e áreas industriais e assim elaboraram uma regionalização em sala de aula usando como características comum o bairro dos alunos. Através de reconto dos alunos das paisagens e espaço de vivência. Os alunos inicialmente demonstraram dificuldades em criar os mapas mentais, preferindo utilizar as palavras dita a eles durante a introdução ao conteúdo. No entanto, ao longo da aula, houve um crescente entusiasmo pela atividade. Os alunos foram incentivados a utilizar suas próprias palavras e a organizar os conceitos conforme sua compreensão individual por meio do incentivo oral. Isso não apenas facilitou a internalização dos conceitos de região e regionalização, mas também estimulou a criatividade e a confiança dos alunos em participar oralmente das aulas. Os estudantes utilizaram a palavra “regionalização” como palavra-chave e setas para conectar os conceitos as regionalizações elaboradas pelo IBGE, Milton Santos (2001) e Pedro Geiger (1967). Começaram a partir de suas anotações a construir o mapa mental de forma bem simplificada, sendo bastante objetivos. Alguns mapas apresentaram uma organização mais complexa com informações de forma aprofundada e com mais cores e elementos geométricos como setas, círculos e linhas, enquanto outros optaram por um modelo mais simples. Os mapas mentais produzidos revelaram uma boa compreensão dos conceitos chave de regionalização, apesar de algumas confusões iniciais como a ideia de que precisaria apenas de um critério para regionalizar. O que após a construção do mapa mental ficou claro a vasta opções de critérios. Ao final da atividade foi solicitado que os alunos dessem um feedback sobre seu nível de satisfação com a tarefa realizada. A avaliação acerca da metodologia de utilização de mapas mentais como exercício de fixação foi positiva. Sendo que de 10 alunos 8 alunos avaliaram a metodologia como boa, destacando que os exemplos citados durante a aula a qual faziam parte do seu dia a dia onde refletiam suas realidades, facilitaram a compreensão do conceito chave de região e regionalização. Outros 2 consideraram a aula excelente devido a explicação por conter exemplos de seus espaços de vivência mudando o seu olhar sobre tal espaço. A utilização de mapas mentais e a inserção da vivência e do espaço onde o aluno está inserido mostrou-se uma metodologia eficaz para o ensino de Geografia não só nas modalidades de ensino convencionais, mas também na educação de jovens e adultos. Essa ferramenta facilitou a compreensão do conceito de região e os processos de regionalização que é dividir ou classificar o espaço geográfico a partir de critérios específicos. Pois a organização dos conceitos no papel em forma de mapa ajudou a fixar melhor na mente dos alunos. Logo ao relacionar a definição de regionalização com o espaço de vivência na realização da atividade fez com que os alunos desenvolvessem melhor um diálogo acerca do assunto, levantando questões e exemplos sobre o tema citando sua cidade, bairros, áreas industriais, agrícolas em áreas periféricas da cidade, espaços de lazer entre outras microrregiões na sua própria cidade. A educação de jovens e adultos requer uma abordagem didática diferenciada que vá além da mera transmissão de conteúdo. É essencial considerar as vivências e experiências dos alunos, integrando-as ao processo de ensino-aprendizagem. Metodologias ativas, como o uso de mapas mentais, são especialmente adequadas para esse contexto de ensino aprendizagem. Porque promovem uma melhor captação dos conteúdos trabalhados em sala ao levar os alunos a construí-lo individualmente e com suas conclusões acerca das aulas. A experiência relatada demonstra que, ao adaptar as metodologias às necessidades e particularidades dos alunos da Educação de Jovens e Adultos, é possível superar as barreiras impostas pela rotina exaustiva de trabalho e pelo tempo afastado da escola. As dificuldades dos alunos são influenciadas pelo tempo afastado da escola e pela rotina de trabalho exigindo do professor a busca constante por metodologias ativas que mantenham a atenção e a empolgação dos alunos. Metodologias que integrem a realidade dos alunos e promovam uma participação ativa e têm um bom retorno e são fundamentais para o sucesso do processo de ensino e aprendizagem. A aplicação de mapas mentais como ferramenta de aprendizagem demonstrou ser uma estratégia eficaz para o ensino de Geografia na EJA, facilitando a compreensão e a retenção dos conceitos pelos alunos. A relação de troca entre aluno e professor foi fortalecida, promovendo um ambiente de aprendizagem mais dinâmico e colaborativo. Portanto, é crucial que os professores da Educação de jovens e Adultos continuem a explorar e desenvolver metodologias ativas que incorporem as realidades e necessidades dos alunos, garantindo um processo de ensino-aprendizagem mais eficaz e significativo. A experiência relatada serve como um exemplo de como a adaptação das metodologias pode contribuir positivamente para o engajamento e a motivação dos alunos Educação de Jovens e Adultos, promovendo uma educação mais inclusiva e eficaz. Referências ALMEIDA, Douglas; MERCADO, Luiz Paulo; FERREIRA, Lilian. Usos de aplicativos de construção de mapas cognitivos como metodologia ativa no ensino superior. LES -Linguagem Educação e Sociedade, Teresina, ano 25, n. 45, maio/ago. 2020. Disponível em: https://revistas.ufpi.br/index.php/lingedusoc/article/view/9868. Acesso em: 03 mai. 2024. SILVA, Haíla Ivanilda; GASPAR, Mônica. Estágio supervisionado: a relação teoria e prática reflexiva na formação de professores do curso de Licenciatura em Pedagogia. Revista brasileira de estudos pedagógicos, v. 251, pág. 205-221, 2018.
Título do Evento
IX NEER
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Nacional do NEER: Movimentos e devires, espaço e representações
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MOREIRA, Gisele; ROSA, Arlete Mendes. ENSINO DE GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – EJA: UMA PROPOSTA METODOLÓGICA.. In: . Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix_neer/900810-ENSINO-DE-GEOGRAFIA-NA-EDUCACAO-DE-JOVENS-E-ADULTOS--EJA--UMA-PROPOSTA-METODOLOGICA. Acesso em: 29/05/2026

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