GEOGRAFIA DA AFETIVIDADE: AMAZÔNIA E O DIVINO

Publicado em - ISBN: 978-65-272-1352-9

Título do Trabalho
GEOGRAFIA DA AFETIVIDADE: AMAZÔNIA E O DIVINO
Autores
  • Geanne Ferreira Leite
  • Josué da Costa Silva
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
Religião e religiosidades
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix_neer/872604-geografia-da-afetividade--amazonia-e-o-divino
ISBN
978-65-272-1352-9
Palavras-Chave
Palavras-chave: Lugar, Sagrado, Amazônia, Divino.
Resumo
GEOGRAFIA DA AFETIVIDADE: AMAZÔNIA E O DIVINO Doutoranda Geanne Ferreira Leite Universidade Federal de Rondônia geanne.leite@unir.br Orientador Josué da Costa Silva Universidade Federal de Rondônia jcosta@unir.br Ao longo dos séculos, a Amazônia esteve representada por um imaginário de floresta e historicamente ligada ao estereótipo do “exótico”, excluindo a diversidade étnica, linguística, espiritual e cultural. Sob essa ótica, a Geografia contemporânea ao caracterizar lugar como experiência, apresenta-se como saída e se assemelha ao que os fenomenologistas atribuem conceito de mundo, que seria conjunto das vivências subjetivas dos sujeitos, a essência, ou seja, “aquilo que em primeiro lugar aparece à consciência” (Turra Neto, 2009, p.112). São diversos estudos sobre homenagens ao Divino Espírito Santo e, a cada lugar, se apresentam novas realidades, simbologias e rituais. Cada festa tem sua identidade e especificidades distribuídas pelo tempo e pelo espaço, mas todas apresentam uma base comum: resistência popular diante da realidade contraditória e desigual. As homenagens ao Divino Espírito Santo, em um contexto geral, foram inseridas no Brasil durante o processo de colonização portuguesa, estabelecendo vínculos populares, com uma forte influência da religião católica e contribuições de outros povos como os indígenas e os afrodescendentes. As celebrações percorrem de norte a sul do país, em cidades como Pirenópolis (GO), Mogi das Cruzes e São Luiz do Paraitinga (SP), São João Del-Rei (MG), Poções (BA), São Luis (MA) e daremos destaque a região Amazônica que agregou significações particulares, da qual destaca-se o espaço sagrado e a relação espiritual do homem com a natureza, em especial com os rios, valores estes que o confirmam, elevam sua existência e solidificam toda uma teia de significados. Na tradição brasileira os festejos do Divino Espírito Santo realizam-se em um ciclo anual e fortalece os vínculos de afetividade, emoção e fé, não só entre os devotos organizadores, mas a expansão do sagrado que envolve a todos que dela participam e interagem. O artigo tem por finalidade o estudo da espacialidade do Festejo do Divino Espírito Santo em Manicoré/Amazonas por meio das simbologias da festa e as relações de espacialidade dos devotos com o lugar. Desse modo, o objetivo é compreender as relações afetivas, a diversidade de percepções aferidas e apresentar pontos significativos, abordando a relação dos sujeitos no seu espaço de vivência. Em uma perspectiva fenomenológica, uma vez que descrever os sentimentos que envolvem a devoção de uma comunidade ao Divino, por meio da fenomenologia, nos ajuda a compreendermos como esses fiéis constroem e (re)constroem espaços simbólicos. O trabalho partiu de uma abordagem qualitativa, de cunho bibliográfico e com pesquisa de campo. Para tanto, o método utilizado foi o fenomenológico em Gaston Bachelard (1993), que exige atenção em explicar o fenômeno a partir de um olhar filosófico, fenomenológico e geográfico, que muitas vezes se apresenta oculto. Já na articulação dos procedimentos metodológicos foram feitas revisão bibliográfica, trabalho de campo, relatório de campo, registro fotográfico e transcrição das entrevistas coletadas. Nessa pesquisa o método nos permitiu participar dos momentos referentes a festa do divino, com um olhar fenomenológico sobre o espaço e as simbologias, ouvir as pessoas e suas narrativas como parte da pesquisa, considerando o mundo vivido. A ida ao trabalho de campo ocorreu por via fluvial, por meio do barco recreio que tem uma rotina semanal entre Porto Velho e Manicoré. A viagem foi tranquila, com duração de dois dias, e permitiu apreciar a paisagem do rio Madeira, no percurso foi possível ver comunidades ribeirinhas que vivem nas margens do rio. A Festa do Divino Espírito Santo na cidade de Manicoré – AM é um exemplo dessa manifestação, uma vez que abraça a tradição popular, o sentido do sagrado e da própria vida e a relação com a floresta e os rios. Vejamos no relato dado em uma conversa com José da Silva Carneiro, diácono e morador da cidade de Manicoré/AM e devoto da festa do Divino na comunidade da Barreira de Manicoré/AM. “O Divino é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É o próprio Deus, rei do universo. São várias pessoas que acompanham a festa que formam a comissão, temos Mantenedor, Cacheiros, Juízes e Foliões. Temos os responsáveis pela ladainha (oração cantada em latim), a caixa do divino (zabumba), Andor, Mastro e as bandeiras, tradição que permanece desde a época em que o Divino viajava em procissão em pequenas Igarités (canoas) nas comunidades” (Leite, et al. 2023, p. 117). É importante frisar que a Ciência Geográfica tem procurado estudar de forma mais íntima a relação do homem – espaço – religião, tendo em vista mostrar de forma racional a ligação que há entre a espiritualidade do homem com as modificações ocasionadas no seu espaço geográfico. Esta apropriação é relatada por Gardin (1999, p. 120), “Como a sacralização da terra precede aos demais atos de administração, temos então as denominações dadas aos lugares de aglomeração sempre precedidas do nome do santo protetor de cada lugar”. A respeito da realização da festa pós-pandemia, Angelita Ferreira e Angelica Ferreira, filhas de um dos casais fundadores da comunidade Barreira em Manicoré - AM, em conversa, relataram a satisfação e o compromisso de toda família em participar das festividades desde a organização, mesmo não residindo mais na comunidade. “A devoção ao Divino nos foi repassado desde a infância, é a herança que nossos pais nos deixaram e é uma alegria poder participar de cada detalhe da festa com toda a família” (Leite, et al. 2023, p. 118). Em contexto Amazônico, estas celebrações abraçam uma simbologia singular que resiste e significa, se apresenta no dia a dia, seja na espera, nos preparativos e com maior intensidade nos dias do ciclo anual. Este é um caráter que representa uma pausa do cotidiano para dar atenção à potencialidade de um e de todos, sob a essência da espiritualidade e, sobretudo, da fé. Na concepção de Claval (1999, p 115) “Partilhar as mesmas crenças religiosas ou metafísicas e participar dos mesmos ritos que reúnem os crentes constituem cimentos sociais muito sólidos”. Todas as normas e sistemas da Festa do Divino estão em sintonia com a essência do lugar, e contraria a lógica racional do mundo moderno principalmente por valorizar a coletividade e a solidariedade de comunidades que ocupam o coração da Amazônia. REFERÊNCIAS BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. São Paulo: Martins Fontes, 1993. CLAVAL, P. A Geografia Cultural. Tradução: Luiz Fugazzola Pimenta; Margareth Afeche Pimenta. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1999. GARDIM, Cleonice. Campo Grande entre o sagrado e o profano. Campo Grande: UFMS, 1999. LEITE, Geanne Ferreira; PINHEIRO, Tainá Trindade; TAVARES, Rayla de Lima ; SILVA, Maria das Graças da Silva Nascimento ; SILVA, Josué da Costa. The Feast of the Divine Holy Spirit and the Sacralization of Spatiality in Manicoré-AM / Brazil. INTERNATIONAL JOURNAL OF ADVANCED ENGINEERING RESEARCH AND SCIENCE, v. 10, p. 115-121, 2023. NETO, Necio Turra. Em busca do lugar reencontrado. In: VESTENA, L. R. Et al. (org.).Saberes geográficos: teorias e aplicações. Guarapuava (PR): Unicentro, 2009.
Título do Evento
IX NEER
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Nacional do NEER: Movimentos e devires, espaço e representações
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LEITE, Geanne Ferreira; SILVA, Josué da Costa. GEOGRAFIA DA AFETIVIDADE: AMAZÔNIA E O DIVINO.. In: . Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix_neer/872604-GEOGRAFIA-DA-AFETIVIDADE--AMAZONIA-E-O-DIVINO. Acesso em: 27/05/2026

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