GÊNERO E TERRITORIALIDADES NA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM UNIÃO DOS PALMARES – AL

Publicado em - ISBN: 978-65-272-1352-9

Título do Trabalho
GÊNERO E TERRITORIALIDADES NA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM UNIÃO DOS PALMARES – AL
Autores
  • Rafael de Lima Silva
  • José Lidemberg de Sousa Lopes
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
Corpo, gênero e sexualidades
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix_neer/864113-genero-e-territorialidades-na-igreja-evangelica-assembleia-de-deus-em-uniao-dos-palmares--al
ISBN
978-65-272-1352-9
Palavras-Chave
Territorialidade, Mulheres, Assembleia de Deus.
Resumo
Este artigo tem como proposta inicial uma análise estrutural do espaço sagrado apropriado pelas mulheres nas Assembleias de Deus em União dos Palmares – AL. Nossa pesquisa tem como base o espaço vivenciado por estas mulheres, as relações de gênero e política no âmbito estrutural religioso, suas funções e os eventos realizados que são voltados para este público. Para tanto, interconectamos empiria e a categoria relacional e histórica do gênero, trazendo à luz os principais elementos ligados ao público feminino: as funções de destaque nos departamentos e grupos de orações, os processos de interação e exclusão relacionados aos espaços de poder na igreja e o impedimento da realização de seus projetos pessoais. O nosso foco se encontra nesta relação entre o empoderamento feminino e o controle institucional, buscando por meio do método fenomenológico compreender se as ações produzidas são apenas conformidades ao meio estrutural das territorialidades masculinas ou se paradoxalmente são formas de autonomia/resistência das mulheres cristãs. União dos Palmares é considerado um dos principais municípios do Estado de Alagoas, possuindo uma densidade demográfica de 148,24 habitantes por km², com uma população de 59.280 habitantes, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em 2022. Considerada como cidade central da antiga Microrregião Serrana dos Quilombos, constituída por 7 municípios: União dos Palmares, Viçosa, São José da Laje, Ibateguara, Santana do Mundaú, Chã Preta e Pindoba. Esta área de 1.801 km² possui 146.610 habitantes com uma densidade demográfica de 81,4 hab./km² e sua altitude é de 348 metros acima do nível do mar. A divisão regional foi aprovada por meio da Resolução PR-51 de 31/07/89, sendo implantada de fato na década de 1990 por meio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Detectamos que 52,4% da população, totalizando 31.050, é composta por mulheres. Preferimos registrar tais números para que possamos tornar visível espacialmente este grupo que historicamente sofre a violência do apagamento espacial, conscientes de que isso não é o bastante, pois devemos compreender os motivos pelos quais essas mulheres são (in)visibilizadas em uma gama de posições de subordinação e esquecimento. Para isso, precisamos recorrer aos estudos geográficos sobre a religião. As pesquisas geográficas deste subcampo passaram a ganhar força com os pioneiros Paul Fickeler ([1947] 1999), Pierre Deffontaines (1948) e David Sopher (1967), ainda com uma abordagem locacional e distributiva, pois lhes era interessante os estudos descritivos de como os templos religiosos estavam distribuídos no meio. Com o passar dos anos, Chris Park ([1994] 2003) e Roger Stump (2008) contribuíram com um certo aprimoramento metodológico em se tratando deste tipo de análise nos âmbitos locacional e institucional da religião, influenciando até pesquisadores brasileiros como Zeny Rosendahl (2009) e Sylvio Fausto Gil Filho (2008), que desenvolveram suas teorias geográficas sobre a espacialidade do fenômeno religioso no Brasil. Assim como o fenômeno religioso, percebemos que os debates sobre gênero têm adquirido maior visibilidade no contexto da ciência geográfica. Desde as pioneiras dos estudos geográficos de gênero, tais como Gillian Rose (1993), Linda McDowell (1999) e Pamela Moss (2002) até os estudos geográficos atuais no Brasil, por meio do grupo liderado por Joseli Maria Silva (2009), percebemos que há uma ênfase aos quesitos da inserção das mulheres no mercado de trabalho, nas esferas políticas e a importância feminina na produção do espaço urbano. Portanto, pretendemos que nossos estudos acerca da espacialidade do fenômeno religioso forneçam este acréscimo em se tratando das territorialidades produzidas na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, partindo da realidade vivenciada pelas mulheres em União dos Palmares-AL, considerando a igreja como um dos elementos das redes de solidariedade, exercendo controle sobre elas na medida em que frequentam estes espaços. A pesquisa se baseia no método fenomenológico, tomando a teoria husserliana da “empatia”, possibilitando o “acesso” à alteridade do outro, extraindo narrativas que demonstram suas vivências. Neste caso, o nosso desafio é permitir que o fenômeno se manifeste de maneira plena, por meio de uma abordagem fenomenológica proposta por Husserl (1990), tendo como ponto de partida a ação de 1) Se inserir no mundo (no espaço delimitado da pesquisa), resultando na apresentação do fenômeno; 2) A descrição fenomenológica, por meio da soma do que é visto e não visto; 3) Epoché, redução fenomenológica, como suspensão dos juízos que se tem de maneira apressada e “representações” que se tem a priori sobre o fenômeno em questão; e por fim, 4) Redução eidética, o que sobrou após a suspensão e uma compreensão do fenômeno em sua “pureza”. Sendo assim, nosso intuito é compreender se as territorialidades na Assembleia de Deus em União dos Palmares-AL são conformidades ao meio estrutural das territorialidades masculinas ou se paradoxalmente são formas de resistência das mulheres cristãs. Para tanto, faz-se essencial o uso da intersubjetividade transcendental ou descrição da experiência do estranho proposto por Husserl (2019). Os estudos de gênero na Geografia tiveram início com as pesquisadoras do Grupo de Estudos da Mulher e Geografia, do Instituto de Geógrafos Britânicos (Women and Geography Group in Istitute of British Geographers). No prólogo da obra desta obra, Doreen Massey (1984, p. 11) aponta que a pesquisa feminista não adiciona uma nova dimensão de estudos, mas traz a proposta de uma abordagem transdisciplinar. Devemos ter em mente que os papéis de gênero variam de acordo com o lugar e a partir disso buscar compreender como e quais os motivos pelos quais os homens dominam os espaços e porque as mulheres ocupam lugares de submissão. A Geografia tem como fundamento o espaço geográfico e neste quesito há uma espécie de apagamento histórico das mulheres, nos levando ao questionamento acerca da existência espacial dessas mulheres, cujos papéis desempenhados na sociedade são omitidos ou não são reconhecidos como relevantes, a não ser sob os ditames de uma ordem dominada e determinada por homens. Rose (1993, p. 1) afirma que talvez “a Geografia seja historicamente a ciência mais dominada pelos homens”. McDowell (1999) considera como variáveis importantes as circunstâncias econômicas, sociais e culturais das mulheres, exemplificando casos da inserção feminina no mundo do trabalho, demonstrando assim que há uma divisão espacial entre o mundo privado da casa e o mundo público do trabalho remunerado, sendo uma lógica revestida de elementos simbólicos. Pamela Moss (2002) considera o método como técnicas para se fazer investigação, a metodologia vinculada ao modelo de como realizar a investigação e a epistemologia atrelada ao conhecimento necessário para se fazer e abordar coerentemente uma investigação. Este acúmulo de produção influenciou bastante os trabalhos de pesquisa de Joseli Maria Silva (2009), para quem os espaços abrigam grupos diversos em etnia, sexo, idade e cultura. A interseção entre religião, gênero e espaço tem sido objeto de crescente interesse na academia, especialmente dentro da geografia cultural e estudos de gênero. Essa área de estudo oferece uma plataforma dotada de diversidade para explorar as complexidades das experiências humanas, bem como os processos sociais e espaciais que moldam e são moldados por elas. Nesse contexto, a presente pesquisa se propõe a investigar as questões de gênero na Assembleia de Deus na cidade de União dos Palmares-AL, uma denominação religiosa de significativa importância no contexto brasileiro, regional e local. A Igreja Evangélica Assembleia de Deus nasceu no Brasil no ano de 1910, com a chegada dos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, mais precisamente em Belém do Pará. No dia 25 de agosto de 1915, o casal de missionários Otto e Adina Nelson, celebrou o primeiro culto da denominação em solo alagoano. A expansão da instituição é considerada como divina, pois não havia tantos intelectuais em seus primeiros momentos. O primeiro templo só foi inaugurado no território em 22 de outubro de 1922. Destarte, seguimos a teoria da territorialidade humana de Sack (1986), pois buscaremos compreender como e por quem são produzidas as estratégias espaciais na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, de que maneira as ideografias influenciam os comportamentos espaciais, e se tais territorialidades são conformidades masculinas ou meios de negociação das mulheres como catalisador nos processos de mudanças que a instituição vem vivendo. É necessário um aprofundamento na temática de gênero nos espaços religiosos, pois as nossas investigações terão efeitos a longo prazo. Trata-se de um compromisso social que busca não responder, mas compreender um fenômeno que mantem a instituição religiosa há séculos de pé: o movimento das mulheres. A problemática da Assembleia de Deus ser considerada feminina, mas machista, merece uma reflexão mais refinada, pois as experiências jamais são iguais, os sentidos gerados na construção da identidade feminina na Assembleia de Deus são múltiplos, bem como as motivações das mulheres irem ao templo, sociabilizarem no departamento de louvor e na oração. Nossos esforços servirão para detectarmos os mundos simbólicos que conformam as espacialidades das mulheres e como a religiosidade molda e é moldada por cada uma delas. Nossas inquietações fazem parte de uma gama de possibilidades interpretativas, por isso, nossas expectativas são singelas, expressas no desejo de preencher esta lacuna nas investigações geográficas no Brasil. REFERÊNCIAS ALENCAR, G. Assembleia de Deus – origem, implantação e militância (1911-1946). – São Paulo: Arte Editorial, 2010. ________________. 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Título do Evento
IX NEER
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Nacional do NEER: Movimentos e devires, espaço e representações
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Rafael de Lima; LOPES, José Lidemberg de Sousa. GÊNERO E TERRITORIALIDADES NA IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM UNIÃO DOS PALMARES – AL.. In: . Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix_neer/864113-GENERO-E-TERRITORIALIDADES-NA-IGREJA-EVANGELICA-ASSEMBLEIA-DE-DEUS-EM-UNIAO-DOS-PALMARES--AL. Acesso em: 03/04/2026

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