PERSPECTIVAS DA PIXAÇÃO E DO GRAFFITI ENQUANTO EXPRESSÕES DOS SUJEITOS: A ARTE DE RUA COMO APROPRIAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS E PRIVADOS NA CIDADE

Publicado em - ISBN: 978-65-272-1352-9

Título do Trabalho
PERSPECTIVAS DA PIXAÇÃO E DO GRAFFITI ENQUANTO EXPRESSÕES DOS SUJEITOS: A ARTE DE RUA COMO APROPRIAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS E PRIVADOS NA CIDADE
Autores
  • BRENDA LETÍCIA DE PAULA MUNIZ
  • Evanio Branquinho
  • Marcel Azevedo Batista D'Alexandria
Modalidade
Resumo Expandido
Área temática
Representações da cidade e do urbano
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix_neer/857786-perspectivas-da-pixacao-e-do-graffiti-enquanto-expressoes-dos-sujeitos--a-arte-de-rua-como-apropriacao-dos-espaco
ISBN
978-65-272-1352-9
Palavras-Chave
Arte de rua; Pixação; Graffiti;
Resumo
A organização das cidades como se conhece atualmente é fruto das transformações de ordem social, política e econômica que reverberam as marcas da sociedade de um determinado tempo no campo material e imaterial. A partir dessa consideração que exige uma aproximação entre sujeito e espaço por meio de suas interações, a esfera pública e privada se tornam parte da discussão que se preocupa em dialogar como a arte de rua pode ressignificar os espaços onde a lógica de reprodução do capital é primazia. Os espaços centrais estão reorganizados conforme as necessidades de reprodução do capital e nessa lógica, o sujeito inserido na dinâmica espacial que condiciona seus comportamentos e usos do espaço acaba por usá-lo somente como meio de exercício para realização de suas funções enquanto classe trabalhadora. Essa dinâmica da qual Carlos (2014) irá chamar atenção, reduz a vida cotidiana a uma alienação do comportamento que distancia o sujeito das amplas utilizações do espaço. Essa pesquisa se preocupa em analisar e propor novas perspectivas acerca das formas pelas quais os sujeitos se relacionam com o espaço. Desse modo, pretende-se discutir a arte de rua sendo apenas uma das diversas formas com que o sujeito interage com o espaço, produzindo-o conforme suas necessidades de comunicação, circulação e interação com os demais sujeitos. Partindo dessa premissa, recorre-se às artes do pixo e graffiti para traçar as possibilidades de reconhecer como essas expressões podem ressignificar a forma pela qual os sujeitos se relacionam com espaços públicos e privados, criando novas formas de se vivenciar e produzir os espaços, a partir de sua representação material e imaterial na paisagem urbana. Para realizar a discussão acerca das interações entre sujeito e espaço que resultam na prática de pixar e grafitar os muros das cidades, faz-se necessário distinguir essas duas categorias que se apresentam. A pixação conforme Pires (2017, p.150) pode ser entendida como “escrita ilegal, infame, profana, apropriação imprópria de um muro em branco”. Ampliando essa breve descrição do que é a pixação, essa escrita representa a síntese da identidade do sujeito que intervém na cidade utilizando um signo que sintetiza um apelido do qual já é conhecido entre a comunidade de pixadores. A principal característica do pixo, entretanto, distingue-se do graffiti em seus modelos de representação. Enquanto o pixo se apresenta com uma grafia de letras pontiagudas e geralmente feitas com spray preto, o graffiti possui uma complexidade em relação às formas das letras, na utilização de várias cores e contornos na sua composição, bem como na autorização ou não do espaço para sua realização, seja ele público ou privado (Pires, 2017). A mediação da vivência dos sujeitos com o espaço é realizada por meio de signos que compõem a paisagem urbana e orientam suas condutas, condicionando-os a experienciar um espaço majoritariamente programado. Mediante o contato com a presença de outdoors e propagandas de diversas naturezas, o sujeito é induzido ao consumo compulsivo de produtos que supostamente irá satisfazê-lo no sentido material e imaterial. Dessa forma, o capital espacializa meios de fazer com que o sujeito se torne reprodutor do seu sistema, perpetuando a lógica de consumo e funcionalizando os espaços com orientações daquilo que é permitido ou não. Uma das composições da paisagem urbana que participa dessa produção espacial segregacionista é o estabelecimento de muros que separam aqueles que pertencem ou não a determinado espaço, contudo, em contraste a essa organização destaca-se a participação da pixação e do graffiti como meios de romper esse arranjo que determina o espaço em que cada sujeito deve ocupar na sociedade. Sendo assim, a arte de rua se espacializa na intenção de confrontar a lógica de acumulação da qual a cidade vem sendo organizada e a propriedade privada que delimita a partir de seus muros, onde e como os sujeitos devem operar na cidade. A pesquisa se caracteriza pela exploração acerca da manifestação do pixo e graffiti enquanto ressignificação dos espaços urbanos e sua representação material e simbólica na paisagem. Por meio da análise de referenciais teóricos que discutem o direito à cidade e as contradições inerentes na produção do espaço, procura-se conceber a pixação enquanto expressão dos sujeitos que intentam se apropriar do espaço para além da lógica da reprodução do capital. Nesse sentido, Garcia (2016) ressalta que a pesquisa bibliográfica por meio da qual se realiza uma retomada de conceitos e dinâmicas já exploradas, pode servir de subsídio para a descoberta de outras perspectivas dos fenômenos que estão se realizando no espaço urbano. Sendo assim, como parte que integra os processos de desenvolvimento da pesquisa, o trabalho de campo foi realizado na necessidade de verificar os espaços públicos e privados que estão sendo ocupados pela pixação e graffiti na cidade de Alfenas-MG, que se comporta em seu contexto regional uma cidade de porte médio, conforme Amorim Filho et. at. (2007). Desse modo, o trabalho procura romper com as noções que se aproximam da concepção da pixação como vandalismo e trás, a partir dos enlaces propostos nesta pesquisa, a pixação e graffiti como meios de expor a identidade do sujeitos que subvertem a utilização do espaço hegemônico e sua representação na paisagem. Por meio da inscrição no espaço público das tags (assinaturas) que sintetizam uma identidade individual e/ou coletiva, a prática se espacializa na intenção de propor novas utilizações do espaço. A partir da leitura de Carlos (2014), depreende-se a representação do corpo sendo mediador das relações com o espaço e as amplas possibilidades de interação que ambas esferas desempenham. Desse modo, as interações que se manifestam no campo material e imaterial se apresentam numa justaposição de escalas onde a mediação do Estado e suas premissas em funcionalizar a lógica do capital estão articuladas. Em vista da presença do sujeito na dinâmica em utilizar o espaço como meio de exercício das suas atribuições de trabalhador, a alienação e automatização do comportamento se realiza em meio à perda de referenciais urbanos que sustentam a figura do sujeito uma peça da engrenagem da acumulação capitalista, interditando que a pessoa estabeleça outras interações com o espaço senão na sua condição de classe trabalhadora. Nesse cenário, a dinâmica da cidade aos poucos vai reduzindo a capacidade dos sujeitos se expressarem nos contextos onde não estão vinculados ao exercício do trabalho, projetando na aquisição de mercadorias a satisfação de sua interação com a cultura e lazer (Carlos, 2014). No plano imediato da vida cotidiana onde se estabelece a interação do sujeito com o espaço, as possibilidades dos sujeitos se relacionarem e se expressarem no espaço são sufocadas pela lógica do capital, sendo o valor de troca a instância que se sobrepõe às demais (Carlos, 2014). A partir da leitura de Lefebvre (2001), o autor discute as formas pelas quais os sujeitos se expressam no espaço, comportando diversas semiologias que o produzem. Como parte do recorte que se realiza nesta pesquisa, a leitura do espaço público se faz na interpretação dos lugares de encontro e socialização dos indivíduos de uma sociedade, onde o discurso e a prática desse conjunto são premissas para sua realização (Carlos, 2014). Por esse viés, a ação dos sujeitos constituem o espaço no e do qual vivem, fazendo-se necessário entender as formas pelas quais essas interações acontecem. Os signos que se materializam nessa sociedade são oriundos de diversas intencionalidades na qual aqui se discute como a pixação e o graffiti participam dessa produção do espaço indo contra à lógica de utilização do espaço hegemônico. Desse modo, o entendimento dessas expressões urbanas se realiza na intenção de propor uma nova utilização dos espaços públicos e das estruturas que compõem as cidades. Como meio do sujeito intervir no espaço, entende-se a pixação e o graffiti enquanto práticas que se distanciam da sua concepção enquanto vandalismo, buscando refletir as motivações de tal ação. Pires (2017) tece uma análise que entende a pixação e o graffiti como meios de vivenciar os espaços públicos em função da socialização com outros sujeitos e com o espaço no qual se intervém. Nesse sentido, a união de uma nova forma de se envolver com meio ocorre na intenção do sujeito expressar sua individualidade por meio de suas assinaturas nos muros da cidade, reforçando a partir da repetição em outros espaços, formas diferentes de vivenciar seu cotidiano. Lefebvre (2001) expõe as formas como a cidade expressa suas linguagens, ressaltando que além da fala, a língua e a linguagem urbana, existe a escrita da cidade e a define como “aquilo que se inscreve e prescreve em seus muros, na disposição dos lugares e o seu encadeamento, em suma, o emprego do tempo na cidade pelos habitantes dessa cidade” (Lefebvre, 2001, p.70). Desse modo, a repetição dos pixos e graffitis na cidade simboliza a utilização do espaço enquanto meio de expor a identidade dos sujeitos que se entendem para além da sua condição de trabalhador e as diferentes formas pelas quais buscam se relacionar com o espaço. Como finalidade dessa prática, os sujeitos procuram se reconhecer subjetivamente nos espaços onde a lógica funcional prevalece. A partir da compreensão do espaço em sua multiplicidade de utilizações, a pesquisa critica a lógica do capital que engendra e condiciona os sujeitos a vivenciarem os espaços somente enquanto trabalhadores alienados. Por meio dos referenciais que discutem as contradições do espaço que privilegia o valor de troca e a propriedade privada, propõe-se uma visão que considera a expressão do pixo e do graffiti na cidade como meios dos sujeitos irem contra à lógica hegemônica de vivenciar o espaço. Agradecimentos a FAPEMIG que viabilizou a pesquisa por meio do seu apoio financeiro. REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO CARLOS, A. F. A. O poder do corpo no espaço público: o urbano como privação e o direito à cidade. GEOUSP - Espaço e Tempo. São Paulo, v.18, n.2, p.472-486, 2014. AMORIM FILHO, O. B..; RIGOTTI, J. I. R.; CAMPOS, J. Os níveis hierárquicos das cidades médias de Minas Gerais. Curitiba, Ed. UFPR, n. 13, p. 7-18, 2007. GARCIA, E. Pesquisa bibliográfica versus revisão bibliográfica - uma discussão necessária. Cascavel, Línguas e Letras, n. 35, v.17. p. 291-294, 2016. LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2001. PIRES, A. O. S. A pixação como apropriação da cidade: o pixador como formador do cenário urbano. TCC - Universidade Federal de Minas Gerais, p. 173. 2017.
Título do Evento
IX NEER
Cidade do Evento
Curitiba
Título dos Anais do Evento
Anais do Colóquio Nacional do NEER: Movimentos e devires, espaço e representações
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MUNIZ, BRENDA LETÍCIA DE PAULA; BRANQUINHO, Evanio; D'ALEXANDRIA, Marcel Azevedo Batista. PERSPECTIVAS DA PIXAÇÃO E DO GRAFFITI ENQUANTO EXPRESSÕES DOS SUJEITOS: A ARTE DE RUA COMO APROPRIAÇÃO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS E PRIVADOS NA CIDADE.. In: . Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix_neer/857786-PERSPECTIVAS-DA-PIXACAO-E-DO-GRAFFITI-ENQUANTO-EXPRESSOES-DOS-SUJEITOS--A-ARTE-DE-RUA-COMO-APROPRIACAO-DOS-ESPACO. Acesso em: 29/05/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes