EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CULTURA DE PAZ: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA INTERDISCIPLINAR NA ESCOLA PÚBLICA

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CULTURA DE PAZ: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA INTERDISCIPLINAR NA ESCOLA PÚBLICA
Autores
  • Ranicleide Maria da Silva Barbosa
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 3 – Práticas Educativas, Cultura, Diversidade e Inclusão
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1388381-educacao-ambiental-e-cultura-de-paz--relato-de-uma-experiencia-interdisciplinar-na-escola-publica
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Educação Ambiental. Cultura de paz. Formação humana. Sustentabilidade. UNESCO.
Resumo
Resumo Diante do desafio pedagógico de integrar a Educação Ambiental ao currículo dos Anos Iniciais, superar a fragmentação de conteúdos e fortalecer vínculos com a comunidade e as famílias, a Escola Municipal Raimundo Fernandes integra desde 2019 a Rede de Escolas Associadas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (PEA-UNESCO), um programa voltado à cultura de paz, ao diálogo intercultural, ao desenvolvimento sustentável e a educação de qualidade. No ano de 2024, a escola desenvolveu o projeto “Educação: A Escolha de um Novo Futuro para o Planeta Terra”. A iniciativa nasce do reconhecimento de que a escola pública, especialmente nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, constitui um espaço privilegiado para a construção de valores éticos e atitudes conscientes diante dos desafios ambientais e sociais contemporâneos. Assim, buscou-se integrar a Educação Ambiental ao currículo de forma interdisciplinar, estimulando a participação ativa dos alunos e o envolvimento da comunidade escolar em ações de cidadania planetária. Neste contexto, este relato de experiência tem por objetivo descrever e analisar a implementação do projeto na escola, explicitando suas opções pedagógicas, alcances e limites à luz de referenciais teóricos e das evidências observadas. O texto do projeto base apoia-se na concepção freiriana da educação como prática transformadora e emancipatória, entendida como processo ético-político de formação humana. Em Freire (1996), educar é um ato político que convoca docentes e discentes a realizar a leitura crítica do mundo e a intervir sobre a realidade. É a partir dessa perspectiva que surge a centralidade do diálogo, da problematização e da participação como princípios pedagógicos. Gadotti (2008) amplia essa perspectiva ao defender a educação para a sustentabilidade, articulando ética, solidariedade e responsabilidade planetária como dimensões indissociáveis da formação. Segundo esse autor, a sustentabilidade não é um tema, mas um eixo formativo que atravessa o currículo e reorienta práticas escolares. Nessa perspectiva, entendemos que a educação ambiental crítica só se realiza quando o diálogo e a sustentabilidade se tornam vivências concretas no cotidiano escolar, e não apenas conceitos anunciados em documentos. Um outro ponto importante em nosso texto, e de acordo com Carvalho (2012), perpassa a Educação Ambiental crítica, que objetiva a constituição do sujeito ecológico, isto é, de sujeitos capazes de refletir e agir coletivamente para transformar as relações sociedade-natureza, deslocando a ênfase do informativo para o formativo e do individual para o coletivo. Morin (2000), por sua vez, convoca a todos que fazem a educação a lidar com a complexidade, integrando saberes científicos e sensíveis, articulando parte e todo, a fim de preparar crianças e jovens para compreender a interdependência entre vida, ambiente, ciência e sociedade. Esses referenciais convergem com os princípios da UNESCO, que preconiza uma educação orientada pela cultura de paz, pelo diálogo intercultural, pela sustentabilidade e pela promoção de uma educação de qualidade, como dimensões essenciais da formação humana (UNESCO, 2017). Ao dialogar com esses autores, percebemos que suas ideias se concretizam quando a escola se reconhece como parte do ecossistema social e ambiental. Isso implica planejar ações que envolvam as crianças e suas famílias em experiências de cuidado e pertencimento, valorizando a diversidade e o diálogo como caminhos para uma educação ambiental humanizadora. A proposta pedagógica do projeto articula-se às orientações normativas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), quando esta afirma que a educação deve promover o desenvolvimento integral do estudante, “visando à formação e ao exercício da cidadania e ao pleno desenvolvimento da pessoa humana” (BRASIL, 2017, p. 13). Nesse sentido, a BNCC propõe competências gerais que envolvem aspectos cognitivos, socioemocionais e éticos, voltados à cidadania, à convivência democrática e ao cuidado de si, do outro e do planeta. A partir dessa perspectiva, a Educação Ambiental assume caráter interdisciplinar e contextualizado, conectando linguagem, ciências, artes e educação física a experiências do território e à participação das famílias e da comunidade. Em alinhamento aos princípios da UNESCO e às competências gerais da BNCC, a proposta pedagógica sustenta a integração curricular de conhecimentos, valores e atitudes, justificando a investigação do problema pedagógico que orienta este relato: como transpor princípios de sustentabilidade e cultura de paz para práticas integradas, significativas e socialmente situadas nos Anos Iniciais, favorecendo o protagonismo discente, a corresponsabilidade coletiva e a formação cidadã. Trata-se de um estudo qualitativo em formato de relato de experiência, que analisa a implementação do projeto “Educação: A Escolha de um Novo Futuro para o Planeta Terra”, realizado na Escola Municipal Raimundo Fernandes em Mossoró-RN, que aconteceu entre os meses de março a dezembro de 2024, com participação de 415 alunos do 1º ao 5º ano, professores, equipe gestora, comunidade escolar e famílias. A análise tomou como base observação participante durante as ações, documentos institucionais como o texto do projeto base, o relatório final enviado à Rede PEA, bem como registros pedagógicos como os planos de aula dos professores, produções dos estudantes e fotografias, adotando uma leitura descritiva e reflexiva para identificar avanços, desafios e aprendizagens decorrentes da experiência. Entre as ações realizadas, destacaram-se a campanha “Dengue: Prevenindo para Combater”, o Dia Mundial da Água com a campanha solidária “Gotas de Esperança: Juntos pelo Rio Grande do Sul”, atividades de conscientização sobre o autismo, o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, a Semana do Meio Ambiente, a Feira de Ciências, a Semana da Consciência Negra e a campanha “Doe tampinhas, transforme vidas” em parceria com a APAE. As metodologias envolveram contação de histórias, oficinas, dobraduras, vídeos educativos, caminhadas, produções artísticas, palestras e rodas de conversa, fortalecendo o protagonismo discente e o diálogo entre escola e comunidade. Os resultados revelaram avanços na formação ética e cidadã dos estudantes. Tais observações podem ser verificadas por meio dos registros de observação e dos diários de campo, que documentam atitudes de cuidado mútuo e respeito às diferenças, das produções escritas e artísticas das crianças, nas quais aparecem mensagens sobre preservação ambiental e solidariedade, e dos planos de aula e relatórios pedagógicos, que evidenciam a integração entre Ciências, Linguagens e Artes, consolidando a Educação Ambiental como eixo transversal do currículo. Além disso, a participação das famílias intensificou-se durante campanhas solidárias, feiras e ações do projeto, conforme demonstram listas de presença e registros fotográficos, fortalecendo os vínculos entre escola e comunidade e ampliando a conscientização sobre sustentabilidade e cidadania. Para os docentes, observaram-se indícios de coautoria e aprendizagem colaborativa a partir dos registros de planejamento conjunto (atas/reuniões pedagógicas), das versões sucessivas dos planos de aula com contribuições de diferentes professores, e dos relatos de trocas registrados em diários de campo e comunicados institucionais. Esses materiais mostram autoria compartilhada de sequências didáticas e decisões coletivas sobre metodologias e avaliação, o que reforça o sentido de pertencimento e a valorização do trabalho coletivo. Esse movimento configurou uma formação continuada em serviço, evidenciada por pautas de estudo, distribuição de responsabilidades e devolutivas entre pares. As principais dificuldades envolveram a insuficiência de recursos materiais e financeiros e o excesso de demandas avaliativas externas, tais desafios foram enfrentados com replanejamento coletivo, mobilização comunitária e otimização dos recursos disponíveis, conforme descrito nos relatórios e nas atas. Conclui-se que a experiência constituiu uma prática formativa consistente nos Anos Iniciais, articulando currículo, princípios da UNESCO e competências gerais da BNCC. Essa inferência apoia-se na triangulação de evidências oriundas dos diários de campo e registros pedagógicos como falas e ações de cuidado, respeito às diferenças e corresponsabilidade, das produções escritas e artísticas das turmas tematização recorrente de preservação ambiental, combate ao Aedes aegypti e solidariedade e dos planos de aula ou relatórios. Observou-se, ainda, intensificação da participação familiar em campanhas e feiras, conforme listas de presença e registros fotográficos, o que reforça vínculos escola–comunidade. Tais indícios permitem afirmar avanços em dimensões socioemocionais e científicas e a viabilidade de integrar sustentabilidade, cultura de paz e cidadania de modo interdisciplinar e situado. Reconhecem-se limites como insuficiência de recursos materiais e/ou financeiros e pressões avaliativas externas, bem como a necessidade de continuidade institucional, formação docente em serviço e melhor provisão de recursos para ampliar alcance e durabilidade das ações.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BARBOSA, Ranicleide Maria da Silva. EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CULTURA DE PAZ: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA INTERDISCIPLINAR NA ESCOLA PÚBLICA.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1388381-EDUCACAO-AMBIENTAL-E-CULTURA-DE-PAZ--RELATO-DE-UMA-EXPERIENCIA-INTERDISCIPLINAR-NA-ESCOLA-PUBLICA. Acesso em: 13/08/2026

Trabalho

Even3 Publicacoes