REFLEXÕES SOBRE AS HIPÓTESES DE ESCRITA: ESTUDO DE CASO COM UMA CRIANÇA DE SEIS ANOS

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
REFLEXÕES SOBRE AS HIPÓTESES DE ESCRITA: ESTUDO DE CASO COM UMA CRIANÇA DE SEIS ANOS
Autores
  • Marjory Hellen Marcelino de Souza
  • Antonia Beatriz Medeiros da Silva
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 1 – Formação Humana, Docência e Currículo
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1387703-reflexoes-sobre-as-hipoteses-de-escrita--estudo-de-caso-com-uma-crianca-de-seis-anos
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Psicogênese da língua escrita; Alfabetização; Escrita.
Resumo
REFLEXÕES SOBRE AS HIPÓTESES DE ESCRITA: ESTUDO DE CASO COM UMA CRIANÇA DE SEIS ANOS Marjory Hellen Marcelino de Souza Antonia Beatriz Medeiros da Silva Palavras-chave: Psicogênese da língua escrita. Alfabetização. Escrita. INTRODUÇÃO A alfabetização é um dos processos mais importantes na vida escolar, especialmente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, momento em que a criança está estabelecendo as primeiras relações com a linguagem escrita. Neste momento, exige-se que o docente tenha um olhar atento e crítico para a criança, reconhecendo a realidade individual de cada um. Isto é fundamental para planejar intervenções pedagógicas intencionais ao aluno/grupo com o qual se trabalha. A psicogênese da língua escrita, proposta por Emília Ferreiro e Ana Teberosky, explica como a criança constrói hipóteses sobre o sistema de escrita alfabética ao longo de seu desenvolvimento. Nessa abordagem, para aprender a escrever, é necessário que o aluno seja estimulado a confrontar e formular suas próprias hipóteses, para então organizar, representar e descobrir para que serve a escrita (Coutinho, 2005). Dessa forma, surge o seguinte questionamento: Qual o nível da escrita de uma criança de seis anos à luz da psicogênese da língua escrita?. Para tal propósito, o estudo tem como objetivo geral identificar o nível da escrita de uma criança de seis anos à luz da psicogênese da língua escrita. E como objetivo específico refletir sobre a produção de escrita espontânea de uma criança de seis anos a partir da hipótese de escrita identificada. O trabalho foi realizado como requisito avaliativo da disciplina obrigatória Alfabetização e Letramento que faz parte da grade curricular do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação (FE), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), ofertada regularmente no 4º período e ministrada pela professora Dr.ª Antonia Maíra Emelly Cabral da Silva Vieira no semestre 2025.2. O estudo foi desenvolvido com a finalidade de compreender em qual nível de escrita a criança está, de modo a identificar suas hipóteses e necessidades de aprendizagem. Com esse estudo, na condição de professoras em formação, será possível compreender melhor os níveis de escrita para pensar o planejamento. A relevância deste estudo reside na busca de contribuições para as discussões sobre a importância da avaliação diagnóstica como recurso formativo no contexto escolar quando aplicada a realidades individuais que exigem maior sensibilidade metodológica por parte do docente. Para tanto, o resumo se divide em quatro partes, sendo a introdução, a metodologia, os resultados e as considerações finais. METODOLOGIA Este estudo é de abordagem qualitativa, pois possibilitou a análise interpretativa dos dados da realidade dando prioridade não ao resultado final mas ao percurso adotado (Minayo, 2009). Além disso, consiste em uma pesquisa bibliográfica, pois utilizou-se a revisão de trabalhos já elaborados (Gil, 2008). E estudo de caso, por possibilitar uma análise mais detalhada do objeto estudado (Gil, 2008). O estudo foi realizado no município de Areia Branca, com uma criança de seis anos residente do município de Assú/RN, matriculada na rede privada de ensino, que apresenta Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora a condição atípica não seja o objeto principal de análise, ela compõe o contexto do estudo auxiliando na compreensão do percurso de aprendizagem observado. Como instrumento de pesquisa, foi aplicado um teste de lectoescrita baseado na psicogênese da língua escrita (Ferreiro; Teberosky, 1999), centrado no acompanhamento individual do processo de escrita de uma criança de seis anos em fase de alfabetização. A aplicação do instrumento ocorreu no município de Areia Branca/RN, em 20 de outubro de 2025. O procedimento de aplicação do teste de lectoescrita teve a finalidade de analisar o nível de escrita que a criança se encontra, através da escrita espontânea. A condução da atividade foi realizada em ambiente tranquilo e individual, garantindo conforto e tempo adequado para as respostas, sem intervenções corretivas ou direcionamentos que pudessem induzir a solução. Dessa forma, buscou-se preservar a autenticidade das manifestações da criança diante do sistema de escrita. O teste foi indicado pela disciplina Alfabetização e Letramento, no 4º período noturno de pedagogia, no semestre de 2025.2. Para análise dos dados foi utilizada a teoria da psicogênese da língua escrita, onde investiga como a criança constrói gradualmente seu conhecimento sobre a escrita, formulando hipóteses e testando-as em diferentes situações de leitura e produção textual. Esse processo evidencia que a alfabetização é uma construção ativa e contínua, em que o estudante avança conforme compreende as regras e funções da escrita (Ferreiro; Teberosky, 1999). RESULTADOS O estudo permitiu observar que a criança espontaneamente enfatizava as sílabas com a boca e fazia perguntas sobre qual letra usar em certos momentos, mas realizava a escrita de forma autônoma, demonstrando interesse e engajamento durante o teste, estes aspectos é fundamental para observar as hipóteses de escrita de uma criança, pois, conforme Ferreiro (1985, p. 9) “Quando uma criança escreve tal como acredita que poderia ou deveria escrever certo conjunto de palavras, está nos favorecendo um valiosíssimo documento”, com isso, o resultado do teste proporcionou uma observação proveitosa. Tratando-se da escrita observada durante o teste, foi realizado em uma folha de ofício (sem pauta), em que a criança demonstrou noção de alfabetização quando escreveu da esquerda para a direita e utilizou a letra cursiva espontaneamente sem a interferência da pesquisadora. Ao ser solicitada a produção de uma frase com uma das palavras (que consistia na segunda etapa do teste), a criança não compreendeu inicialmente o que seria uma frase, sendo necessário o auxílio da pesquisadora, que logo solicitou a escrita da frase “Eu gosto de coelhos”. Durante a leitura das palavras escritas, no terceiro passo do teste, passou o dedo sobre cada palavra de forma global, sem segmentar sílabas. Por último, na escrita do nome, escreveu sem dificuldade. Figura 1: Teste lectoescrita Fonte: Autoria própria (2025) A primeira palavra proposta foi “boi”, em que a criança escreveu corretamente. A segunda palavra “gato”, a criança esqueceu a última letra da palavra, em seguida, a palavra foi “coelho”, onde a criança escreveu “coelo”, por último, a palavra ditada foi “tartaruga”, onde a criança escreveu “tataruga”. Na última palavra, no lugar de “u” a criança colocou a letra “a”, sem pedir o auxílio da borracha, logo riscou e continuou a escrita, nesta mesma palavra a criança escreveu um traço após a primeira sílaba, em uma possível divisão silábica, que utiliza-se o traço para separá-la. De acordo com a psicogênese da língua escrita (Ferreiro; Teberosky, 1999), o desempenho observado caracteriza-se na fase silábico-alfabética, na qual a criança combina valores silábicos com tentativas de corresponder letras aos sons iniciais, mostrando a construção ativa das regras da escrita, esta fase, de acordo com Coutinho (2005, p.60) “[...]os alunos já têm suas hipóteses muito próximas da escrita alfabética, uma vez que eles já conseguem fazer relação entre grafemas e fonemas na maioria das palavras que escrevem”. Assim, o resultado revela que a criança participante deste estudo está em um momento de exploração da escrita, demonstrando curiosidade, autonomia e capacidade de construir hipóteses próprias sobre o funcionamento do sistema alfabético. Além disso, ao observar a utilização espontânea de letra cursiva e a direção correta da escrita indicou avanços no processo de alfabetização, evidenciando que a criança já se apropria de habilidades que demonstram organização quanto a forma de escrita e o conhecimento da letra cursiva. CONSIDERAÇÕES FINAIS A realização do estudo foi essencial para a compreensão da hipótese que a criança se encontra (silábico-alfabética). As escolhas metodológicas foram fundamentais para os resultados apontados e cumprimentos dos objetivos propostos. Além disso, a aplicação do teste proporcionou às pesquisadoras uma aproximação mais aprofundada do processo de construção da escrita infantil, permitindo observar na prática como a teoria psicogenética se dá no cotidiano pedagógico. A experiência também possibilitou às pesquisadoras reconhecer desafios concretos que surgem no cotidiano, atentando para a reflexão e necessidade de escuta atenta, observação detalhada e compreensão individual de cada criança. Esse olhar investigativo serviu para fortalecer o entendimento de que o processo de alfabetização é dinâmico, único e exige uma postura pedagógica cuidadosa e intencional. No âmbito profissional, o estudo deu ênfase a uma prática avaliativa que respeite o ritmo e as hipóteses individuais de aprendizagem, buscando a compreensão de que o papel do professor é o de mediador, que observa, interpreta e intervém de forma reflexiva. Sendo assim, o estudo colaborou para a capacidade de analisar e planejar intervenções pedagógicas mais adequadas às necessidades reais da criança. REFERÊNCIAS COUTINHO, M. de L. Psicogênese da língua escrita: O que é? Como intervir em cada uma das hipóteses? Uma conversa entre professores. In: MORAIS, A. G. de; ALBUQUERQUE, E. B. C. LEAL. T. F. Alfabetização: apropriação do sistema de escrita alfabética. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. FERREIRO, E. A apresentação da linguagem e o processo de alfabetização. Cad. Pesq. São Paulo, 1985. FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artmed, 1999. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MINAYO, M. C. S. O desafio da pesquisa social. In: DESLANDES, Suely Ferreira. Minayo, Maria Cecília de Souza (org). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 28 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SOUZA, Marjory Hellen Marcelino de; SILVA, Antonia Beatriz Medeiros da. REFLEXÕES SOBRE AS HIPÓTESES DE ESCRITA: ESTUDO DE CASO COM UMA CRIANÇA DE SEIS ANOS.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1387703-REFLEXOES-SOBRE-AS-HIPOTESES-DE-ESCRITA--ESTUDO-DE-CASO-COM-UMA-CRIANCA-DE-SEIS-ANOS. Acesso em: 13/08/2026

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