A OBRA “O MISTÉRIO NA BIBLIOTECA” COMO RECURSO NO ENSINO DE GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL I

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
A OBRA “O MISTÉRIO NA BIBLIOTECA” COMO RECURSO NO ENSINO DE GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL I
Autores
  • Edjamilly Victoria Dantas Magalhães
  • Érica Beatriz de Freitas Moreira
  • Luisa Eduarda de Oliveira soares
  • Zacarias Marinho
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 1 – Formação Humana, Docência e Currículo
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1387518-a-obra-o-misterio-na-biblioteca-como-recurso-no-ensino-de-geografia-no-ensino-fundamental-i
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Geografia; Literatura; Interdisciplinaridade; Ensino.
Resumo
A obra O Mistério na Biblioteca, de Aymone (2015), apresenta um rico potencial pedagógico para ser explorado nas aulas de Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Logo nas primeiras páginas, a narrativa menciona espaços públicos como a Biblioteca Nacional (AYMONE, 2015, p.3), o que possibilita o desenvolvimento da unidade temática “O Sujeito e seu lugar no espaço no Mundo”. A partir dessa abordagem, é possível estimular a criatividade, pensamento crítico e o imaginário dos estudantes ao relacionar esses espaços com os lugares que frequentam em seu cotidiano (AYMONE, 2015). Essa compreensão de que o espaço não é apenas um cenário, mas uma construção histórica e social, pode ser aprofundada com base nos estudos de Filizola (2009), que define o espaço geográfico como uma ferramenta para desestabilizar certezas e verdades, mobilizando novas considerações sobre si mesmos e seus pares, e contribuindo para a desconstrução de ideias preestabelecidas. Isso significa uma Geografia que não seja neutra, mas que sirva a uma pedagogia e a um currículo alternativos. Uma proposta de atividade que pode ser aplicada em sala de aula é a elaboração de um mapa do bairro onde os alunos residem, no qual deverão localizar espaços como bibliotecas, praças e outros pontos de referência comunitários. Diante desse contexto, este trabalho tem como objetivo fazer uma comparação da proposta do Meio Ambiente/Educação Ambiental como Tema Transversal para os currículos escolares, analisando sua constituição nos PCN e na BNCC, em suas semelhanças e diferenças. E como justificativa, a importância dos PCN e da BNCC para os currículos escolares. Isso porque, apesar de não determinar a atuação dos sujeitos escolares, documentos curriculares têm sempre influência sobre essa atuação e isso se intensifica com a BNCC, haja vista ser obrigatória. Como referencial teórico, adotamos autores que discutem o currículo, o ensino de Geografia e a formação do pensamento crítico. Filizola (2009) defende que o ensino de Geografia deve promover a reflexão sobre os lugares de convivência humana em suas dimensões políticas, sociais, culturais e econômicas. Já Castellar (1996) enfatiza a importância da linguagem cartográfica e da leitura crítica da paisagem. Assim, com base em uma perspectiva pós-estruturalista, utilizamos uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e análise documental comparando com as propostas dos PCN e da BNCC sobre o tema Meio Ambiente. Essa prática está diretamente relacionada à habilidade EF05GE03 da BNCC, que propõe a análise da função social dos dirigentes de espaços públicos e privados. A atividade estimula a observação do entorno, o reconhecimento do espaço vivido e o entendimento das dinâmicas que envolvem a organização do espaço urbano (BRASIL, 2017). Nesse processo, é importante considerar o que Filizola (2009) advertia sobre a valorização da conexão entre o conteúdo geográfico e a realidade vivida pelos alunos. Ele argumentava que muitos conhecimentos transmitidos de forma teórica, enfatizando a memorização, não têm aplicação prática na vida dos estudantes. Assim, ao desenhar os mapas e refletir sobre os espaços que frequentam, os estudantes internalizam conhecimentos construídos coletivamente, a partir do diálogo entre suas vivências e os conteúdos escolares, contribuindo para a formação de um ensino engajador e significativo. Além disso, a obra também traz elementos visuais importantes que retratam o espaço geográfico urbano. As páginas 2, 3 e 4 apresentam imagens coloridas que ilustram o trajeto de Gaby e seu avô até a biblioteca. Durante esse percurso, são representados diversos componentes da paisagem urbana, como ruas, automóveis, casas, prédios e outros elementos típicos das grandes cidades. Esses recursos visuais podem ser utilizados para trabalhar conteúdos relacionados ao espaço urbano, ao deslocamento e à representação do espaço geográfico. A observação das ilustrações permite que os alunos compreendam melhor as características da paisagem urbana, estimulando comparações com o lugar onde vivem (AYMONE, 2015). De acordo com a autora Castellar (1996) o ensino deve buscar ir além da memorização de informações, incentivando o aluno a desenvolver um raciocínio que permita analisar e interpretar os fenômenos geográficos, estabelecendo relações entre eles. A autora destaca a relevância da cartografia como linguagem fundamental para a Geografia. Para ela, o desenvolvimento de habilidades de leitura e elaboração de mapas é imprescindível para a compreensão do discurso geográfico e do espaço. Outro ponto relevante da obra está na descrição do espaço interno da biblioteca. Na página 5, Gaby afirma que “a biblioteca era grande, muito grande” (AYMONE, 2015, p.5). Essa representação pode ser utilizada para desenvolver o conceito do espaço e local em Geografia. A partir dessa descrição, o professor pode propor atividades que envolvem a imaginação e a representação espacial, como o desenho ou a maquete da biblioteca conforme os estudantes a imaginam, exercitando, assim, a percepção espacial e a criatividade (AYMONE, 2015). Essa proposta dialoga diretamente com a teoria do autor Filizola (2009), que sugere que o ensino de Geografia deve explorar como as fronteiras (sejam elas geográficas, sociais ou culturais) nos ensinam e como somos compelidos a ensinar sobre elas, abordando a arte da convivência, da hospitalidade e também do conflito. Complementando-se com que atribui Castellar (1996), ela ressalta a necessidade de trabalhar com conceitos como Paisagem, Natureza, Espaço, Território, Sociedade e Meio Ambiente de forma crítica e contextualizada, ampliando as percepções e os repertórios dos estudantes. Além dos aspectos urbanos, o livro também menciona elementos da Geografia Física. Em determinado momento da história, nas páginas 6 e 14, é citado um livro chamado Montanhas e Picos que desaparece da biblioteca e leva Gaby a uma aventura em sua busca. Essa menção pode ser um ponto de partida para introduzir conteúdos relacionados ao relevo terrestre, especialmente os tipos de relevo como montanhas e picos. Tal abordagem pode despertar o interesse e a curiosidade dos alunos em aprender sobre o tema, ao mesmo tempo que integra o conteúdo geográfico ao enredo literário, tomando a aprendizagem mais significativa (AYMONE, 2015). Dessa forma, a obra Mistério na Biblioteca mostra-se como uma ferramenta rica e versátil, capaz de contribuir de maneira criativa e interdisciplinar para o ensino da geografia. Ao integrar elementos literários com conteúdo geográfico. A obra também pode ser trabalhada de forma interdisciplinar, no ensino de História pode ser utilizada a partir da temática do patrimônio histórico cultural, explorando a menção à Biblioteca Nacional, fundada em 1808 por Dom João VI com acervo trazido da Biblioteca Real Portuguesa. Esse contexto possibilita uma reflexão crítica sobre o valor histórico das bibliotecas como espaços de memórias e transmissão de conhecimentos passada de geração para geração, reforçada no texto pela fala do avô de Gabi sobre os livros como guardiões de conhecimentos. Dessa forma, os alunos são convidados a refletir como esses espaços são fundamentais na construção dos saberes e formação da sociedade. Já na disciplina de Ciências, a obra pode ser objeto de estudo a partir do episódio em que a escada da biblioteca está danificada por cupins, abordando a ação de insetos que se alimentam de materiais contendo celulose, como móveis de madeira e livros. Os alunos podem estudar as características desses insetos, como os cupins e as traças, compreendendo seu modo de vida, alimentação e os prejuízos que causam a materiais e estruturas físicas produzidos a partir de recursos naturais. Essa abordagem possibilita discutir conteúdos como cadeias alimentares e o impacto biológico desses organismos em ambientes construídos, além de incentivar práticas de conservação e controle de pragas, promovendo o desenvolvimento do pensamento científico e de uma postura ambientalmente responsável. A análise da obra Mistério na Biblioteca demonstra que a literatura infantil é um recurso didático rico em conteúdos que podem ser utilizados no ensino de Geografia. A narrativa permite abordar conteúdos como paisagem urbana, relevo, espaço e lugar de forma significativa. O livro favorece a mediação entre vivências dos estudantes e os conceitos geográficos previstos na BNCC. A interação ilustrativa e as descrições do espaço estimulam a percepção espacial e a análise crítica do ambiente. As atividades contribuem de forma ampla para o desenvolvimento integral do aluno e provimento de uma didática da Geografia ativa, crítica e engajadora, buscando formar alunos capazes de compreender e atuar sobre o mundo a partir de uma perspectiva geográfica mais complexa e menos limitada à mera descrição como foi abordado pelo autor Roberto Filizola (2009). Por outra ótica, como foi explanado pela autora Sônia Maria Vanzella Castellar (1996), defende uma didática da Geografia escolar que capacite o aluno a ler, interpretar e atuar no mundo, desenvolvendo um pensamento espacial crítico e consciente das complexas relações que moldam o espaço geográfico. A obra também pode ser utilizada em outras áreas do conhecimento como no ensino de Ciências e História, possibilitando reflexões sobre o patrimônio histórico e a ação dos insetos em materiais que contêm celulose. Recomenda-se a ampliação de pesquisas sobre a utilização de outras obras literárias no ensino de Geografia. Sugere-se, ainda, a produção de sequências didáticas interdisciplinares que integrem ciências da natureza e ciências humanas, que promovam uma aprendizagem ampla e crítica.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

MAGALHÃES, Edjamilly Victoria Dantas et al.. A OBRA “O MISTÉRIO NA BIBLIOTECA” COMO RECURSO NO ENSINO DE GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL I.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1387518-A-OBRA-O-MISTERIO-NA-BIBLIOTECA-COMO-RECURSO-NO-ENSINO-DE-GEOGRAFIA-NO-ENSINO-FUNDAMENTAL-I. Acesso em: 13/08/2026

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