TRILHAS FORMATIVAS COM PRÁTICAS DA CULTURA DIGITAL E DA COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
TRILHAS FORMATIVAS COM PRÁTICAS DA CULTURA DIGITAL E DA COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA
Autores
  • Camila Freire Da Silva
  • Francisca Maria Gomes Cabral
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 3 – Práticas Educativas, Cultura, Diversidade e Inclusão
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1386759-trilhas-formativas-com-praticas-da-cultura-digital-e-da-comunicacao-aumentativa-e-alternativa
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Cultura digital; formação docente; inclusão.
Resumo
PONTO DE PARTIDA As recentes inovações das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) impactaram as mais diversas esferas das nossas vidas. O modo como nos relacionamos, como fazemos compras, como acessamos serviços públicos e, sobretudo, como aprendemos e ensinamos foram ressignificados. Hoje em dia, as relações interpessoais são mediadas por aplicativos de mensagens instantâneas, em que o espaço geográfico não é mais um determinante; compramos roupas, medicamentos, alimentos por meio de uma plataforma digital; precisamos realizar um cadastro na plataforma Gov.br para termos acesso a diversos serviços públicos e nas práticas pedagógicas utilizamos smartphone, tablets e lousa inteligente como recursos pedagógicos. Diante desse cenário, torna-se imprescindível refletir sobre a formação de professores, considerando que o uso de recursos digitais não apenas amplia possibilidades metodológicas, mas também fortalece práticas inclusivas no espaço escolar. Na perspectiva sócio-histórica, a tecnologia pode ser vista como signo, pois permite atuar de forma mediada no espaço-tempo, potencializando a criação de representações mentais simultâneas de um mesmo fenômeno e, de forma compartilhada, estruturar e organizar a ação humana (Bez e Passerino, 2015). Compreender o papel das tecnologias na educação significa reconhecê-las como mediadoras de aprendizagens e como possibilidade de equidade, capazes de reduzir barreiras comunicacionais, cognitivas e sociais presentes no cotidiano escolar. Assim, este trabalho tem por objetivo analisar como alguns recursos digitais podem contribuir para a formação de professores de Educação Especial e do Atendimento Educacional Especializado favorecendo a ampliação do acesso à leitura literária, a valorização da diversidade cultural e a construção de práticas pedagógicas inclusivas no contexto escolar. A relevância desta discussão se justifica por entender que a experiência apresentada articula formação docente, políticas de inclusão e acessibilidade e práticas educativas inovadoras mediadas por recursos digitais. Este trabalho é um recorte de uma pesquisa de mestrado em andamento, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Educação (Poseduc) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). MAPEANDO O CAMINHO Metodologicamente, este estudo é de abordagem qualitativa (Minayo, 2001) e interpretativista (André, 1995). Os dados a serem analisados foram gerados por meio da técnica de grupo focal e em oficinas de letramento , com 6 professores da educação especial, 1 professor da sala de AEE, 1 professor de matemática, 1 apoio pedagógico da Escola Estadual Isabel Oscarlina Marques, durante o ano letivo de 2025. As oficinas de letramento, denominadas Trilhas Acessíveis, foram organizadas em três momentos, conforme mostra o quadro abaixo: Quadro 1: trilhas acessíveis TRILHA OBJETIVO METODOLOGIA RECURSOS trilhar saberes descobrir a CAA na prática educativa Acolhida ao grupo – Dinâmica “Eu incluo quando...” Momento musical - Te todas as cores. O que entendemos por CAA? Todas as vozes importam! (vídeo). CAA na prática educativa. Hora de praticar! Barbante; projetor; notebook; som impressões do folder e da música com reescrita em CAA; Smartphone. trilhar experiências explorar livros que falam com todos Mediando leitura literária. Construindo relação de sentido. O direito de ler. Os livros em Multiformatos. Práticas de letramento literário Livros em multiformatos; chaveiro de leitura literária; impressões do livros sem os pictogramas, pictogramas da história; fichas de pictogramas, folhas A4, notebook, smartphone, projetor, cartolina, cola, tesoura, canetas. trilhar narrativas Criar propostas literárias com CAA Linguagem simples. Conhecer o livro “Contos africanos”. Reescrita do livro Contos africanos em CAA. Livro “contos africanos”, projetor, notebook. Fonte: autoras (2025) TRILHANDO NARRATIVAS ACESSÍVEIS As trilhas formativas foram desenvolvidas nos momentos de planejamento escolar, designados de hora-atividade, em que cada encontro teve três horas de duração. A escolha desse momento justificou-se por coincidir com organização escolar destinada ao planejamento coletivo, realizado no contraturno, o que favoreceu maior adesão dos participantes. Para a construção dos dados, foram utilizados diferentes recursos, como gravações de voz, notas de campo e registros fotográficos dos encontros. O recorte apresentado neste resumo refere-se à terceira trilha formativa – “Trilhar narrativas: criando propostas literárias com CAA” –, realizada em 19 de setembro, na biblioteca da escola. O objetivo da oficina de letramento teve como objetivo foi promover a reescrita acessível da obra Contos Africanos, de Ernesto J. Rodríguez Abad, por meio do uso da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) e de ferramentas digitais, como Arasaac, Picto4.me, Canva. A organização do espaço contemplou a disponibilização de exemplares da obra e notebooks, favorecendo a participação ativa dos professores. O ponto de partida foi uma reflexão acerca do conceito de linguagem simples, compreendida, segundo Cardoso (2024), como a reescrita de um texto mantendo sua integridade semântica, mas com simplificação do vocabulário e da sintaxe. Um professor convidado mediou esse momento, apresentando parâmetros para a elaboração da escrita simples, assumindo também o papel de revisor do material ao final do processo. Em seguida, foram apresentados os recursos e possibilidades que o site Picto4.me, um aplicativo gratuito para o navegador Google Chrome, com interface intuitiva que permite a criação e reprodução de quadros de comunicação on-line, além de possibilitar a edição, compartilhamento e utilização de pranchas comunicativas de forma individual ou colaborativa, pode contribuir com a CAA. Essa ferramenta reúne mais de 80 mil símbolos oriundos de diferentes bancos de imagens livres, como o Arasaac, e dispõe de busca em múltiplos idiomas (Cardoso, 2018). Após a exploração dos recursos disponível na plataforma, os professores foram organizados em duplas e cada grupo selecionou um dos contos da obra para reescrevê-lo em linguagem simples, representando-o, em seguida, por meio de pictogramas. A proposta configurou-se como um desafio, na medida em que exigiu escolhas lexicais cuidadosas, de modo a respeitar os princípios da linguagem simples e, ao mesmo tempo, possibilitar representações visuais adequadas aos pictogramas. O desenvolvimento da atividade ultrapassou o tempo previsto para o encontro, sendo continuado de forma assíncrona compartilha pelo aplicativo Canva. Embora alguns docentes optaram por construir os textos no notebook, outros optaram por realizar nos smartphones, de acordo com a maior familiaridade com os dispositivos. A oficina favoreceu tanto a reflexão crítica sobre o uso da linguagem simples em narrativas literárias, quanto a vivencia com ferramentas digitais que podem ampliar o acesso à literatura. Dessa forma, ficou evidente que o uso planejado de recursos tecnológicos, aliado à mediação pedagógica e às práticas colaborativas, configura-se como uma estratégia potente para a formação de professores comprometidos com a construção de práticas educacionais acessíveis e inclusivas. Portanto, mais do que ampliar repertórios didáticos, essas ações contribuem para a efetivação do direito à leitura literária como um bem coletivo, assegurando que diferentes formas de expressão, comunicação e participação sejam reconhecidas e valorizadas no cotidiano escolar. RUMO A INCLUSÃO Os resultados apontam que o uso de recursos digitais, em articulação com a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), amplia significativamente a formação docente e enriquece os repertórios pedagógicos, por promover práticas educacionais mais inclusivas, criativas e colaborativas, além de contribuir para a construção de uma cultura escolar que valoriza a diversidade. Assim, o estudo evidenciou que o caminho para uma escola verdadeiramente democrática, inclusiva e acessível passa pelo compromisso contínuo dos educadores em ressignificar suas práticas e reconhecer o potencial transformador da inclusão como princípio pedagógico e social. A cultura digital não se distingue por recursos tecnológicos ou estratégias, mas “[…] pela experiência de interação, comunicação, produção coletiva e colaborativa: são tais experiências que atribuem (outros) sentidos ao vivido por meio da práxis”. (BRUNO; PESCE, 2015, p. 599) REFERÊNCIAS ANDRÉ, M. E. D. A. Etnografia da prática escolar. Campinas: Papirus, 1995. CARDOSO, E.; MARTINS, D. S.; KAPLAN, L. Diretrizes para o desenvolvimento de livros infantis multiformato Acessíveis. In: Informática na educação: recursos de acessibilidade da comunicação [recurso eletrônico] / organizadores Gabriela Trindad e Perry, Eduardo Cardoso [e] Cinthia Costa Kulpa; coordenado pela SEAD/ UFRGS. – Porto Alegre: Editora da UFRGS, -. 95-125, 2019. Disponível em: Acesso em out.2024. CARDOSO, E. Escrita simples e com símbolos pictográficos de comunicação em museus. In: Seminário Internacional Acessibilidade em Museus e Espa ços Culturais: Desafios e Inspirações, SESC, São Paulo, 2018. MINAYO, M. C. S. Pesquisa Social. Teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. PASSERINO, L. M.; BEZ, M. R. Sobre comunicação e linguagem. In: PASSERINO, L. M.; BEZ, M. R. Comunicação alternativa mediação para uma inclusão social a partir do Scala. Passo Fundo: UFP editora, 2015. SANTOS-MARQUES, I. B. A.; KLEIMAN, A. B. Projetos, oficinas e práticas de letramento: leitura e ação social. Revista ComSertões – Juazeiro-BA, v.7, n.1, julho-dezembro 2019, p. 16-34.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

SILVA, Camila Freire Da; CABRAL, Francisca Maria Gomes. TRILHAS FORMATIVAS COM PRÁTICAS DA CULTURA DIGITAL E DA COMUNICAÇÃO AUMENTATIVA E ALTERNATIVA.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1386759-TRILHAS-FORMATIVAS-COM-PRATICAS-DA-CULTURA-DIGITAL-E-DA-COMUNICACAO-AUMENTATIVA-E-ALTERNATIVA. Acesso em: 13/08/2026

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