TECNOLOGIAS ASSISTIVAS COMO ESTRATÉGIA DE INCLUSÃO NO ENSINO DE GEOGRAFIA: POSSIBILIDADES E DESAFIOS

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
TECNOLOGIAS ASSISTIVAS COMO ESTRATÉGIA DE INCLUSÃO NO ENSINO DE GEOGRAFIA: POSSIBILIDADES E DESAFIOS
Autores
  • Ana Paula Nascimento Barreto Leonez
  • Maria José Costa Fernandes
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 3 – Práticas Educativas, Cultura, Diversidade e Inclusão
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1386421-tecnologias-assistivas-como-estrategia-de-inclusao-no-ensino-de-geografia--possibilidades-e-desafios
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Tecnologias Assistivas. Ensino de Geografia. Inclusão.
Resumo
A trajetória da inclusão escolar está diretamente relacionada às transformações sociais, políticas e culturais que moldaram a compreensão da deficiência ao longo do tempo. Durante séculos, pessoas com deficiência foram marginalizadas e excluídas dos espaços sociais, vistas sob uma perspectiva de incapacidade e dependência. Esse cenário começou a mudar gradualmente a partir do século XX, impulsionado pelos movimentos sociais e pelas discussões sobre direitos humanos e igualdade de oportunidades. Com a Declaração de Salamanca (BRASIL, 1997), consolidou-se o conceito de educação inclusiva, que defende o direito de todos à aprendizagem em ambientes comuns com os apoios necessários. No Brasil, esse avanço foi fortalecido pela Constituição Federal, de 1988, pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, 1996) e pela Política Nacional de Educação Especial (PNEE, 2008), que orientam a construção de escolas acessíveis e voltadas à valorização da diversidade. A inclusão escolar implica transformações nas práticas pedagógicas e na cultura institucional das escolas, garantindo o direito à educação em igualdade de condições e promovendo a participação plena dos estudantes (Mantoan, 2003). Enquanto a Educação Especial se concentra no atendimento individualizado de alunos com necessidades específicas, a educação inclusiva busca integrá-los ao convívio escolar com estratégias e adaptações que favoreçam a aprendizagem (Camargo, 2017). Nesse contexto, a Tecnologia Assistiva (TA) constitui um campo interdisciplinar que reúne recursos e métodos voltados à ampliação da funcionalidade e da participação social de pessoas com deficiência, promovendo autonomia e qualidade de vida (BRASIL, 2006). No ensino de Geografia, essas tecnologias assumem papel estratégico na construção do conhecimento. Mapas táteis, softwares de geolocalização com audiodescrição e plataformas digitais acessíveis ampliam as possibilidades de aprendizagem e promovem a participação ativa dos estudantes. O estudo do uso das tecnologias assistivas no ensino de Geografia permite compreender suas potencialidades e desafios, apoiando a construção de práticas pedagógicas mais inclusivas e a formação de professores capazes de atender às necessidades de todos os estudantes. Assim, este trabalho busca responder: como as tecnologias assistivas podem favorecer a inclusão e o aprendizado de alunos no ensino de Geografia? O objetivo foi analisar de que modo essas tecnologias contribuem para o processo de ensino-aprendizagem, promovendo inclusão e equidade no ambiente escolar. A pesquisa possui abordagem qualitativa, considerando a complexidade do objeto de estudo e a necessidade de uma compreensão ampla dos processos e estratégias de intervenção. Para a coleta e interpretação dos dados, optou-se pela revisão de literatura, conforme Oliveira (2007), que destaca a pesquisa bibliográfica como meio de fundamentação teórica sólida. Foram utilizadas fontes como livros, artigos, legislações e produções acadêmicas pertinentes ao tema, além das discussões realizadas na disciplina Tópicos Especiais em Ensino II: Leitura e prática de inclusão na escola, do curso de Mestrado em Ensino da UERN/UFERSA/IFRN, que contribuíram para reflexões críticas e aprofundamento teórico. Os resultados indicam que o uso de tecnologias assistivas acompanha a história humana desde tempos remotos, com o aprimoramento de recursos que hoje ampliam a autonomia das pessoas com deficiência (Rodrigues; Alves, 2013). Contudo, a formação docente, inclusive na área de Geografia, ainda carece de preparação adequada para lidar com as demandas inclusivas, sendo um desafio para o trabalho pedagógico. É essencial reconhecer que todos os alunos trazem saberes prévios e representações sobre o meio em que vivem, que devem ser valorizados no processo de ensino-aprendizagem. Na Geografia, busca-se formar cidadãos capazes de compreender o mundo e agir de forma crítica sobre ele (Callai, 2001). A ausência da visão, por exemplo, não inviabiliza a aprendizagem; exige apenas estratégias pedagógicas criativas que estimulem outros sentidos, como o tato e a audição. A paisagem, um dos elementos fundamentais na construção do conhecimento geográfico, não se limita ao visível, mas envolve percepções e interpretações humanas. Segundo Santos (2006), o espaço geográfico resulta das interações entre o homem e o meio, expressando dimensões materiais e simbólicas. Sob essa perspectiva, recursos como mapas táteis e maquetes favorecem a aprendizagem de alunos com deficiência visual, oferecendo oportunidades equivalentes às dos demais (Aguiar; Costa, 2021). A alfabetização cartográfica permite o desenvolvimento de noções espaciais e escalas, sendo a linguagem cartográfica tátil um avanço no ensino inclusivo, ao valorizar a diversidade sensorial nos processos de ensino (Almeida, 2010; Camargo, 2017). Cabe às instituições oferecer recursos e serviços especializados que orientem a prática, assegurando o atendimento educacional inclusivo articulado ao ensino regular (BRASIL, 1996). Entretanto, a inclusão ainda enfrenta desafios, pois, embora prevista na legislação, muitas práticas escolares permanecem excludentes (Anache, 2020). Persistem obstáculos como infraestrutura inadequada, formação docente insuficiente, ausência de materiais adaptados e uma visão tecnicista que reduz o uso das tecnologias a funções operacionais (Aguiar; Costa, 2021). Além disso, observa-se a influência de valores empresariais na educação, que priorizam resultados mensuráveis e eficiência, mas desconsideram a complexidade do ato educativo, que envolve autonomia, criatividade e pensamento crítico (Bueno; Gomes, 2011). A teoria de Vygotsky reforça que o desenvolvimento do sujeito com deficiência é ampliado por mediações culturais, o que evidencia a necessidade de transformar o ambiente social para promover inclusão (Anache, 2020). Assim, ações baseadas em TA devem centrar-se na pessoa, promover a participação em atividades significativas e respeitar princípios éticos e de sustentabilidade (Camargo, 2017). A efetiva inclusão escolar exige mudanças estruturais na escola e no currículo, de modo que a incapacidade deixe de ser entendida apenas como limitação biológica e passe a ser reconhecida como resultado das barreiras sociais (Anache, 2020). A escola, como espaço de mediação entre o biológico e o cultural, tem papel decisivo nesse processo. A integração da Tecnologia Assistiva à prática pedagógica contribui para uma educação mais colaborativa e significativa, alinhada aos princípios da inclusão e da aprendizagem para todos. Embora os avanços sejam notáveis, ainda é necessário fortalecer políticas e práticas pedagógicas que assegurem a efetiva participação e aprendizagem de todos os estudantes.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

LEONEZ, Ana Paula Nascimento Barreto; FERNANDES, Maria José Costa. TECNOLOGIAS ASSISTIVAS COMO ESTRATÉGIA DE INCLUSÃO NO ENSINO DE GEOGRAFIA: POSSIBILIDADES E DESAFIOS.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1386421-TECNOLOGIAS-ASSISTIVAS-COMO-ESTRATEGIA-DE-INCLUSAO-NO-ENSINO-DE-GEOGRAFIA--POSSIBILIDADES-E-DESAFIOS. Acesso em: 13/08/2026

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