A PESQUISA EM EDUCAÇÃO COMO EXPERIÊNCIA SENSÍVEL: A QUESTÃO DO OLHAR

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
A PESQUISA EM EDUCAÇÃO COMO EXPERIÊNCIA SENSÍVEL: A QUESTÃO DO OLHAR
Autores
  • Francinilma Ferreira De França
  • Francisco Canindé da Silva
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 1 – Formação Humana, Docência e Currículo
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1381147-a-pesquisa-em-educacao-como-experiencia-sensivel--a-questao-do-olhar
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Pesquisa em educação; Ver antiocular; Percepção corpórea.
Resumo
A PESQUISA EM EDUCAÇÃO COMO EXPERIÊNCIA SENSÍVEL: A QUESTÃO DO OLHAR Introdução As pesquisas em educação, geralmente estão associadas a métodos que ainda apresentam resquícios de técnicas positivistas que buscam explicar a realidade e os sujeitos de forma objetiva, fragmentada, distanciando o pesquisador do objeto, colocando-o como um mero observador externo da realidade pesquisada. Entretanto, é possível compreender que na construção do conhecimento, o ato de se realizar uma pesquisa experiente e sensível, abre um espaço para valorizar as diferentes maneiras de olhar do pesquisador de forma mais humanizadora e ética. As pesquisas sempre privilegiaram o “olhar” como o único “sentido” capaz de descrever os espaços e sujeitos que constituem a realidade, deixando a margem aquilo que não é possível ser capturado simplesmente pelo olho. Essa hegemonia do olhar tem ligação com o ego e o paulatino afastamento do indivíduo do mundo. A história e as correntes intelectuais científicas (de Aristóteles ao positivismo) sempre colocaram os olhos como o sentido primordial. É preciso aprender a ver com os outros sentidos e abrir mão da predileção dada à visão e valorizar uma epistemologia dos sentidos que envolve a pele, audição e o olfato, pois estes permitem construir uma pesquisa carregada de significados heurísticos. Nesse sentido, perguntamos: como é possível ver usando outros sentidos além dos olhos? Essas outras maneiras de ver são importantes à escola, pois permite ver além do que o sistema impõe estrategicamente (no sentido certeuniano), não é uma mera ação natural das coisas, mas sim uma intencionalidade produzida pela modernidade que engessa e produz uma sociedade alienada e desigual. Metodologia Adotamos como abordagem metodológica, a pesquisa qualitativa, cujo objetivo é compreender melhor os fenômenos em estudo, destacando indícios, microrrelações e desimportâncias cotidianas. A metodologia adotada neste trabalho – a revisão bibliográfica, assume como principal característica compreensiva o rigor na seleção de fontes teóricas, tais como livros e artigos, em que são produzidos dados que fornecem argumentos reflexivos sobra a temática em discussão – aprender a ver com outros sentidos biofísicos – fundamental para a construção do conhecimento (Guerra, 2023). Corrobora com essa assertiva, Cavalcante e Oliveira (2020, p. 85): “Os estudos de revisão bibliográfica caracterizam-se pelo uso e análise de documentos de domínio científico, tais como livros, teses, dissertações e artigos científicos; sem recorrer diretamente aos fatos empíricos”. Mergulhar com todos os sentidos: uma experiência sensível na pesquisa em educação A visão hegemônica produziu injustiças epistemológicas quando compreendemos que no processo de construção do conhecimento se estabeleceu em uma lógica de visão de mundo que se impõe como universal e única, porém, camuflada com intuito de esconder sua verdadeira face: a de impor valores e interesses das classes dominantes. Essa hegemonia produziu uma lógica de conhecimento que determina o que é ou não válido. E o que é essa hegemonia do ver? Para responder essa pergunta é preciso enxergar com uma lente ampliada os interesses por trás dessa lógica que estabeleceu objetivos de controle, produção e reprodução das injustiças sociais, quando compreendemos que essa intencionalidade é a uma “verdade” instituída de forma ideológica, política e, também, econômica. No campo das pesquisas em educação, existe fatos que nos petrifica, não nos permite olhar os “não lugares” (Augé, 2012) e isso se tornou dominante nas ciências acadêmicas, com padrões pré-estabelecidos. Na obra intitulada O que vemos, o que nos olha, Didi-Huberman (2010) nos faz refletir sobre “a inelutável cisão do ver”, nessa cisão há uma separação/esvaziamento pois o ato de ver instituído pelo padrão dominante nos ensinou a ver de forma isolada, padronizada (uma espécie de foco centralizado) nos impedindo de ver as bordas, o periférico, o residual, padronizando comportamentos sociais dos sujeitos e das instituições. Esse “ver” hegemônico que interpreta o mundo linearmente tem sido questionado a partir de uma concepção fenomenológica da percepção dos sujeitos e espaços pesquisados especialmente nos cotidianos escolares, onde se predomina uma ciência de linguagem hegemônica, produzindo dicotomias nos modos de sentir e produzir conhecimento. Sobre esta perspectiva Didi- Huberman (2010, p. 29) nos apresenta uma ideia de ver a partir de quem me olha, “o ato de ver só se manifesta ao abrir-se em dois”. A modernidade do visível nos faz compreender que o ato de ver nos movimenta para uma espécie de “confronto” com aquilo que nos escapa, ou seja, traz a reflexão o que poderíamos conhecer e que nos escapa pela ausência da inelutável modalidade do visível que deixa de lado os outros modos de ver, os outros sentidos. Ver também é perder, pois algo irá nos escapar no processo de pesquisa, para isso precisamos nos desvencilhar das amarras de um ver palpável, fechar os olhos e sentir a partir do que não é visual intangível e questionar: Me contento com o que vejo? É possível enxergar mais além do que está visível? Este ver produz um vazio que não está no que é externo, mas sim no entender o que é intangível. Devemos abrir os olhos a fim de vermos o que não vemos. O que nos escapa são os contextos, perder é deixar de ver com os olhos da ingenuidade ou do imediatismo. Pallasmaa (2011) na obra intitulada Olhos da pele: arquitetura e os sentidos elabora uma crítica a ideia de visão que continua prevalecendo na hierarquia da percepção como identidade pessoal, enquanto os demais sentidos são condicionados a resquícios sensoriais e arcaicos. Essa lógica produz resultados de pesquisa esvaziados de sentidos, ao mesmo tempo frágil e fragmentada. Nesse contexto, Pallasmaa (2011) recorre a Merleau-Ponty, filosofo francês e estudioso da fenomenologia da percepção para destacar sua posição antiocular dos sentidos de forma corporificada. Minha percepção é [portanto] não uma soma de pressupostos visuais, táteis e auditivos: eu percebo de maneira total com todo meu ser: eu abarco uma estrutura única da coisa, um modo único de ser, o qual fala com todos meus sentidos ao mesmo tempo (Merleau-Ponty, 1964 apud Pallasmaa, 2011). No contexto dessa reflexão, Pallasmaa (2011) amplia sua compreensão fundamentando-se em Martin Heidegger, Michel Foulcaut e Jacques Derrida, com os quais entende que o pensamento sobre a cultura da modernidade dá continuidade e predileção ao órgão da visão quando destaca as tecnologias que vêm sendo produzidas como a imprensa, luz artificial, fotografia, poesia e outras tantas que excluem, entre outras, pessoas com deficiência visual. Essa hegemonia vem provocando epistemicídio de outros povos que tem nos outros sentidos maneiras de continuidade e preservação de suas culturas ancestrais, como os indígenas, os griôs e quilombolas, conhecidos como guardiões da tradição oral. Considerações finais As formas hegemônicas de visão produzidas com a ciência moderna, desenvolveu interpretações fragmentadas e suspeitas do mundo e do conhecimento, considerando-as como verdades absolutas da realidade. O paradigma centrado nos olhos provocou injustiças, desigualdades e a aniquilação de outros saberes impossíveis de serem capturados, sentidos a partir de outros movimentos, paladares, odores, contatos e experiências sensitivas. Conexões ocultas são diariamente produzidas e ao mesmo tempo desconsideradas, irrelevantes e sem valor epistemológico, ato que empobrece o campo científico e das experiências sociais e culturais. Nesse sentido, as pesquisas educação, principalmente, vem se debruçando sobre essas outras maneiras, entendendo que compreender os espaços e sujeitos em seus respectivos cotidianos estão implicados. Para vê-los e senti-los em sua multidimensionalidade é preciso despir-se, deseduca-se de um “ver” narcísico que aprendemos desde a escola básica. É preciso reaprender a ver o mundo em um sentido corporificado, um mundo plural e complexo, tecido de experiências corporificada. Palavras-chave: Pesquisa em educação. Ver antiocular. Percepção corpórea. Referências AUGÉ, Marc. Não lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. 9. ed. Trad. Maria Lúcia Pereira. Campinas, SP: Papirus, 2012. CAVALCANTE, Lívia Teixeira Canuto; OLIVEIRA, Adélia Augusta Souto de. Métodos de revisão bibliográfica nos estudos científicos. In: Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 26, n. 1, p. 83-102, abr. 2020 DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. 2. ed. Trad. Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 2010. GUERRA, Avaetê de Lunettae Rodrigues; MATOS, Diego de Vargas; DA COSTA, Michel; ROZENDO, Jefferson Florencio; DE MELO, Nedilson José Gomes. Procedimentos metodológicos de classificação das pesquisas científicas. Educere – Revista da Educação da UNIPAR, [S. l.], v. 23, n. 1, p. 303–311, 2023. DOI: 10.25110/educere.v23i1-018. Disponível em: https://www.revistas.unipar.br/index.php/educere/article/view/9980. Acesso em: 17 de outubro de 2025. PALLASMAA, J. Os olhos da pele: a arquitetura e os sentidos. Tradução de Alexandre Salvaterra. Porto Alegre: Bookman. (2011). FOERSTER, Heinz von. Visão e conhecimento: disfunções de segunda ordem. In: SCHNITMAN, Dora Fried (org.). Novos paradigmas, cultura e subjetividade. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. CAVALCANTE, Lívia Teixeira Canuto; OLIVEIRA, Adélia Augusta Souto de. Métodos de revisão bibliográfica nos estudos científicos. In: Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 26, n. 1, p. 83-102, abr. 2020
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

FRANÇA, Francinilma Ferreira De; SILVA, Francisco Canindé da. A PESQUISA EM EDUCAÇÃO COMO EXPERIÊNCIA SENSÍVEL: A QUESTÃO DO OLHAR.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1381147-A-PESQUISA-EM-EDUCACAO-COMO-EXPERIENCIA-SENSIVEL--A-QUESTAO-DO-OLHAR. Acesso em: 09/08/2026

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