LETRAMENTO COMO AÇÃO PARA CIDADANIA PARTICIPATIVA

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
LETRAMENTO COMO AÇÃO PARA CIDADANIA PARTICIPATIVA
Autores
  • Larissa Kaline Monteiro Barbosa de Carvalho
  • Antonia Beatriz Medeiros da Silva
  • Francisca Leidiana de Souza
  • Antônia Maíra Emelly Cabral da Silva Vieira
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 1 – Formação Humana, Docência e Currículo
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1379222-letramento-como-acao-para-cidadania-participativa
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Cidadania participativa; Emancipação; Criticidade.
Resumo
LETRAMENTO COMO AÇÃO PARA CIDADANIA PARTICIPATIVA Larissa Kaline Monteiro Barbosa de Carvalho Antonia Beatriz Medeiros da Silva Francisca Leidiana de Souza Antonia Maíra Emelly Cabral da Silva Vieira Palavras-Chave: Cidadania participativa. Emancipação. Criticidade. INTRODUÇÃO A cidadania participativa requer do indivíduo habilidades que o impulsionem à tomada de posições na sociedade, como a criticidade para questionar realidades e a reflexão sobre os papéis sociais. Nesse viés, o letramento favorece o desenvolvimento dessas habilidades, pois, para além da leitura e da escrita, promove atitudes de compreensão e interpretação das práticas sociais. Isto posto, este escrito foi pautado na seguinte questão: Qual a importância do letramento para o favorecimento da cidadania participativa? E na tentativa de solucioná-la, o objetivo geral é compreender a importância do letramento para o favorecimento da cidadania participativa; como objetivo específico, refletir como o letramento escolar pode contribuir para práticas emancipadoras. Ademais, este resumo discute a relação entre letramento, cidadania e democracia a partir de uma perspectiva emancipadora, justificando-se ao propor uma reflexão crítica acerca das práticas tradicionais de ensino. Ainda, o estudo em tela é resultado de um trabalho elaborado na disciplina de mestrado Educação e Cidadania, do Programa de Pós-Graduação em Educação (POSEDUC); sob orientação das professoras Drª. Ciclene Alves da Silva, Drª. Francisca Leidiana de Souza e do professor Drº. Allan Solano Souza. As seções posteriores à introdução contemplam a metodologia, os resultados e as considerações finais. METODOLOGIA Este resumo adota a abordagem qualitativa, fundamentando-se em interpretações da realidade investigada sobre o letramento para a cidadania participativa, “[...] ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis” (Minayo, 1994, p. 21-22). Nesse contexto, ao entender que “a fenomenologia e a etnometodologia, inserem-se na tradição metodológica qualitativa ao tentar ver o mundo através dos olhos dos atores sociais e dos sentidos que eles atribuem aos objetos e às ações sociais que desenvolvem” (Goldenberg, 2004, p. 32), é possível refletir diante das interpretações de “cidadania” e “letramento” que ser cidadão não é somente cumprir o direito do voto, mas desempenhar uma participação transversal na sociedade. É aderido, também, a pesquisa bibliográfica ao selecionar materiais variados sobre a temática, por meio das seguintes fases: estruturação do plano de trabalho; definição do corpus; levantamento dos textos e fichamento e análise dos escritos, que embasaram este estudo (Lakatos; Marconi, 2003). Por conseguinte, esta pesquisa foi desenvolvida no semestre 2025.1 e, por se tratar de uma pesquisa bibliográfica, seguiu critérios para a seleção dos textos: a preferência foi de obras discutidas na disciplina Educação e Cidadania e textos que abordavam a temática investigada, na área da Educação. Não obstante, classifica-se também como um estudo exploratório ao tornar a problemática mais compreensível, uma vez que grande parte das pesquisas bibliográficas também podem ser consideradas estudos exploratórios (Gil, 2002). RESULTADOS No contexto histórico, o conceito de cidadania é marcado por restrições e desigualdades, a saber: na Grécia e Roma antigas, nem todos podiam ser considerados cidadãos, havia exclusão mediante ao sexo, origem e status social. Hodiernamente, observa-se que o neoliberalismo na educação e as políticas públicas têm orientado uma cidadania para o mercado (cidadania neoliberal), influenciados por interesses econômicos, pois como afirma Wood (2003, p. 183): a “desvalorização da cidadania decorrente das relações sociais capitalistas é atributo essencial da democracia moderna”. Este viés fomenta a competitividade entre os alunos em vez da formação crítica e da participação cívica/social. Não obstante, essa realidade evidencia a urgência de se pensar em uma educação que emancipe, forme e capacite para a resolução de desafios na sociedade. Neste sentido, a cidadania pós-moderna (emancipadora) é o elemento central para a prática da democracia, pois, segundo Bobbio (2015), há um contraponto entre a democracia ideal, sonhada e teórica, e a democracia real, realidade vivida marcada por promessas não cumpridas que propiciam a permanência do poder invisível, das oligarquias e da apatia política. Este último, por sua vez, é uma crítica em relação ao que se esperaria da expansão dos direitos políticos do cidadão, para uma educação cívica consciente e racional. Todavia, o que se tem é uma falta de engajamento político, crítico e responsável, com o voto por permuta cada vez mais presente na política; pontos estes observados por Bobbio e que desvirtuam o viés democrático (2015). Assim, a educação assume o papel primordial de preparar o aluno, enquanto cidadão, para uma participação ativa na sociedade através do letramento. Este termo, no presente escrito, é conceituado a partir de Kleiman (1995) e de Soares (2009) como uma prática social. A primeira define uma perspectiva mais voltada a um conjunto de práticas, enquanto a segunda retrata um estado ou condição adquirida, que auxiliam na discussão do cidadão como um sujeito crítico e reflexivo acerca das práticas sociais. Cabe salientar que o termo letramento, de forma alguma, substitui o conceito de alfabetização: entendido como um “processo de apropriação de ‘tecnologia da escrita’ [...]” (Soares, 2020, p. 27), isto é, a capacidade linguística de ler e escrever. Por mais que os conceitos se diferem, as práticas se complementam. Dessa forma, pensar no letramento para a cidadania participativa é considerar, para além do ensino formal, a sensibilidade constitutiva de um cidadão que esteja apto para transformar a realidade, por meio do juízo de valor fundamentado (baseado na razão e evidências), da transparência política, dos direitos e da criticidade; resistindo, portanto, as manipulações políticas e influências do neoliberalismo, corroborando para o combate da apatia política. Dado o exposto, a concepção adotada neste resumo de cidadania articulada ao letramento valoriza a perspectiva emancipadora, envolvendo a criticidade do aluno para uma plena participação social. Assim, a formação do cidadão crítico exige uma participação não desengajada na sociedade, mas ativa e democrática. Essa posição necessita de um indivíduo com saberes conscientes sobre questões de desigualdade, pobreza, exclusão, problemas ambientais, globalização da economia, entre outros (Nogueira; Saavedra, 2001), que demandam valores sociais e coletivos e convergem com os direitos resguardados por lei dos cidadãos. Em suma, a análise evidenciou que a educação, associada ao letramento, estimula a capacidade crítica dos sujeitos para interpretar e compreender as estruturas sociais, sendo esta orientada pelos valores democráticos (ética, tolerância, respeito, solidariedade, etc.) e pela participação social, rompendo com o fenômeno da apatia política que limita o exercício da cidadania. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao decorrer da breve discussão tecida, foi possível responder a questão que norteou este escrito, bem como atingir o objetivo geral. Destarte, fica evidenciada a prática social do letramento para uma educação crítica que capacita o cidadão a uma participação ativa, consciente e reflexiva no que tange os desafios que permeiam a realidade vivida. Dessa maneira, ao perceber a sua realidade, o aluno-cidadão torna-se capaz de transformá-la. No que concerne ao objetivo específico, este se mostrou não se restringindo apenas ao ensino formal de conteúdos, mas vinculado a pragmática dos conhecimentos cívicos, do juízo de valor fundamentado e da compreensão do sistema político para resistir à apatia política, demonstrando que o letramento escolar contribui para uma participação democrática/emancipadora em vários espaços da sociedade (social, cultural, econômico, etc.). É imprescindível destacar que o debate sobre o conceito de cidadania participativa permanece em constante desenvolvimento e que este estudo traz percepções fundamentadas no letramento para refletir sobre nuances dessa prática social. REFERÊNCIAS BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia: Uma Defesa das Regras do Jogo. 13. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015. GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em Ciências Sociais. 8. ed. Rio de Janeiro: Record, 2004. KLEIMAN, Angela Del Carmen Bustos Romero de. Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola. In: KLEIMAN, Angela Del Carmen Bustos Romero de. Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas, São Paulo: Mercado de Letras, 1995. p. 15-61. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MINAYO, Maria Cecília de Souza. Ciência, técnica e arte: o desafio da pesquisa social. In: DESLANDES, Suely Ferreira; CRUZ NETO, Otavio; GOMES, Romeu; MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. p. 9-29. NOGUEIRA, Conceição. SAAVEDRA, Luisa. Educar para uma cidadania activa: (re)pensar o papel dos professores. In: “Congresso Galaico-Português de Psicopedagogia: actas, Braga: Universidade do Minho. Centro de Investigação em Educação, 2001. vol. 2. p. 589-598. SOARES, Magda. Alfaletrar: Toda criança pode aprender a ler e a escrever. São Paulo: Contexto, 2020. SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 3. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009. WOOD, Ellen Meiksins. Democracia contra o capitalismo: a renovação do materialismo histórico. Tradução de Paulo Cezar Castanheira. 1. ed. São Paulo: Boitempo Editorial, 2003. ISBN 85-7559-008-1.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

CARVALHO, Larissa Kaline Monteiro Barbosa de et al.. LETRAMENTO COMO AÇÃO PARA CIDADANIA PARTICIPATIVA.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1379222-LETRAMENTO-COMO-ACAO-PARA-CIDADANIA-PARTICIPATIVA. Acesso em: 07/08/2026

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