É POSSÍVEL ALFABETIZAR POR TELAS? DESAFIOS DO ENSINO REMOTO NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
É POSSÍVEL ALFABETIZAR POR TELAS? DESAFIOS DO ENSINO REMOTO NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
Autores
  • Lídia Carlos do Vale Neta
  • Maria Eduarda Ferreira de Oliveira
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 3 – Práticas Educativas, Cultura, Diversidade e Inclusão
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1376045-e-possivel-alfabetizar-por-telas-desafios-do-ensino-remoto-nos-anos-iniciais-do-ensino-fundamental
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Alfabetização; Ensino Remoto; Ensino Fundamental.
Resumo
Introdução A pandemia da COVID-19 trouxe mudanças profundas para o sistema educacional, exigindo das escolas e dos professores uma reorganização urgente de suas práticas pedagógicas. O fechamento das instituições de ensino e a adoção do isolamento social tornaram inevitável o uso das tecnologias digitais como meio de garantir a continuidade do processo educativo. Nesse contexto, o ensino remoto emergencial passou a fazer parte da rotina de alunos e docentes, desafiando principalmente os profissionais que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental, responsáveis pela alfabetização das crianças. O tema deste estudo surgiu da necessidade de compreender os impactos e as possibilidades da alfabetização mediada por telas, uma vez que o processo de aquisição da leitura e da escrita depende fortemente da interação, da observação e da troca constante entre professor e aluno. O distanciamento físico e a ausência do ambiente escolar presencial levantaram questionamentos sobre a eficácia das práticas pedagógicas digitais nesse processo. Assim, o presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivenciada enquanto bolsista do Programa Residência Pedagógica no desenvolvimento do projeto “Aprendendo a Aprender – atendimento individualizado”, refletindo sobre os desafios e possibilidades da alfabetização no contexto do ensino remoto. A escolha desse tema justifica-se pela relevância de discutir alternativas pedagógicas que emergiram durante a pandemia e que podem contribuir para o aprimoramento das práticas alfabetizadoras mesmo após o retorno presencial. Metodologia Este trabalho caracteriza-se como um relato de experiência, aliado a uma pesquisa qualitativa de caráter exploratório, pois buscou compreender o processo de alfabetização em contexto remoto, analisando práticas pedagógicas emergenciais. Segundo Soares (2020), a alfabetização nos anos iniciais requer interação constante entre professor e aluno, atenção individualizada e estratégias diversificadas para desenvolver a leitura e a escrita. A pandemia exigiu a adaptação dessas práticas para o ambiente digital, alinhando-se à perspectiva de Moran (2015), que destaca o uso das tecnologias digitais como mediadoras do ensino e aprendizagem, permitindo novas formas de interação entre professor e aluno. A experiência foi desenvolvida na Escola Estadual José Nogueira, com alunos do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental, durante o período de [inserir meses/ano]. As atividades ocorreram de forma remota, por meio de vídeo chamadas e envio de materiais digitais, com atendimento individualizado para crianças com dificuldades na leitura e escrita. Os dados foram obtidos por meio de observações, registros em relatórios e devolutivas pedagógicas, permitindo analisar o desenvolvimento das crianças e refletir sobre os desafios e possibilidades da alfabetização mediada por telas. O caráter qualitativo da pesquisa possibilitou analisar não apenas o desempenho cognitivo e linguístico, mas também o envolvimento familiar, considerado essencial para o sucesso das atividades. Como aponta Freire (2011), o processo de alfabetização é social e dialógico, sendo necessário que o professor compreenda o contexto do aluno e estabeleça estratégias que promovam aprendizagens significativas, mesmo em situações adversas como o ensino remoto emergencial. Resultados A experiência relatada ocorreu enquanto bolsista residente no Programa Residência Pedagógica, em parceria com a Escola Estadual José Nogueira, em Mossoró-RN, durante os anos de 2020-2021, período marcado pela pandemia da COVID-19. O fechamento das escolas transformou abruptamente o ensino presencial em remoto, criando desafios inéditos para professores, alunos, famílias e bolsistas, que precisaram desenvolver estratégias para minimizar os impactos na aprendizagem das crianças. Segundo Moran (2015), às tecnologias digitais podem atuar como mediadoras do processo educativo, possibilitando novas formas de interação entre professor e aluno mesmo em contextos de distanciamento social. Entretanto, a experiência demonstrou que o ensino remoto trouxe obstáculos, como a dificuldade de acesso a equipamentos e a impossibilidade de acompanhamento familiar constante, o que limitou a participação de algumas crianças nas aulas online. Freire (2011) reforça que o processo educativo é dialógico e social; portanto, a aprendizagem depende da interação significativa entre sujeitos, enfatizando a importância do acompanhamento próximo, mesmo em ambientes digitais. O projeto “Aprendendo a Aprender – atendimento individualizado” foi estruturado em módulos. No primeiro, realizou-se a triagem dos alunos do 2º ano para identificar dificuldades específicas na leitura e escrita. No segundo módulo, os atendimentos individuais foram realizados remotamente, proporcionando acompanhamento direcionado às necessidades de cada estudante. Durante as atividades, observou-se que crianças em fase inicial de alfabetização enfrentaram desafios cognitivos e emocionais, incluindo insegurança, medo e ansiedade, que impactaram seu desempenho. A adaptação ao ensino remoto exigiu criatividade pedagógica. O uso de materiais lúdicos, canções, brincadeiras e atividades interativas revelou-se fundamental para manter o engajamento das crianças, promovendo aprendizagens significativas e reduzindo os efeitos da distância social. Conforme destacam Lucena et al. (2021), a aprendizagem em grupo é enriquecedora, mas o acompanhamento individualizado é essencial para atender às especificidades de cada aluno. Além disso, o projeto evidenciou a importância do envolvimento familiar. O apoio dos pais e responsáveis tornou-se um fator determinante para o sucesso das atividades, reforçando a perspectiva de Freire (2011) sobre a educação como processo social e colaborativo. As crianças que receberam suporte em casa apresentaram maior evolução na identificação de letras, formação de palavras e compreensão textual, demonstrando que a mediação pedagógica, mesmo via telas, pode promover avanços significativos no processo de alfabetização. Dessa forma, os resultados apontam que, embora o ensino remoto tenha imposto desafios estruturais e emocionais, é possível alfabetizar por meio de tecnologias digitais, desde que haja planejamento, acompanhamento individual e participação da família, consolidando a aprendizagem e estimulando o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças. Considerações finais A experiência desenvolvida no projeto “Aprendendo a Aprender – atendimento individualizado” demonstrou que a alfabetização nos anos iniciais pode ocorrer de forma significativa, mesmo em contexto remoto, desde que haja planejamento estratégico, acompanhamento individual e participação familiar. O ensino remoto emergencial trouxe desafios relevantes, como o acesso limitado a recursos tecnológicos, a adaptação a novas rotinas e a necessidade de lidar com aspectos emocionais de crianças e famílias. O acompanhamento individualizado e o uso de atividades lúdicas e interativas favoreceram o engajamento das crianças, contribuindo para avanços em leitura, escrita e compreensão textual. A participação da família revelou-se essencial para o sucesso das atividades, fortalecendo a parceria entre escola, docente e comunidade. Conclui-se que, embora o ensino remoto não substitua completamente as interações presenciais, ele pode ser uma ferramenta eficaz de apoio à alfabetização quando utilizado de forma estruturada e intencional. A experiência também evidenciou a importância da criatividade, da resiliência e da colaboração entre docentes, alunos e familiares para enfrentar desafios educacionais em situações emergenciais. Por fim, o projeto reforça que a alfabetização é um processo complexo e contínuo, que requer atenção aos aspectos cognitivos, sociais e emocionais das crianças, garantindo aprendizagens significativas mesmo em contextos adversos. Referências FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 49. ed. São Paulo: Cortez, 2011. LUCENA, Maria; et al. Educação e pandemia: desafios emocionais e sociais na aprendizagem infantil. Revista Educação em Foco, v. 6, n. 1, p. 1-8, 2021. MORAN, José. A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 7. ed. Campinas: Papirus, 2015. SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. 7. ed. São Paulo: Contexto, 2020.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

NETA, Lídia Carlos do Vale; OLIVEIRA, Maria Eduarda Ferreira de. É POSSÍVEL ALFABETIZAR POR TELAS? DESAFIOS DO ENSINO REMOTO NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1376045-E-POSSIVEL-ALFABETIZAR-POR-TELAS-DESAFIOS-DO-ENSINO-REMOTO-NOS-ANOS-INICIAIS-DO-ENSINO-FUNDAMENTAL. Acesso em: 07/08/2026

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