BULLYING E CYBERBULLYING: EXPRESSÕES DE UMA VIOLÊNCIA VISÍVEL E INVISÍVEL NO CONTEXTO ESCOLAR

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
BULLYING E CYBERBULLYING: EXPRESSÕES DE UMA VIOLÊNCIA VISÍVEL E INVISÍVEL NO CONTEXTO ESCOLAR
Autores
  • Maria Eduarda Ferreira de Oliveira
  • Lídia Carlos do Vale Neta
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 3 – Práticas Educativas, Cultura, Diversidade e Inclusão
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1376040-bullying-e-cyberbullying--expressoes-de-uma-violencia-visivel-e-invisivel-no-contexto-escolar
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Bullying; Cyberbullying; Violência escolar.
Resumo
Introdução O bullying constitui uma discussão pertinente nos espaços escolares, uma vez que evidencia diferentes dimensões da violência e de suas manifestações nas relações interpessoais. Ao longo dos séculos, o fenômeno passou a ser associado à construção social e histórica das formas de convivência e às problemáticas que emergem no convívio entre crianças e adolescentes. Assim, compreender o bullying implica analisar não apenas as agressões físicas e verbais, mas também as formas simbólicas e psicológicas de violência que afetam o ambiente escolar. O objetivo geral deste estudo é compreender o fenômeno do bullying nos espaços escolares a partir de uma discussão e análise sobre os efeitos de uma violência visível e invisível. Como objetivos específicos, propõe-se: compreender o contexto histórico do bullying, com destaque para seu surgimento e percurso nas escolas; e analisar o cyberbullying, apontando suas características e impactos no processo de socialização escolar. A escolha do tema se justifica pela experiência adquirida durante o Estágio Supervisionado II, no Ensino Fundamental – Anos Iniciais, quando foi possível observar situações de conflito entre alunos que evidenciam diferentes formas de bullying. Essas experiências despertaram a necessidade de compreender melhor o fenômeno e discutir estratégias de prevenção e conscientização, a fim de contribuir para um ambiente escolar mais seguro e inclusivo. A discussão proposta se mostra relevante para o processo educativo de crianças e adolescentes, pois permite refletir sobre as causas e os efeitos de práticas violentas recorrentes nos espaços escolares. Tais práticas, quando não enfrentadas por meio de ações de conscientização e prevenção, podem gerar consequências emocionais graves e comprometer o desenvolvimento integral dos sujeitos envolvidos. Metodologia O estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo, fundamentada em produções teóricas previamente elaboradas e obtidas por meio de artigos científicos e publicações digitais. Conforme Gil (2019), a pesquisa bibliográfica possibilita a análise crítica de teorias, conceitos e dados já publicados, permitindo a compreensão aprofundada de fenômenos complexos, como o bullying e o cyberbullying. Para fundamentar a análise, foram utilizados autores que discutem historicamente o bullying, como Olweus (1993), que investigou o fenômeno na Noruega e destacou suas consequências sociais; Voors (2000), que analisou os impactos de campanhas anti-bullying na redução da violência escolar; Neto (2005) e Fante (2008a), que abordam o bullying como problema social e educacional; além de Shariff (2011), Law et al. (2012), Spears et al. (2009), Gorgulho (2018) e Wendt & Lisboa (2013), que enfocam o cyberbullying, a influência das tecnologias e as repercussões psicológicas e sociais nas vítimas. A seleção das fontes seguiu critérios de relevância teórica e atualidade, buscando oferecer uma análise ampla e consistente sobre as diferentes manifestações do fenômeno nos espaços escolares. Resultados Observa-se que o bullying, historicamente presente nos espaços escolares, manifesta-se de formas visíveis, como agressões físicas, empurrões, socos, tapas e insultos verbais, e invisíveis, por meio de exclusão social, humilhação, difamação e intimidação psicológica (Olweus, 1993; Fante, 2008a; Neto, 2005). Estudos internacionais demonstram que o fenômeno não é recente, mas ganhou maior visibilidade com a pesquisa de Dan Olweus, que na década de 1980 estudou sistematicamente as agressões entre alunos na Noruega e evidenciou suas consequências graves, incluindo casos de suicídio infantil. A partir desses achados, foram desenvolvidas políticas preventivas, como a Campanha Anti-bullying de 1993, que contribuiu para a redução de comportamentos agressivos, diminuição da evasão escolar e melhora do clima escolar (Voors, 2000). No Brasil, a Lei nº 13.185/2015 trouxe reconhecimento legal ao fenômeno, definindo estratégias de prevenção, conscientização e combate à intimidação sistemática em escolas, clubes e instituições, destacando a necessidade de políticas educativas e ações pedagógicas voltadas à promoção de ambientes seguros e inclusivos. Observa-se que o bullying escolar, embora muitas vezes naturalizado como “briga de crianças”, apresenta impactos significativos na saúde emocional e psicológica das vítimas, podendo gerar afastamento escolar prolongado, sofrimento emocional, prejuízos no desenvolvimento cognitivo e social, além de afetar a moral do grupo e as relações entre colegas (Fante, 2008a; Freire & Aires, 2012). Com a chegada das novas tecnologias e o crescimento do uso da internet, surge o cyberbullying, caracterizado pelo uso de e-mails, mensagens, redes sociais, fotos e vídeos para difamar, intimidar ou humilhar outros indivíduos, geralmente de forma anônima (Shariff, 2011; Law et al., 2012; Spears et al., 2009; Wendt & Lisboa, 2013). O fenômeno apresenta impactos comparáveis ou até mais graves que o bullying tradicional, já que a vítima pode ser atingida em qualquer lugar e horário, aumentando a sensação de vulnerabilidade e medo constante. Além disso, a disseminação de fake news e conteúdos ofensivos na internet contribui para amplificar o alcance do cyberbullying, tornando a agressão mais silenciosa, persistente e difícil de identificar (Gorgulho, 2018; Bounegru et al., 2017). Os estudos analisados indicam que o bullying e o cyberbullying estão interligados, sendo manifestações complementares de uma violência escolar que perpassa o físico, o psicológico e o social. Observa-se que fatores como anonimato, digitalização da comunicação e cultura de exclusão social aumentam o impacto das agressões, enquanto programas educativos, conscientização de alunos, pais e professores e políticas públicas são essenciais para minimizar os danos e promover a convivência ética e saudável. Assim, o fenômeno se configura como um problema complexo, que exige abordagens integradas, considerando não apenas a escola, mas também o contexto familiar, social e tecnológico em que crianças e adolescentes estão inseridos. Considerações finais Com base nos estudos realizados para este artigo, percebe-se que o bullying é uma problemática social que sempre esteve presente nas escolas, embora, inicialmente, não existisse um termo específico que alcançasse toda a sociedade, sendo reconhecido apenas por determinados grupos. Com o avanço das novas tecnologias e a polarização das informações, o fenômeno passou a ser percebido de forma mais ampla pelas instituições escolares, pelas famílias, pelas mídias sociais e pelas comunidades locais. A pesquisa possibilitou compreender os efeitos do bullying e do cyberbullying, destacando a importância de identificar as práticas adotadas pelos agressores, o papel da família na educação dos filhos e a atuação da escola na conscientização e prevenção dessas formas de violência, tanto visíveis quanto invisíveis. Observa-se que a educação em valores humanos é fundamental para a construção de uma sociedade pautada no respeito às diferenças, na solidariedade e na compreensão dos próprios sentimentos e dos outros. Nesse sentido, a escola desempenha um papel central, formando indivíduos capazes de viver em coletividade e de estabelecer relações pautadas no diálogo, no respeito e na empatia, contribuindo para a diminuição dos atos de violência entre colegas e para o fortalecimento de um ambiente educacional saudável e inclusivo. Referências BOUNEGRU, Benjamin; GRAY, Jonathan; VENTURINI, Tommaso; MAURI, Michele. A field guide to “fake news” and other information disorders. Amsterdam: Public Data Lab, 2017. FANTE, Célia Regina. Bullying e violência escolar: reflexões para a educação. São Paulo: Contexto, 2008a. FREIRE, C.; AIRES, L. Bullying e cyberbullying: impactos e reflexões. São Paulo: Cortez, 2012. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2019. GORGULHO, Renata. Fake news e redes sociais: impactos na sociedade contemporânea. São Paulo: Intercom, 2018. NETO, J. P. Violência nas escolas: diagnóstico e perspectivas. São Paulo: Moderna, 2005. OLWEUS, Dan. Bullying at school: what we know and what we can do. Oxford: Blackwell, 1993. SHARIFF, Shaheen. Ciberbullying: questões e soluções para a escola, a sala de aula e a família. Vancouver: CyberSafe, 2011. VOORS, K. Anti-bullying campaigns and school climate: lessons from Norway. Oslo: Norwegian Ministry of Education, 2000. WENDT, J.; LISBOA, M. Cyberbullying e o uso da tecnologia entre adolescentes. São Paulo: Papirus, 2013.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

OLIVEIRA, Maria Eduarda Ferreira de; NETA, Lídia Carlos do Vale. BULLYING E CYBERBULLYING: EXPRESSÕES DE UMA VIOLÊNCIA VISÍVEL E INVISÍVEL NO CONTEXTO ESCOLAR.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1376040-BULLYING-E-CYBERBULLYING--EXPRESSOES-DE-UMA-VIOLENCIA-VISIVEL-E-INVISIVEL-NO-CONTEXTO-ESCOLAR. Acesso em: 07/08/2026

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