PRÁTICAS DIDÁTICAS LÚDICAS E O ENSINO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Publicado em 18/06/2026 - ISBN: 978-65-272-2494-5

Título do Trabalho
PRÁTICAS DIDÁTICAS LÚDICAS E O ENSINO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Autores
  • Mikaelle Ferreira Bento
  • Carlos Eduardo Mendes do Rosário
Modalidade
Resumo expandido
Área temática
Área 3 – Práticas Educativas, Cultura, Diversidade e Inclusão
Data de Publicação
18/06/2026
País da Publicação
Brasil
Idioma da Publicação
pt-BR
Página do Trabalho
https://www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1375951-praticas-didaticas-ludicas-e-o-ensino-da-cultura-afro-brasileira-na-educacao-basica
ISBN
978-65-272-2494-5
Palavras-Chave
Didática. Ludicidade. Cultura afro-brasileira. Lei 10.639/03. Práticas pedagógicas.
Resumo
O presente estudo tem como objetivo discutir as práticas didáticas lúdicas voltadas ao ensino da cultura afro-brasileira na educação básica, em conformidade com a Lei nº 10.639/2003. Fundamentado em Cunha (2016) e Gomes et al. (2014), o trabalho analisa o papel do professor como mediador de uma educação que valoriza a diversidade e combate o racismo. A pesquisa também incluiu um levantamento com estudantes do curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, a fim de compreender suas percepções sobre a implementação da referida lei e as metodologias que podem contribuir para sua efetivação. Os resultados apontam que uso de práticas didáticas lúdicas como jogos, contação de histórias, literatura infantil e atividades interdisciplinares potencializa o aprendizado, estimula o respeito às diferenças e fortalece a construção de uma identidade cultural plural. Conclui-se que o ensino da cultura afro-brasileira requer uma didática crítica e criativa, capaz de transformar a escola em espaço de inclusão, valorização e reconhecimento. O ensino da cultura afro-brasileira é um compromisso ético, político e pedagógico assumido pelas instituições de ensino a partir da promulgação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todos os níveis da educação básica. Essa lei visa não apenas corrigir distorções históricas, mas também promover o respeito à diversidade e combater o racismo nas escolas brasileiras. No entanto, a efetivação dessa legislação ainda enfrenta desafios, como a falta de formação docente, a ausência de materiais didáticos representativos e a resistência em abordar a temática racial de forma transversal (GOMES et al., 2014). A didática, nesse contexto, assume papel fundamental, pois é por meio dela que o professor pode planejar, executar e avaliar práticas pedagógicas que valorizem a cultura afro-brasileira e promovam aprendizagens significativas. Assim, este estudo discute o papel da ludicidade como estratégia didática e destaca o compromisso do educador na construção de uma escola mais democrática e antirracista. A didática, enquanto campo da pedagogia, é responsável por investigar os processos de ensino e aprendizagem, buscando formas de torná-los mais significativos, humanos e contextualizados. Para Cunha (2016), o ensino deve estar fundamentado na experiência e no envolvimento entre professor e aluno, de modo que a sala de aula se torne um espaço de diálogo e criação coletiva. A autora defende que o lúdico, entendido como elemento essencial da formação humana, é capaz de gerar vivências transformadoras e fortalecer vínculos, sendo uma ferramenta de mediação pedagógica que estimula o pensamento crítico, a imaginação e a afetividade. Já Gomes et al. (2014) destacam que a inclusão da cultura afro-brasileira no currículo escolar vai além de uma obrigação legal: trata-se de reconhecer a contribuição histórica, social e cultural dos povos africanos na constituição do Brasil. Trabalhar essa temática exige um olhar pedagógico sensível e comprometido com a valorização das identidades negras, rompendo com estereótipos e preconceitos. Assim, a ludicidade e as práticas didáticas criativas tornam-se instrumentos eficazes para a construção de uma educação antirracista, capaz de formar sujeitos críticos, conscientes e respeitosos à diversidade cultural. A pesquisa teve abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada em revisão bibliográfica e em um levantamento empírico realizado com estudantes do curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). O objetivo foi compreender as percepções dos participantes sobre a Lei nº 10.639/2003 e identificar estratégias pedagógicas que favorecem a valorização da cultura afro-brasileira na escola. A coleta de dados ocorreu entre os dias 08 e 12 de outubro de 2025, por meio de um formulário online elaborado no Google Formulários, cujo link foi enviado aos estudantes. Participaram da pesquisa 10 estudantes do curso de Pedagogia, de ambos os sexos. O instrumento continha questões abertas, permitindo aos participantes expressar suas concepções e experiências relacionadas ao ensino da cultura afro-brasileira. As respostas foram analisadas de forma interpretativa e categorial, considerando os eixos temáticos: valorização da cultura afro-brasileira, combate ao racismo, formação docente e uso de práticas lúdicas no processo de ensino-aprendizagem A análise das respostas evidenciou que os licenciandos reconhecem a Lei nº 10.639/2003 como um instrumento fundamental para a valorização da história e da cultura afro-brasileira e para o combate ao racismo nas escolas. Entre os dez participantes, 80% destacaram que a legislação contribui para romper com a visão eurocêntrica presente no currículo escolar, promovendo uma educação mais plural e democrática. A maioria dos estudantes (cerca de 70%) mencionou que a implementação efetiva da Lei ainda enfrenta desafios estruturais, como o racismo institucional, a falta de formação docente continuada e a escassez de materiais didáticos representativos. Um dos participantes enfatizou que “é nosso dever, como futuros educadores, lutar por essa causa”, o que reforça a percepção do compromisso ético e político do professor na construção de uma educação antirracista. Em relação às práticas pedagógicas, 90% dos respondentes citaram o uso de livros infantojuvenis com protagonistas negros, projetos interdisciplinares e contação de histórias como metodologias eficazes para valorizar a cultura afro-brasileira. Foram mencionadas ainda oficinas de arte e música afro-brasileira, rodas de conversa sobre identidade e respeito às diferenças e atividades alusivas ao Dia da Consciência Negra, as quais contribuem para o desenvolvimento do pensamento crítico e do respeito à diversidade. Essas práticas dialogam com Cunha (2016), que compreende o lúdico como uma prática pedagógica transformadora, capaz de gerar experiências significativas e fortalecer vínculos entre professor e aluno. Do mesmo modo, Gomes et al. (2014) defendem que a inserção da cultura afro-brasileira desde a educação infantil é essencial para romper estereótipos e consolidar uma educação inclusiva e antirracista. Assim, os resultados apontam que o uso de estratégias didáticas lúdicas e o comprometimento docente são fatores determinantes para a efetivação da Lei nº 10.639/2003, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural afro-brasileira e para a construção de uma escola mais democrática e representativa. O estudo evidenciou que as práticas didáticas lúdicas representam um importante instrumento pedagógico para a efetivação da Lei nº 10.639/2003, uma vez que possibilitam o ensino da cultura afro-brasileira de forma significativa, crítica e inclusiva. A análise das respostas dos estudantes de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) demonstrou que há uma consciência crescente sobre a necessidade de abordar a temática racial nas escolas, porém ainda persistem desafios relacionados à formação docente e à falta de recursos didáticos adequados. As práticas pedagógicas que valorizam o lúdico, como a contação de histórias, os projetos interdisciplinares, as atividades artísticas e as rodas de conversa, mostraram-se eficazes para estimular o protagonismo dos alunos e promover o respeito à diversidade étnico-racial. Essas ações contribuem para uma educação humanizadora, capaz de reconhecer e celebrar as diferentes identidades que compõem a sociedade brasileira. Conclui-se que a didática, quando orientada por princípios de diversidade, diálogo e sensibilidade cultural, torna-se um caminho essencial para a consolidação de uma educação antirracista. Assim, reforça-se a importância de políticas públicas e programas de formação continuada que preparem professores para desenvolver práticas pedagógicas criativas e comprometidas com a valorização da cultura afro-brasileira, garantindo uma escola mais democrática, representativa e transformadora.
Título do Evento
IX SIMPÓSIO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO & III SEMINÁRIO TEMÁTICO DAS LINHAS DE PESQUISA DO PROFEI/UERN
Cidade do Evento
Mossoró
Título dos Anais do Evento
Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN
Nome da Editora
Even3
Meio de Divulgação
Meio Digital

Como citar

BENTO, Mikaelle Ferreira; ROSÁRIO, Carlos Eduardo Mendes do. PRÁTICAS DIDÁTICAS LÚDICAS E O ENSINO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA NA EDUCAÇÃO BÁSICA.. In: Anais Simpósio de Pós-Graduação em Educação (SIMPOSEDUC) e o Seminário Temático das Linhas de Pesquisa do PROFEI/UERN. Anais...Mossoró(RN) UERN-Campus Central, 2026. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/ix-simposio-de-pos-graduacao-em-educacao-iii-seminario-tematico-das-linhas-de-pesquisa-do-profeiuern-617739/1375951-PRATICAS-DIDATICAS-LUDICAS-E-O-ENSINO-DA-CULTURA-AFRO-BRASILEIRA-NA-EDUCACAO-BASICA. Acesso em: 07/08/2026

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